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A Coreia é uma das civilizações mais antigas do mundo.[9] Investigadores arqueológicos afirmam que a península foi ocupada desde o Paleolítico Inferior. Através do tempo, a história da Coreia tem sido turbulenta com numerosas guerras, incluindo invasões tanto chinesas quanto japonesas. Desde o estabelecimento da república moderna em 1948, a Coreia do Sul debateu-se com sequelas de conflitos bélicos, como a Guerra da Coreia (1950–1953), e décadas de governos autoritários. Apesar de ser oficialmente uma democracia de estilo ocidental desde a fundação da república, as eleições presidenciais sofreram grandes irregularidades que só terminaram em 1987, quando ocorreram as primeiras eleições diretas e o país passou a ser considerado como uma democraciamultipartidária.
No idioma coreano, a Coreia do Sul é chamada de Daehan Min-guk[18] (em coreano: 대한민국, hanja: 大 ("grande") 韓 (Han, nome em chinês) 民國 (“povo”, „nação“), literalmente "O grande povo de Han" ou "A grande nação de Han") Hanguk em sua forma curta (한국, "País de Han", utilizado para referir-se à Coreia como um todo) o Namhan (남한;南韓, "A nação do sul", para se referir à Coreia do Sul especificamente). O nome Han é datado das antigas Confederações Samhan da era dos Três Reinos da Coreia. Em português, assim como na maioria das línguas ocidentais, a nação é muitas vezes referida como Coreia. Esta palavra deriva da Dinastia Goryeo, a qual adotou seu nome em referência ao mais antigo Reino de Koguryŏ.[19]
A Península Coreana foi habitada por humanos já no período Paleolítico Inferior.[20][21] A história da Coreia começa com a fundação de Joseon (também conhecido como "Gojoseon" para diferenciá-la da dinastia do século XIV) em 2333 a.C. por Dangun, de acordo com a mitologia de fundação da Coreia.[22][23] Gojoseon foi anotado em registros chineses no início do século VII.[24] Gojoseon se expandiu até controlar o norte da península e partes da Manchúria. Em 108 a.C., a Dinastia Han derrotou Wiman Joseon e instalou quatro comandantes no norte da península. Três dos comandantes caíram ou recuaram para o oeste em poucas décadas. Como o comando do jun de Lelang foi destruído e reconstruído nessa época, o lugar gradualmente mudou-se em direção a Liaodong. Assim, sua força foi diminuída e serviu apenas como um centro comercial até ser conquistada por Goguryeo em 313.[25][26][27]
Durante o período conhecido como Proto-Três Reinos da Coreia, os Estados de Buyeo, Okjeo, Dongye e Samhan ocuparam toda a península coreana e o sul da Manchúria. Deles, Goguryeo, Baekje e Silla emergiram para controlar a península como os Três Reinos da Coreia. Goguryeo, o maior e mais poderoso entre eles, era um Estado altamente militarista,[28][29] e competiu com várias dinastias chinesas durante seus 700 anos de existência. Goguryeo experimentou uma idade de ouro sob o comando de Gwanggaeto, o Grande, e seu filho, Jangsu,[30][31] que subjugou os reinos de Baekje e Silla, alcançando uma breve unificação e tornando-se a potência dominante na Península Coreana.[32][33] Além de disputar o controle da região, Goguryeo teve muitos conflitos militares com várias dinastias chinesas,[34] mais notavelmente a Guerra Goguryeo-Sui, na qual Goguryeo derrotou uma enorme força que dizia ter mais de um milhão de homens.[35][36] Baekje era uma grande potência marítima;[37] sua habilidade náutica, que a tornou conhecida como a "Fenícia do Leste Asiático", foi fundamental na disseminação do budismo em todo o Extremo Oriente e a cultura continental para o Japão.[38][39] Baekje já foi uma grande potência militar na Península Coreana, especialmente durante a época de Geunchogo,[40] mas foi criticamente derrotado por Gwanggaeto, o Grande, e declinou.[41] Silla era o menor e mais fraco dos três reinos, mas usou meios diplomáticos astutos para fazer pactos oportunistas e alianças com os reinos coreanos mais poderosos e, eventualmente, com a China Tang, para manter sua vantagem.[42][43]
A unificação dos Três Reinos por Silla em 676 levou ao período dos Estados do Norte do Sul, no qual grande parte da Península Coreana era controlada pela Silla unificada, enquanto Balhae controlava as partes do norte de Goguryeo. Balhae foi fundada por um general goguryeo e formada como Estado sucessor de Goguryeo. Durante seu apogeu, Balhae controlou a maior parte da Manchúria e partes do Extremo Oriente Russo e foi chamado de "País Próspero do Oriente".[44] Mais tarde, Silla teve uma era dourada de arte e cultura.[45][46] As relações entre a Coreia e a China permaneceram relativamente pacíficas durante esse período. Mais tarde, Silla continuou as proezas marítimas de Baekje e durante os séculos VIII e IX dominou os mares do Leste Asiático e o comércio entre China, Coreia e Japão, principalmente durante o tempo de Jang Bogo; além disso, o povo de Silla criou comunidades no exterior na China, na península de Shandong e na foz do rio Yangtze.[47][48][49] Mais tarde, Silla se tornou um país próspero e rico[50] e sua capital metropolitana, Gyeongju,[51] se tornou a quarta maior cidade do mundo.[52][53] O budismo floresceu durante este tempo e muitos budistas coreanos ganharam grande fama entre os budistas chineses.[54]
Em 936, os Três Reinos posteriores foram unidos por Wang Geon, um descendente da nobreza de Goguryeo,[56] que estabeleceu Goryeo como o Estado sucessor de Goguryeo. Balhae caiu para a Dinastia Liao, da China, em 926, e uma década depois o último príncipe herdeiro de Balhae fugir para Goryeo, onde foi calorosamente recebido e incluído na família governante por Wang Geon, unificando assim as duas nações sucessoras de Goguryeo.[57] Como Silla, Goryeo era um Estado altamente cultural e inventou a prensa móvel.[58][59][60]
