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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

SERGIPE/BRASIL - EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA "OBSERVATÓRIO DA PRAÇA SÃO FRANCISCO"


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NOVA EXPOSIÇÃO "OBSERVATÓRIO DA PRAÇA SÃO FRANCISCO"

Ato público no I Círculo dos Ogãs 2010. Foto: Marcelly

Na próxima terça (20/1), às 11 horas, o Museu Histórico de Sergipe (MHS/Secult) lançará a exposição temporária "Observatório da Praça São Francisco". Através de painéis, fotos, documentos e produções será destacado o processo de mobilização dos agentes e entidades envolvidas no esforço da campanha da Praça Francisco candidata ao título de Patrimônio da Humanidade entre os anos de 2006 e 2010.

O protagonismo online ou o ciber-ativismo foi uma marca do esforço da campanha que resultou na chancela de Patrimônio da Humanidade concedida pela UNESCO a Praça São Francisco, no dia 1 de agosto de 2010, durante a XXXIV Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial realizada em Brasília. O processo da conquista do importante título internacional e a ação mobilizadora que destacou o Museu Histórico de Sergipe, sede de ações importantes como o Projeto Noite de Histórias, encerram a primeira exposição do ano. 

Thiago Fragata, diretor do MHS, considera a bela praça São Francisco e a saga do título da UNESCO um tópico obrigatório para quem visita a instituição. "Não tem como deixar de falar da praça, a riqueza artística da arquitetura colonial que a circunda, a beleza que ganha diferentes luminosidades no decorrer do dia, a relação com a comunidade, a sociabilidade, enfim, por tudo isso é que o MHS figura como ponto de observação privilegiado, lembrando que nossa instituição guarda o diploma da UNESCO e o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade 2013, frutos de uma relação direta com a praça". 

O QUÊ?
Lançamento da Exposição "Observatório da Praça São Francisco"
ONDE? Museu Histórico de Sergipe
QUANDO E QUE HORAS? Terça (20/1), às 11 horas.

EXPOSIÇÃO BEM DO BRASIL EM ARACAJU

Santo Antonio. Acervo do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão.

A partir do próximo dia 2 de agosto, Sergipe receberá a exposição itinerante Bem do Brasil, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A mostra que será aberta às 19h, noMemorial do Tribunal de Justiça de Sergipe – Palácio Silvio Romero, localizado à Praça Olímpio Campos, nº 417, Centro, compõe a programação festiva do centenário do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE).
A exposição Bem do Brasil foi lançada para reinaugurar o Palácio do Planalto, em Brasília, e desde então a exposição itinerante já percorreu os Estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará, chegando a Sergipe. 

Em Aracaju (SE), serão integradas também peças dos acervos do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão (Arquidiocese de Aracaju), do Museu do Homem Sergipano (MUHSE), do Museu Galdino Bicho (IHGSE), dos Museus da Secretaria de Estado da Cultura, dentre estes o Museu Histórico de Sergipe (MHS), e do Memorial de Sergipe, além daquelas cedidas por artistas locais e acervos particulares.



segunda-feira, 7 de maio de 2012


Freire Ribeiro e a cidade musa-museu

Freire Ribeiro, crayon de Florival Santos, SD
Acervo do MHS


Thiago Fragata*

O poeta João Freire Ribeiro nasceu em Aracaju em 4 de setembro de 1911 e faleceu em 24 de janeiro de 1975. Foi durante anos o diretor técnico da Biblioteca Pública Epifanio Dória.[1]Freqüentou São Cristóvão a partir da década de 1950 incentivado pelos amigos José Calasans, Lauro Barreto Fontes, agente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e do sancristovense José Augusto Garcez.

Tinha na cidade colonial um elo sentimental que união o poeta a sua musa. Confessava que a cidade respirava poesia e chegava a dormir em seus templos a fazer boemia pelas ruas e praças a espera da inspiração. “O vate amou e exaltou a velha cidade”, reconheceu Arivaldo Fontes, não por acaso doou acervo para compor o Museu Histórico de Sergipe e dedicou-lhe a obra São Cristóvão de Sergipe D’El Rei, publicado em 1971.[2] A poesia “Museu”, dedicada ao Governador Luiz Garcia, emoldura as páginas que merecem reedição.