Após derrotar a Dinastia Liao, que foi o império mais poderoso de seu tempo,[61][62] Goryeo experimentou uma era de ouro que durou um século, durante a qual a Tripitaka Koreana foi concluída e houve grandes desenvolvimentos na impressão e publicação, promovendo a aprendizagem e dispersando o conhecimento sobre filosofia, literatura, religião e ciência; em 1100, havia 12 universidades que produziam estudiosos e cientistas famosos.[63][64]
No entanto, as invasões mongóis no século XIII enfraqueceram muito o reino. Goryeo nunca foi conquistada pelos mongóis, mas exausta após três décadas de luta, a corte coreana enviou seu príncipe herdeiro à capital da Dinastia Yuan para jurar lealdade a Kublai Khan, que aceitou e casou uma de suas filhas com o príncipe coreano.[65]
Daí em diante, Goryeo continuou a governar a Coreia, embora como um aliado tributário dos mongóis pelos 86 anos seguintes. Durante este período, as duas nações se entrelaçaram, pois todos os reis coreanos subsequentes se casaram com princesas mongóis[65] e a última imperatriz yuan foi uma princesa coreana. Em meados do século XIV, Goryeo expulsou os mongóis para recuperar seus territórios do norte, conquistou Liaoyang brevemente e derrotou as invasões dos Turbantes Vermelhos. No entanto, em 1392, o general Yi Seong-gye, que recebera ordens de atacar a China, deu meia-volta com seu exército e deu um golpe.[65]
Yi Seong-gye declarou o novo nome da Coreia como "Joseon" em referência a Gojoseon, e mudou a capital para Hanseong (um dos antigos nomes de Seul).[66] Os primeiros 200 anos da Dinastia Joseon foram marcados pela paz e grandes avanços na ciência[67][68] e na educação,[69] bem como a criação do hangul por Sejong, o Grande, para promover a alfabetização entre as pessoas comuns.[70] A ideologia predominante da época era o neoconfucionismo, que era simbolizado pela classe seonbi: nobres que renunciaram a posições de riqueza e poder para levar uma vida de estudo e integridade. Entre 1592 e 1598, o senhor feudal japonês Toyotomi Hideyoshi lançou invasões contra a Coreia, mas seu avanço foi interrompido pelas forças coreanas (principalmente a Marinha Joseon liderada pelo almirante Yi Sun-sin e seu famoso "navio tartaruga")[71][72] com a assistência de milícias do Exército da Justiça formadas por civis coreanos e tropas chinesas da Dinastia Ming. Por meio de uma série de batalhas de desgaste bem-sucedidas, as forças japonesas foram forçadas a se retirar e as relações entre todas as partes se normalizaram. No entanto, os manchus se aproveitaram do estado enfraquecido pela guerra de Joseon e invadiram em 1627 e 1637, e então conquistaram a desestabilizada Dinastia Ming. Depois de normalizar as relações com a nova Dinastia Qing, Joseon viveu um período de paz de quase 200 anos. Os reis Yeongjo e Jeongjo lideraram particularmente um novo renascimento da dinastia Joseon durante o século XVIII.[73][74]
No século XIX, as famílias reais de parentesco ganharam o controle do governo, levando à corrupção em massa e ao enfraquecimento do Estado, pobreza extrema e rebeliões camponesas em todo o país. Além disso, o governo Joseon adotou uma política isolacionista estrita, ganhando o apelido de "reino eremita", mas acabou falhando em se proteger do imperialismo e foi forçado a abrir suas fronteiras. Após a Primeira Guerra Sino-Japonesa e a Guerra Russo-Japonesa, a Coreia foi ocupada pelo Japão (1910–1945). No final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos propuseram dividir a Península Coreana em duas zonas de ocupação (uma estadunidense e outra soviética). Dean Rusk e Charles H. Bonesteel III sugeriram o 38º paralelo como a linha divisória, uma vez que colocou Seul sob o controle dos Estados Unidos. Para surpresa de Rusk e Bonesteel, os soviéticos aceitaram sua proposta e concordaram em dividir a Coreia.[75]
Em 1948, como consequência da divisão da península entre soviéticos e estadunidenses, surgiram duas novas entidades que permanecem até hoje: a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. No norte, um guerrilheiro antijaponês chamado Kim Il-sung obteve o poder através do apoio soviético; no sul, um político de direita, Syngman Rhee, foi nomeado como presidente.[76] Em 1949, o exército sul-coreano reprime brutalmente uma insurreição de camponeses na ilha de Jeju, matando 60000 pessoas.[77]
Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte invade a Coreia do Sul, dando início à Guerra da Coreia. O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu intervir contra a invasão com uma força liderada pelos Estados Unidos. Essa decisão só foi possível porque o delegado da União Soviética no Conselho de Segurança das Nações Unidas esteve ausente como forma de protesto pela admissão da República da China naquele órgão.[76]
Por sua parte, a União Soviética e a China decidiram apoiar a Coreia do Norte, enviando efetivos militares e provisões para as tropas norte-coreanas. A guerra acabaria com baixas maciças de civis norte e sul-coreanos.[76] O armistício de 1953 dividiu a península ao longo da Zona Desmilitarizada da Coreia, traçada muito próxima à linha da demarcação original. Nenhum tratado de paz foi firmado, e tecnicamente os dois países continuaram em guerra. Estima-se que 2,5milhões de pessoas morreram durante o conflito.[76]
Em 1960, um movimento estudantil e trabalhista (a Revolução de Abril) levou à renúncia do presidente Syngman Rhee. A este evento seguiu-se um período de instabilidade política, que culminaria com um golpe de estado um ano depois, liderado pelo general Park Chung-hee (o "5–16 coup d' état").[78] Park foi duramente criticado como um ditador sem piedade e pela repressão política ocorrida durante o seu mandato; porém, a sua economia se desenvolveu de maneira significativa, pois o regime incentivou o rápido crescimento econômico impulsionando as exportações. Park foi presidente até ser assassinado em 1979.[78]
Os anos que se seguiram após o assassinato de Park foram novamente marcados por grande agitação política, assistindo-se a múltiplas tentativas de tomada do poder presidencial por parte dos líderes da oposição anteriormente reprimidos. Em 1980, realizou-se um outro golpe de estado, liderado pelo general Chun Doo-hwan contra o governo transitório de Choi Gyuha, que ocupou o cargo de primeiro-ministro da Coreia do Sul durante o mandato de Park. Quando Chun assumiu a presidência houve protestos a nível nacional exigindo democracia e legalidade nas eleições.[78]
Chun e o seu governo mantiveram a Coreia do Sul sob um regime despótico até 1987, quando manifestações de trabalhadores e de grupos opositores eclodiram por todo o país. Finalmente, o partido político de Chun (Partido Democrático de Justiça) e seu líder, Roh Tae-woo, deram a conhecer a declaração de 29 de junho, que incluía as chamadas eleições diretas para eleger o novo presidente. Roh ganhou as eleições por uma estreita margem contra os dirigentes dos principais partidos políticos de oposição, Kim Dae-jung e Kim Young-sam.[78]
Em junho de 2000 foi celebrada pelo presidente Kim Dae-jung a Declaração de Paz e Prosperidade, em Pyongyang, capital da Coreia do Norte.[3] Mais tarde, nesse mesmo ano, Kim recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho para a democracia e os direitos humanos na Coreia do Sul e no leste asiático em geral e para a paz e reconciliação com a Coreia do Norte em particular.[83] Em 2002, Coreia do Sul e Japão foram anfitriões da Copa do Mundo. Mais tarde, as relações entre ambas as nações se deterioraram, devido ao conflito sobre a possessão dos Rochedos de Liancourt (em coreano: Dodko).[84] Em 2004, um escândalo político levou ao impeachment do presidente Roh Moo-hyun, mas ele foi absolvido e permaneceu no cargo.[85]
Em outubro de 2012, com a quase totalidade dos votos apurados, Park Geun-hye, filha do ex-presidente Park Chung-hee, foi eleita a primeira mulher presidente da história do país, com 51,6% dos votos válidos, ante 48,4% do seu adversário Moon Jae-in.[86] Em abril de 2014, o naufrágio do Sewol levou à exoneração do primeiro-ministro Chung Hong-won.[87]
Em 2016, estoura uma crise política no país, após revelações de que Choi Soon-sil, amiga pessoal da presidente sul-coreana, envolvia-se nas decisões do governo mesmo sem possuir cargo público, levando ao afastamento da presidente no dia 9 de dezembro, assumindo interinamente o primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn.[88] Em 10 de março de 2017 (data local), Park foi definitivamente afastada da presidência pela corte constitucional, tornando-se a primeira chefe de Estado e de governo na história do país a ser deposta por um processo de impeachment,[89] sendo detida três semanas depois.[90]
Em 9 de maio de 2017, eleições presidenciais antecipadas deram vitória ao candidato derrotado em 2012, Moon Jae-in, empossado logo no dia seguinte.[91] Em abril de 2018, a ex-presidente Park foi sentenciada a 24 anos de prisão por abuso de poder e corrupção.[92] A pandemia de COVID-19 afetou a nação em 2020, ano em que a Coreia do Sul registrou mais mortes do que nascimentos, resultando, pela primeira vez, em uma redução populacional.[93]
Em março de 2022, Yoon Suk-yeol, conservador candidato da oposição à presidência pelo Partido do Poder Popular, venceu uma eleição apertada contra Moon Jae-in, com a menor margem da história. Yoon foi empossado em 10 de maio de 2022.[94] Ele declarou lei marcial em 3 de dezembro de 2024, acusando a oposição de ser pró-Coreia do Norte e de conduzir atividades contra o Estado.[95] Horas depois, a Assembleia Nacional votou de forma unânime (190 a 0) para anular a declaração, levando Yoon a revogar a lei marcial em 4 de dezembro.[96] Em 14 de dezembro, Yoon foi afastado do cargo após a maioria da Assembleia Nacional, incluindo alguns membros de seu próprio partido, votar pelo seu impeachment.[97] Yoon foi removido do cargo por unanimidade em 4 de abril de 2025.[98] Nas eleições presidenciais de 3 de junho de 2025, foi eleito o candidato Lee Jae-myung,[99] empossado no dia seguinte.[100]
O território nacional pode ser dividido em quatro regiões gerais: a região oriental de montes altos e planícies costeiras estreitas; a região ocidental com amplas planícies costeiras e bacias; a região sudoeste com montanhas e vales e a região sudeste, onde predomina a ampla bacia do Rio Nakdong.[102] O relevo é predominantemente montanhoso e a maior parte do solo não é cultivável. As terras baixas, localizadas principalmente a oeste e a sudeste, constituem apenas 30% da área total do país.[103]
Aproximadamente três mil ilhas, em sua maioria pequenas e desabitadas, se encontram frente às costas oeste e sul. Jeju-do se encontra a aproximadamente cem quilômetros da costa sul. É a maior ilha do país, com aproximadamente 1 845km². Em Jeju encontra-se o ponto mais alto da Coreia do Sul: Hallasan, um vulcão extinto, com 1 975 metros de altitude acima do nível do mar.[3] As ilhas mais orientais incluem Ulleungdo e os Rochedos de Liancourt (Dokdo); os locais mais a sul são Marado e o Rochedo de Socotra. Existem cerca de vinte parques nacionais, os quais, juntamente com alguns sítios naturais, gozam de grande popularidade entre os turistas, como as plantações de chá de Boseong e o parque ecológico da baía de Suncheon, na província de Jeolla do Sul.[104]
Os rios principais são o Han e o Nakdong, que nascem no sistema montanhoso dos montes Taebaek. O rio Han se dirige até a costa oeste para desaguar no Mar Amarelo, enquanto o Nakdong, mais extenso, circula na direção sul até alcançar o Estreito da Coreia.[105]