MUSEU




Penetro o Museu
No belo Palácio!...
Bagnuolo me fala
De luta sangrenta
Que a História aviventa!

Feroz mortandade
As tropas de Holanda
Brigando nas ruas
Da nobre cidade!
Labatut, vai comigo...
Brigadeiros, barões!...
Dom Pedro Segundo
Outrora bailando
De barbas bem loiras,
Nos grandes salões!

Esculturas em pedra
- tesouros achados
Na terra enterrados
Num velho convento,
- ruína sagrada,
Sem frades, sem santos,
No templo ultrajado!

Cadeirinha mimosa...
Onde negros escravos
Chegados do Congo?
Cadeirinha saudosa
De linda Senhora,
De langue Donzela
De cor duma estrela
Nas montras da aurora!

Brazão esplendente
Brasil refulgente
Aos olhos do mundo
Nos fastos do Império
Com Pedro Segundo!

Um Cristo, obra-prima.
- imagem sombria
Sem braços, penando,
Em chagas sangrando
Numa imensa agonia!

A tarde, lá fora,
Em luz se desfaz:
São Cristóvão é um ninho
De sonho e de paz!...

Cachimbos, taieiras,
Ferrenhos punhais
Dos cãibras do Norte
Instrumentos terríveis
De cenas de morte!

Canhões de outras eras
Com limos de glória,
Dormindo, caducos,
Nas noites da História!

Pistolas, espadas
Mil bravos lembrando
Cocares e bestas
Com arcos de índios
Nas paredes pousando!

Horácio, presente
Nos quadros eternos
Da nossa pintura!

Cenário ameríndio:
Em tela gigante
Cecília dormindo
Em selvagem piroga,
Em doce postura
À sombra do índio!

Régias camas vazias
Com lindos brocados,
Recordando mil noites
Com corpos amados!...

A cama é um ninho,
Uma breve pousada
Do corpo que espera
A viagem do nada!...

Num pátio mouruno
Do lindo Palácio
Revejo, sonhando,
Pepita Tangil,
Uma flor espanhola
Em desterro morrendo
Em Sergipe, Brasil!

Espanha presente
No belo Palácio
Mouruna gitana
Aparece aos meus olhos!
Vem com flor e mantilha
Bailando ao compasso
De flauta encantada
Solando a saudade
Da Arábia em Sevilha!...

As sombras me falam,
Os mortos me chamam!
A tarde é lá fora
Em sanguínea agonia
Uma rosa dorida!
O Palácio está cheio
De vultos fugidos
Das cenas da vida!

A vida, me chama!
São Cristóvão cintila
Num lindo poente
De púrpura e ouro
Na tarde tranqüila!

Adeus, São Cristóvão!

Adeus, Bebe-Água!
Visão aparece
À luz dos meus olhos,
De barbas ao vento:
Frei Luiz do Rosário
Olhando a cidade
Dum velho Convento!

Um sino plangendo
No bojo da tarde,
Meu sonho desfaz!

Um sino, que brônzeo
No tempo, soletra
Os nomes queridos
Dos mortos, vivendo
Nos Reinos da Paz![3]



*Thiago Fragata é graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), especialista em História Cultural pela mesma universidade, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), membro do Grupo de Estudos História Popular do Nordeste (GEHPN/CNPq) e diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS). E-mail: thiagofragata@gmail.com
NOTAS
[1] BRASIL, Assis (org.). A poesia sergipana no século XX: antologia. Rio de Janeiro: Imago; Aracaju: SEED/SE, 1998, p. 74.  
[2] FONTES, Arivaldo Silveira. Freire Ribeiro e São Cristóvão. __. In: Figuras e fatos de Sergipe. Porto Alegre: Ed. CFP SENAI, 1992, p. 36.
[3] RIBEIRO, João Freire. São Cristóvão de Sergipe D’El Rey (Poesias), S/Ed, 1971, p. 21-25.





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