O clima predominante na Coreia do Sul é o continental.[106] Os invernos podem ser muito frios, com temperaturas mínimas que podem alcançar os -20°C na parte mais setentrional do país. As temperaturas são altas durante o inverno ao largo da costa sul e consideravelmente baixas em áreas montanhosas. As precipitações se concentram nos meses de verão, de junho a setembro. Em uma curta temporada de chuvas denominada jangma, que começa em finais de junho e termina no final do mês de julho, o país é afetado por uma monção, ao mesmo tempo em que a costa sul está sujeita a tufões que trazem ventos fortes e chuvas intensas.[107][3]
Por ser uma das zonas mais vigiadas de todo o planeta e devido à restrição de acesso a todos os civis, a Zona Desmilitarizada da Coreia é um dos lugares mais preservados do país.[112] O isolamento natural de grande parte desta zona, com uma área de cerca de 1 000km², converteu-a num dos locais naturais mais bem preservados e no último refúgio de várias espécies ameaçadas.[113] Através de estudos realizados por grupos de ecologistas e cientistas, já foram catalogadas aproximadamente 2 900 espécies vegetais, 70 de mamíferos e 320 variedades de aves na zona.[113] Outras investigações realizadas acerca da região estimam que existem mais exemplares e outras espécies de regiões circundantes.[114]
A Coreia do Sul tinha uma população estimada em cerca de 51,7 milhões em 2022.[119][120] A população mais que dobrou, passando de 21,5 milhões em 1955[121] para 50 milhões em 2010.[122] No entanto, espera-se que atinja o pico de 52 milhões em 2024 e diminua para 36 milhões em 2072,[123] devido a um rápido declínio nas taxas de natalidade que começou em 1960. A fertilidade apresentou um aumento modesto posteriormente,[124] mas caiu para um novo mínimo global em 2017,[125] com menos de 30.000 nascimentos por mês pela primeira vez desde o início dos registros[126] e menos de um filho por mulher em 2018.[127] Em 2020, o país registrou mais mortes do que nascimentos, resultando na primeira diminuição populacional desde o início dos registros modernos.[128][129] Cerca de 95% da população da Coreia do Sul é formada por coreanos étnicos e os outros 5% sendo uma variedade de etnias, a maioria asiáticos (chineses, vietnamitas, filipinos, etc) e uma minoria de europeus e norte-americanos.[3]
A Coreia do Sul é notável por sua densidade demográfica de 507 habitantes por quilômetro quadrado,[3] mais de dez vezes em relação à média mundial. A maioria dos sul-coreanos vive em zonas urbanas, devido à migração maciça do campo para as cidades durante a rápida expansão econômica entre as décadas de 1970 e 1990.[130]
A taxa de natalidade sul-coreana é a mais baixa do mundo.[131] Esta tendência tende a continuar, prevendo-se que em 2050 a população diminua 13%, ficando com 42,3 milhões de habitantes.[132] Em 2008, a taxa de natalidade anual era de nove nascimentos para cada mil pessoas,[3] enquanto a esperança de vida era de 79,10 anos,[133] a 40ª mais elevada do mundo.[134]
Composição étnica
A população também tem sido modelada pela migração que se seguiu à divisão da Península da Coreia, ocorrida após a Segunda Guerra Mundial, quando aproximadamente quatro milhões de norte-coreanos cruzaram a fronteira em direção ao sul. Esta tendência de crescimento foi invertida nos quarenta anos seguintes devido à emigração, especialmente para os Estados Unidos e Canadá. Em 1960, a população total era de 25 milhões.[135] Hoje, esse número ultrapassa 49,5 milhões de habitantes.[136]
A sociedade é homogênea, já que 98% dos seus habitantes são etnicamente coreanos.[3] Ainda que continue sendo mínima, a população de habitantes não coreanos tem aumentado.[137] Em 2009, 1 106 084estrangeiros residiam no país, mais do que o dobro em relação a 2006. Os imigrantes vindos da China formam 56,5% do total. Porém, muitos deles são joseonjoks, isto é, cidadãos chineses de origem coreana.[138] Aproximadamente 33mil mongóis formam a maior comunidade mongol residente no estrangeiro.[139][140] Outra minoria notável são as mulheres do sudeste asiático, que em 2006 constituíam 41% dos matrimônios com agricultores coreanos.[141] Cerca de 43mil professores de língua inglesa vindos dos EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Irlanda e África do Sul residem temporariamente na Coreia do Sul.[142]
Em 2005, quase metade da população sul-coreana expressou que não tinha preferência religiosa.[144] Dos restantes, a maioria são cristãos e budistas; a população em 2010 era dividida em: 43,1% cristã (18,3% protestantes, 10,9% católicos e 13,9% de outras denominações cristãs) e 22,8% eram budistas.[145][146] Outras religiões praticadas no país incluem o islã e vários outros novos movimentos religiosos, como o jeungismo, o daesunismo, o cheondoísmo e o budismo won. Hoje em dia, a liberdade de culto está garantida pela constituição e não há nenhuma religião de estado.[147]
O cristianismo é a religião mais professada em todo o país, já que conta com mais da metade de todos os adeptos religiosos. Segundo estatísticas do governo em 1985, dos 42,6 milhões de habitantes que viviam na Coreia, 16,5% da população era protestante (6,5 milhões) e 5% católica (1,9 milhões).[148]
A Igreja Católica é a igreja cristã que mais tem crescido desde a década de 1980,[149] e em 2010 já eram 5,1 milhões de fiéis.[150] A Coreia do Sul é, depois dos Estados Unidos, a nação com o maior número de missionários do mundo[151] com forte atuação do criacionismo.[152]
O budismo foi introduzido na Coreia no ano 372 d.C.[153] Segundo o censo nacional de 2005, no país existiam mais de dez milhões de budistas.[146] A maioria dos tesouros nacionais são artefatos de budistas. Junto com o neoconfucionismo, o budismo foi a religião de estado durante o período dos Três Reinos da Coreia, durante a dinastia Joseon.[154] O islã conta com pouco mais de trinta mil seguidores nativos, além de mais de cem mil trabalhadores estrangeiros provenientes de países muçulmanos,[155] especialmente do Paquistão e do Bangladesh.[156]
O alfabeto latino é usado apenas para propósitos auxiliares no país.
O idioma oficial do país e o mais falado pelos sul-coreanos é o coreano, cuja classificação ainda é objeto de debate: alguns autores afirmam que pertence à família altaica, enquanto outros afirmam que é uma língua isolada.[157] O coreano tem o seu próprio alfabeto, o hangul, que foi inventado ao redor do século XV.[158]
Ainda que por seu aspecto pareça ser um alfabeto pictográfico, na realidade é um alfabeto organizado em blocos silábicos. Cada um destes blocos consiste em pelo menos dois dos 24 caracteres (jamo): pelo menos uma das quatorze consoantes e uma das dez vogais. Os alfabetos hanja (chinês) e o latino são usados dentro de alguns textos em coreano, uma prática mais usual no sul do que no norte.[159]
Ainda que também seja o idioma nacional da vizinha Coreia do Norte, o coreano falado na Coreia do Sul difere do falado pelos norte-coreanos em alguns aspectos como a pronúncia, a ortografia, a gramática e o vocabulário.[160] O inglês é usado como segunda língua pela maioria da população, além de ser ministrado de forma obrigatória nas escolas secundárias.[3]
Outras cidades importantes são Busan (principal porto do país, 3,5 milhões de habitantes), Incheon (localizada na região metropolitana de Seul, com 2,5 milhões de habitantes), Daegu (2,5 milhões), Daejeon (1,4 milhões), Gwangju (1,4 milhões) e Ulsan (1 milhão).[164][165]
O governo é definido como uma democraciapresidencialista. Como em muitas democracias, no país há a divisão em três poderes: executivo, legislativo e judiciário.[3] Os ramos executivo e legislativo são operados principalmente a nível nacional, ainda que vários ministérios no poder executivo também realizem funções locais. Os governos provinciais são semiautônomos e contam com órgãos legislativos próprios. O ramo judicial opera tanto a nível nacional quanto a nível local.[167]
O chefe de estado é o presidente, eleito por voto direto popular para um mandato de cinco anos. Além de ser o mais alto representante da república e o comandante em chefe das forças armadas, o presidente também nomeia o primeiro-ministro (após a aprovação do parlamento) e preside o Conselho do Estado. O primeiro-ministro é o chefe do governo do país e desempenha muitas funções do poder executivo. O parlamento sul-coreano, unicameral, chama-se Gukhoe (assembleia nacional). Seus membros exercem um mandato de quatro anos. A legislatura atual tem 299 membros,[3][168] dos quais 245 são eleitos por voto regional e os outros 54 são distribuídos por uma representação proporcional.[167][167][168] A instituição judicial mais elevada é o Tribunal Supremo, cujos juízes são nomeados pelo presidente através do consentimento parlamentar.[167]
A estrutura do governo sul-coreano está determinada pela constituição, um documento que tem sofrido várias emendas desde 1948, data em que foi promulgada, pouco depois da independência. A constituição tem conservado muitas de suas características gerais, com exceção da efêmera Segunda República da Coreia do Sul, onde o país sempre vem contando com um sistema presidencial e com um líder do poder executivo, independente do presidente.[169]
As primeiras eleições diretas decorreram em 1948. Ainda que a Coreia do Sul tenha sido governada por diversas ditaduras militares entre as décadas de 1960 e 1980, o país conseguiu se converter em uma democracia liberal. Hoje em dia, segundo a The World Factbook, a democracia sul-coreana é considerada como uma "moderna e completamente funcional".[3]
Uma larga história de invasões por parte de seus vizinhos e a tensão por resolver com a Coreia do Norte têm feito com que a nação gastasse 2,6% do seu PIB e 15% do seu orçamento anual com as suas forças armadas, ao mesmo tempo em que mantém o serviço militar obrigatório.[170] A Coreia do Sul é o sexto país do mundo em número de tropas ativas,[171] o segundo em número de reservistas[171] e o 12º em termos de orçamento para a defesa. O país, com uma média de 3,7 milhões de militares numa população de cinquenta milhões de pessoas, tem o segundo índice de soldados per capita,[171] atrás apenas da própria Coreia do Norte.[172]
As forças armadas da Coreia do Sul são constituídas pelo exército (ROKA), marinha de guerra (ROKN), força aérea (ROKAF), fuzileiros navais (ROKMC) e as forças de reserva.[173] Na zona desmilitarizada estão concentrados quase dois milhões de efetivos. A constituição determina que todos os cidadãos nativos são obrigados a servir as forças armadas por um período de dois anos.[174] Porém, têm ocorrido debates sobre o reajustamento da duração dos serviços militares, e inclusivamente a eliminação do serviço militar obrigatório. Recentemente o governo isentou vários estudantes desse serviço de forma a permitir um maior aprofundamento nos campos de investigação. Os coreanos de ascendência estrangeira estão isentos do serviço militar.[175] Junto com os soldados, alguns sul-coreanos são selecionados para servir por dois anos no programa Aumento coreano ao exército dos Estados Unidos (KATUSA).[176]
Desde a Guerra da Coreia, os Estados Unidos mantêm estacionado um importante contingente de tropas no território sul-coreano para defender o país em caso de ataques da Coreia do Norte. O número desses militares ascende a mais de 29 mil soldados.[181] Em meados de 2007, o secretário do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e o Ministro da Defesa Nacional da Coreia do Sul determinaram que os sul-coreanos retomassem o controle operacional de suas forças em 17 de abril de 2012. O exército dos Estados Unidos poderá se transformar em um novo comando de guerra, provavelmente descrito como "Comando da Coreia" (KORCOM).[182]
A Coreia do Sul mantém relações diplomáticas com aproximadamente 170 países do mundo.[183] O país também é membro da Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1991, quando foi convertido em um estado-membro ao mesmo tempo que a Coreia do Norte.[184][185] Por dez anos (2007–2016), o ex-ministro das relações exteriores do país, Ban Ki-moon, exerceu o cargo de secretário-geral das Nações Unidas.[186]
Atualmente, a Coreia do Sul é um país desenvolvido e, entre as décadas de 1960 e 1980, teve uma das taxas de crescimento econômico mais rápidas do mundo.[195] A rápida transformação em uma economia rica e industrializada em um curto período de tempo foi denominada "o milagre do rio Han". Este notável crescimento econômico ocorreu através da fabricação orientada à exportação e a uma força de trabalho altamente qualificada.[196] Em 2009, era o nono país com mais rendimentos devido principalmente às exportações.[197]
Sua capital, Seul, está constantemente colocada entre as dez cidades financeiras e comerciais mais importantes para a economia global.[201][202] e foi nomeada pela revista Forbes como a sexta cidade economicamente mais poderosa do mundo.[201] O PIB per capita é cerca de trinta mil dólares.[203][204]
Principais produtos de exportação da Coreia do Sul em 2019 (em inglês).
Sede da Samsung em Seul, a maior companhia de produtos eletrônicos do mundo[205]
O país conta com uma infraestrutura de alta tecnologia, além de ter os maiores sistemas de banda larga e fibra ótica do mundo,[211] tendo o maior índice per capita de acesso à Internet em banda larga.[212][213] Em média, as conexões de Internet no país são as de maior largura de banda do mundo (100 Mbps). Está previsto que o governo utilizará cabos de fibra óptica para elevar esta média para 1 Gbps em 2012.[214] O país é também líder mundial na produção de telas em LCD, OLED e plasma.[215] A Samsung e LG estão entre as três maiores fabricantes de televisores[216] e telefones celulares.[217] Em 2009 a Samsung era a segunda maior fabricante de eletrodomésticos a nível internacional.[218]
A nação é um dos líderes de inovação e tecnologia, sendo o terceiro país com mais patentes registradas, atrás apenas do Japão e dos Estados Unidos.[219] Em 2007 detinha a maior taxa de crescimento de patentes dentre os países desenvolvidos (14,8%).[219]
A educação é considerada fundamental para o êxito e, em consequência, é alvo de grande atenção governamental, com gastos correspondentes a 4,2% do PIB.[3] Segundo dados de 2006 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos da OCDE, o país ficou em primeiro lugar na resolução de problemas, terceiro lugar em matemática e décimo-primeiro em ciência.[220] O sistema educativo está tecnologicamente avançado e foi o primeiro país do mundo a equipar todas as escolas primárias e secundárias do país com Internet de banda larga. Com esta infraestrutura, o país tem desenvolvido os primeiros livros didáticos digitais no mundo, que foram distribuídos de forma gratuita aos estudantes do ensino primário e aos do secundário até 2013.[221]
Uma administração centralizada supervisa e administra as escolas para a educação dos meninos desde o jardim de infância até o terceiro e último ano do ensino secundário. O país adotou recentemente um novo programa educativo visando aumentar o número dos estudantes estrangeiros na Coreia do Sul. De acordo com as estimativas do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia, em 2010 será duplicado o número de bolsas de estudo para estrangeiros, cujo número deverá atingir os cem mil.[222] O ano escolar é dividido em dois semestres. O primeiro começa em meados de março e termina a meados de julho, enquanto o segundo semestre começa no final de agosto e termina em fevereiro do ano seguinte. Os horários não se encontram exatamente definidos, pois variam de uma escola para outra.[223][224][225]
A Coreia do Sul colocou em órbita dois satélites: o "Arirang-1" em 1999 e o "Arirang-2" em 2006, como parte de sua associação para a exploração espacial com a Rússia.[230] O Centro Espacial Naro, o primeiro do seu tipo no país, foi concluído em 2008, em Goheung, na província de Jeolla do Sul. Em 2009, um veículo de lançamento sul-coreano decolou em Naro, mas não chegou a completar sua missão.[231] Em abril de 2008, Yi So-yeon foi a primeira coreana a voar no espaço, a bordo da Soyuz TMA-12 russa.[232] Em junho de 2010, um segundo veículo igual ao seu antecessor foi lançado, mas explodiu pouco depois de ter sido lançado.[233]
Desde a década de 1980, o governo sul-coreano tem investido ativamente no desenvolvimento da indústria nacional de biotecnologia. O setor médico é destinatário de grande parte da produção deste tipo de indústria, incluindo a produção de vacinas e antibióticos. Recentemente, a investigação e o desenvolvimento na genética, nomeadamente na clonagem, tem recebido maior atenção, desde a primeira clonagem feita em um cão, Snuppy, e a clonagem de duas fêmeas de uma espécie de lobos em perigo de extinção pela Universidade Nacional de Seul em 2007.[234] O rápido crescimento da indústria biotecnológica tem sido traduzida em uma prova importante para a regulação da ética profissional, como sucedeu com o famoso caso do cientista Hwang Woo-Suk.[235]
A Korail assegura um serviço ferroviário às principais cidades do país.[238] As duas linhas que ligam a Coreia do Norte, a Gyeongui e Donghae Bukbu voltaram a ligar-se recentemente. O trem de alta velocidade coreano, o Korea Train Express, proporciona um serviço de alta velocidade entre Gyeongbu e Honam. As principais cidades, incluindo Seul, Busan, Incheon, Daegu, Daejeon e Gwangju contam com sistemas de trem subterrâneo próprio.[239]
A construção do maior aeroporto do país, localizado em Incheon, foi concluída em 2001. Seis anos depois, o aeroporto já recebia mais de trinta milhões de passageiros anualmente.[240] Entre 2005 e 2009, o aeroporto foi selecionado como o "melhor do mundo" pelo Conselho Internacional de Aeroportos. Outros aeroportos internacionais incluem o de Gimpo, Busan e Jeju. Existem ainda sete aeroportos domésticos e um grande número de heliportos.[241]
Em 2008, a Korean Air, fundada em 1962, transportou aproximadamente 21,64 milhões de passageiros, incluindo 12,49 milhões de passageiros de voos internacionais.[242] Uma segunda empresa, a Asiana Airlines, fundada em 1988, também opera tráfego doméstico e internacional. Juntas, as empresas viajam através de 297 rotas internacionais.[243] As menores companhias aéreas, como a Jeju Air, proporcionam serviços de voos nacionais com tarifas menores.[244][245]
A Coreia do Sul é o sexto maior produtor de energia nuclear do mundo e o segundo da Ásia.[246][247] A energia nuclear corresponde a aproximadamente 45% da produção de eletricidade e a pesquisa é muito antiga com a investigação de uma variedade de reatores nucleares avançados, incluindo um pequeno reator nuclear, um reator de transmutação e um projeto de geração de hidrogênio a altas temperaturas. Produção de combustível e tecnologias de manuseio de resíduos também foram desenvolvidos no localmente. O país também faz parte do projeto ITER.[248]
A Coreia do Sul é um exportador emergente de reatores nucleares, através de acordos firmados com os Emirados Árabes Unidos (para a construção e manutenção de quatro reatores nucleares avançados),[251]Jordânia (para um reator de pesquisa nuclear)[252][253] e Argentina (para a construção e reparação de reatores nucleares de água pesada).[254][255] Desde 2010, a Coreia do Sul e a Turquia estão em negociações relativas para a construção de dois reatores nucleares.[256]
O país não tem permissão para desenvolver tecnologia de enriquecimento de urânio por conta própria, devido à pressão política dos Estados Unidos, ao contrário da maioria grandes potências nucleares, como o Japão, a Alemanha e a França, os concorrentes da Coreia do Sul no mercado internacional nuclear.[257]
Este impedimento provocou ocasionais relações diplomáticas entre a Coreia do Sul e os países aliados. Apesar do sucesso na exportação de eletricidade, geração de tecnologia nuclear e reatores nucleares que a Coreia do Sul conseguiu obter, o país não pode capitalizar instalações de enriquecimento nuclear e refinarias no mercado, impedindo-o de expandir ainda mais o seu nicho de exportação. A Coreia do Sul tem procurado tecnologias exclusivas, como o reprocessamento nuclear, para contornar esses obstáculos e buscar uma competição mais vantajosa.[258] Os Estados Unidos tem recentemente desconfiado de um crescente programa nuclear na Coreia do Sul, pois o país insiste em afirmar que a tecnologia é apenas para uso civil.
Em 2021, a Coreia do Sul tinha, em energia elétrica renovável instalada, 6 541MW em energia hidroelétrica (30º maior do mundo), 1 708MW em energia eólica (33º maior do mundo), 18 161MW em energia solar (8º maior do mundo), e 1 940MW em biomassa.[259]
Embora a expectativa de vida na Coreia do Sul tenha aumentado significativamente desde 1950, o país ainda enfrenta questões importantes de saúde. Um dos problemas é o impacto da poluição ambiental em uma população cada vez mais urbanizada. De acordo com o Ministério da Saúde e da Previdência, doenças crônicas são responsáveis por grande parte das doenças na Coreia do Sul, condição agravada pelo foco do sistema de saúde sobre o tratamento ao invés de prevenção. A taxa de homicídio no país foi de 26 por 100 000 habitantes em 2008, a mais alta entre os países desenvolvidos.[260][261]
A incidência de doenças crônicas na nação gira em torno de 24%. Estima-se que aproximadamente 33% da população adulta fuma. A taxa de prevalência do vírus da imunodeficiência humana (HIV) no final de 2003 foi inferior a 0,1%. Em 2001, os gastos do governo central sobre os cuidados de saúde respondiam por cerca de 6% do produto interno bruto (PIB).[262]
Assim como nos jornais, a generalidade das rádios emite em coreano, embora existam estações cuja totalidade da programação é em inglês. A maioria dos programas de rádio transmitem música coreana e músicas estrangeiras mescladas, o mesmo acontecendo no telejornalismo, radionovelas e programas esportivos.[264]
A Internet converteu-se em uma parte principal da vida cotidiana dos sul-coreanos, pois nove em cada dez residências têm serviços de Internet. É um dos países com maior número de usuários de Internet, e suas conexões se encontram entre as de mais alta velocidade a nível mundial. Também é o líder na tecnologia DMB e tem o maior número de empresas provedoras de Internet a nível internacional.[266]
A Coreia do Sul compartilha sua cultura tradicional com a vizinha Coreia do Norte. Entretanto, as duas Coreias desenvolveram formas distintas e contemporâneas em suas culturas, especialmente quando a península foi dividida em 1945, após o término da Segunda Guerra Mundial. Ainda que a cultura da Coreia tenha sido tradicionalmente influenciada pela vizinha China, historicamente o país tem conseguido desenvolver uma identidade cultural única e distinta dos outros países.[267] O Ministério da Cultura e do Turismo promove ativamente as atividades tradicionais e as formas de cultura modernas através de programas de financiamento e de educação.[268]
A industrialização e a urbanização têm trazido muitas mudanças nos costumes do povo coreano. As mudanças econômicas e o estilo de vida têm levado a população a se concentrar nas grandes cidades, especialmente na capital. Atualmente existem nove sítios classificados como Patrimônio Mundial pela UNESCO em território sul-coreano.[269]
Além das expressões clássicas populares, a recente cultura sul-coreana, que abrange novas formas, como a telenovela, o cinema e a música popular, tem vindo a ser assimilada de forma significativa em diversos lugares do mundo. Este fenômeno, chamado a princípio de Hallyu, tem se expandido para outros países asiáticos, como Japão, Vietnam e China.[270]
Arte
Conta-gotas em forma de pêssego de porcelana azul e branca da dinastia Joseon, no século XVIII
A arte coreana é fortemente influenciada pelo budismo e confucionismo.[106] Entre as artes plásticas mais desenvolvidas encontram-se a pintura, a caligrafia e a cerâmica. A pintura coreana é muito antiga — o Mural de Goguryeo, ainda preservado, data da época dos três reinos, ainda que esta arte tenha alcançado o seu máximo apogeu durante a Dinastia de Goryeo. A maioria destas obras são de temática religiosa, e o paisagismo se desenvolveu durante o esplendor no período da dinastia Joseon. A caligrafia se desenvolveu ao mesmo tempo que a pintura e outras artes cênicas, pois antes da invenção do alfabeto coreano (o hangul), utilizava-se a escrita chinesa.[271]
A cerâmica e a escultura foram duas das artes plásticas mais antigas praticadas em território coreano, já que há exemplos delas desde o Neolítico (6000–1 000 a.C.). Quando o budismo se tornou uma das principais religiões da Coreia, multiplicou-se a produção de estátuas de Buda em todos os ateliers artesanais do país. Posteriormente, a cerâmica criada na época da dinastia Goryeo era cor de jade e, desde o séculoXIV, a forma mais comum de decorar as vasilha era através de gravuras em tons azulados com um fundo branco.[272]
O campo das artes cênicas, a dança e o teatro se desenvolveram em conjunto. O talchum e o buchaechum são as formas de artes cênicas nacionais mais conhecidas no exterior. O início da dança contemporânea no país data da ocupação japonesa e desde então tipos distintos de baile, como o ballet, o jazz e o breakdance têm adquirido maior importância em território sul-coreano. No teatro, as representações com bailes e coreografias sem a inclusão de diálogos vêm sendo popularizadas, dando lugar a obras com êxito, como o Jump e o Nanta.[273]
Tambor ornamentado com o estilo dancheong
A roupa tradicional do país é conhecida como hanbok. Este traje tem muitas variantes, como o dopo, o durumagi e o jeogori; existem trajes especiais para homens e mulheres e para ocasiões formais e informais. A tradição do hanbok foi transmitida durante centenas de anos de geração a geração, sem sofrer mudanças drásticas na fabricação e nos usos das peças. Desde a introdução das vestes ocidentais no séculoXX, o uso do hanbok diminuiu consideravelmente e atualmente a maioria das pessoas só o usa em cerimônias como o casamentos, aniversários e festas nacionais.[274]
Em 1993 o governo fundou a "Escola Integral de Arte da Coreia", a qual tem como objetivo promover a educação artística de alto nível. A escola ministra cursos de atuação, pintura, dança, teatro, cinema e escultura. Existem também outros organismos privados, como o "Centro de Arte de Seul" e o "Centro de Arte LG", que difundem a arte e a cultura nacionais e estrangeiras, nomeadamente levando ao país produções estrangeiras de grande prestígio.[273]
A arquitetura pré-moderna da Coreia pode ser dividida em dois estilos principais: aquela que é utilizada nas estruturas de palácios e templos e a utilizada nas casas comuns das pessoas (a qual apresenta variações locais). Os antigos arquitetos adotaram um sistema de suporte que se caracteriza por telhados de palha e pisos simples denominados ondol. As classes altas construíam casas altas com telhados feitos de telhas normais. Todavia há muitos sítios, como as aldeias folclóricas de Hahoe, Yangdong e Coreia, onde se conserva a arquitetura tradicional do país.[275][276]
A arquitetura tradicional coreana utiliza a técnica tradicional do Dancheong, caracterizada pela seleção de cores que era usada para cobrir as construções dos antigos reinos coreanos, nomeadamente as pinturas murais das antigas tumbas reais: o vermelho, azul, amarelo, branco e preto. Estas cores foram utilizadas por suas propriedades especiais ante os fenômenos naturais, como o vento, sol, chuva e calor.[277]
A literatura coreana também é dividida em clássica e moderna. A primeira abrange todas as obras escritas antes e durante o reinado da dinastia Joseon. A maioria delas foram escritas usando o alfabeto chinês, pelo que vários autores consideram que a verdadeira literatura coreana é contemporânea do surgimento ao alfabeto hangul.[158] Estas obras narram histórias épicas, lendas e tradições dos antigos coreanos, além de servirem como registros históricos, com crônicas dos reis de dinastias anteriores. Ki Man-jung, Heo Gyung, Park Ji-won e Yi Eok são alguns dos autores mais destacados da época, enquanto que Gu-unmong, Hong Gil-dong Jeon e Hojil são algumas das obras escritas por eles.[278]
A literatura moderna da Coreia do Sul se refere a todas as obras escritas e publicadas depois do séculoXX. O romance coreano só ganhou importância neste período e e frequentemente eram tratados temas históricos para a sociedade coreana, como a ocupação japonesa, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Coreia.[279] Assim como no cinema e em outros meios de comunicação, a literatura foi censurada pelos regimes ditatoriais que governaram o país entre as décadas de 1970 e 1980. Entre os escritores sul-coreanos mais destacados encontram-se Yi Munyol, Yong-Tae Min, Lee Cheong-jun e Park Gyeong-ri. Esta última foi autora de uma série de livros chamada Toji, que é considerada como uma das obras mais importantes da literatura coreana e foi incluída na coleção de obras representativas da UNESCO.[280]
A partir da divisão da península, a música, tal como a literatura, passou a ser dividida em dois tipos: a música tradicional e/ou folclórica e a música moderna. A dança tradicional coreana, chamada Hanguk Eumak, se desenvolveu de diferentes formas ao longo dos séculos e cumpria um importante papel nas cerimônias e eventos. As primeiras formas de música e dança coreanas são datadas da época dos três reinos, nas quais se chegaram a utilizar mais de trinta instrumentos musicais diferentes. A música coreana se dividia em vários gêneros, segundo a sua utilidade: o muak era utilizado em rituais, o talchum nas danças com máscaras, o nongak era utilizado pelos agricultores e o minyo pelo povo em geral.[281]
O cinema coreano tem obtido vários êxitos a nível internacional, ainda que não goze de tanta popularidade como, por exemplo, o da Índia e o do Japão. O primeiro filme totalmente produzido no país foi "A vingança honrada", dirigido por Kim Do-san em 1919. Depois deste foram gravados vários outros filmes que tiveram algum êxito no país, embora o desenvolvimento da indústria cinematográfica tenha ocorrido somente após a Guerra da Coreia (1950–1953).[285]
Desde então, e até 1972, o cinema coreano viveu sua chamada "era de ouro", onde os filmes expressavam de forma livre as opiniões política e sociais do povo. Durante a década de 1980 a repressão à liberdade de expressão realizada durante o governo de Park Chung-hee provocou a diminuição da produção dos filmes no país, e a indústria cinematográfica perdeu importância.[285] Nos últimos anos, vários filmes, diretores e atores da Coreia do Sul conseguiram obter o reconhecimento internacional obtendo prêmios em festivais, como o de Cannes.[286]
A cozinha coreana, hanguk yori (한국요리, 韓國料理), ou hansik (한식, 韓食), tem evoluído através de séculos de mudanças sociais e políticas. Os ingredientes e pratos variam conforme a cultura de cada província. Existem muitos pratos regionais significativos que têm proliferado com diferentes variações em todo país. A cozinha da corte real coreana chegou a reunir todas as especialidades regionais únicas para a família real. Por muito tempo, o consumo de alimentos foi regulado por uma série de modos e costumes, tanto para os membros da família real, quanto para os camponeses coreanos.[287]
A cozinha coreana se baseia em grande parte em arroz, talharins, tofus, verduras, peixes e carnes.[287] A comida tradicional coreana se caracteriza pelo número de acompanhamentos, banchan (반찬), que são servidos junto com o arroz de grão curto fervido. Cada prato é acompanhado por numerosos banchan. Entre os pratos tradicionais mais consumidos estão o bulgogi, o bibimbap e o galbi.[288]
O chá é uma parte importante da gastronomia nacional, e a cerimônia do chá é uma das tradições mais arreigadas da população. Os chás do país são preparados com cereais, ervas medicinais, sementes e frutos.[289] As bebidas alcoólicas são feitas a partir dos cereais desde antes do séculoIV. Entre os principais licores sul-coreanos, encontram-se o takju (não refinado), o cheongju (medicinal) e o soju (licor destilado). O takju é a base para a fabricação de outras bebidas regionais, aumentando ou diminuindo o tempo de fermentação.[290]
O beisebol foi introduzido na Coreia em 1905 e desde então converteu-se num dos esportes mais populares do país.[291] Estabelecida em 1982, a Organização Coreana de Beisebol foi a primeira liga profissional esportiva no país. A equipe sul-coreana finalizou o Clássico Mundial de Beisebol de 2006 em terceiro lugar, em segundo na edição de 2009 e em 2008 ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim.[298]
Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em castelhano cujo título é «Corea del Sur», especificamente desta versão.