- está em:
- Home
- » Samuel Celestino
Samuel Celestino
Sócio-diretor
samuel@bahianoticias.com.br
Presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e mais recentemente empossado como ocupante da cadeira 23 da Academia de Letras da Bahia, o jornalista Samuel Celestino não é apenas um homem que dedicou sua vida a informar o público e ajudá-lo a criar uma consciência crítica a partir dos fatos que aconteceram na Bahia, Brasil e no mundo. É também um defensor da liberdade dos homens e do princípio democrático de que todos têm o direito de expressar suas idéias, sem jamais esquecer também a responsabilidade que toda liberdade exige de cada um. É com estes princípios que, atualmente, dirige a equipe de jornalismo do Bahia Notícias, veículo pautado na instantaneidade das notícias relativas à política e a assuntos diversos mas, sobretudo, preocupado com a verdade dos fatos, estejam de que lado estejam. Celestino nasceu em Itabuna, mas foi em Salvador, como estudante de direito, que floresceu para as letras, na década de 1960. Enquanto aprendia sobre as leis e a constituição, vivia ao vivo em sua rotina como repórter a falta do cumprimento das mesmas em contato constante com pessoas das classes mais pobres às personalidades baianas mais marcantes. Vivendo os dois lados, soube rapidamente destacar-se entre os vários que produziam meras notícias e os verdadeiros talentos, tornando-se repórter especial do Jornal da Bahia em apenas três meses de trabalho. Em seguida, os feitos apenas aumentariam. Editor de política do A Tarde em 1975, presidente da ABI em 1986, colunista especial de política de A Tarde em 1988, e consultor de política, direito e jornalismo, além de escritor. Sempre de forma contundente e combativa, leve e desenvolta, cativando pelo estilo inconfundível que garante diariamente uma dose de leitura de qualidade e imaginação refinada.
FONTE BAHIA NOTÍCIAS
Quinta, 29 de Maio de 2014 - 15:01
Joaquim Barbosa anuncia aposentadoria no início da tarde
por Samuel Celestino
O ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, em sessão da Corte Suprema no início da tarde desta quinta feira, anunciou que renunciará ao cargo, e que se aposentará dentro de mais um mês. Em junho, portanto. Barbosa, marcou sua presença com altivez e comandou todo o processo da condenação dos mensaleiros, deixará o STF em conseqüência da sua saúde, como se observou nas sessões. Ele sofre de problemas na coluna, o que o impede de ficar muito tempo sentado, obrigando-o a conduzir os trabalhos de pé. Joaquim Barbosa tem 41 anos na vida pública e ingressou no Supremo em 2003. Coube ao ministro Marco Aurélio, como o mais antigo integrante do Tribunal, saldá-lo, compreendendo os seus motivos, mas lamentando a aposentadoria de um magistrado íntegro, primeiro negro a presidir o Supremo Tribunal, que honrou a corte mais elevada do Judiciário. Realmente, ele fará falta na vida pública brasileira, carente de homens probos como ele demonstrou sê-lo.
Costumo lembrar um dito do governador Antônio Balbino que, lá no final dos anos 50 do século passado, ao aproximar o fim do seu mandato, disse em uma roda de amigos políticos: “No início, governar é gostoso. No final do mandato, nem o rapaz que serve cafezinho aparece para atender ao governador e as suas visitas”. Antônio Balbino foi um homem muito rico e inteligentíssimo. Quando deixou o governo baiano fez o inverso de Jaques Wagner, que deixou o Rio pela Bahia. No seu caso, deixou a Bahia pelo Rio. Dificilmente aparecia por estas bandas, montou um amplo escritório de advocacia por lá e ficou mais rico ainda. Só aceitava processos com pagamento a preço de ouro. E não lhe faltavam clientes.
Observou-se, dentre os países em processo de desenvolvimento e consideradas integrantes do grupo das dez maiores potências do mundo, um fato inusitado que só poderia acontecer mesmo no Brasil. E não é negativo, pelo contrário. Os índios, que permanentemente são encontrados em Brasília em razão da proximidade com suas tribos, principalmente situadas em Mato Grosso, em trabalho constante de reivindicações para assegurar a defesa de suas terras, deram-se conta de que estava a acontecer, nesta última terça, uma manifestação contra a Copa do Mundo. Não pensaram duas vezes. Munidos de arcos, flechas e alguns com bordunas, fizeram rodas de dança, conforme suas tradições, e, sem pestanejar, imiscuíram-se nos protestos. Ora, os índios, em face dos valores altíssimos dos ingressos, estão afastados da Copa, assim como as classes média e baixa. É o “padrão Fifa” de arenas caríssimas, gastos imensos, exigências além do que se imaginava além do controle do Brasil (já descontrolado) pelo menos durante a competição. É o que parece demonstrar.
Os índios, embora considerados incapazes ou semi-incapazes pela legislação civil, são constantemente espoliados e assistem à invasão de suas terras por posseiros ou pelos garimpeiros. Entenderam, porém, que naquela manifestação que passava à frente de 300 deles, eles eram também brasileiros e engrossaram o movimento, enfrentando a cavalaria da polícia militar, demonstrando a sua cidadania, porque foram os primeiros a habitar estas terras de Pindorama. Depois, suas tribos ou foram integradas à dita civilização, ou eles foram dizimados, em grande parte, pelos brancos, mestiços e até mamelucos. Conta a bela lenda indígena sobre a existência na floresta da Sucupira, um moleque de pés para trás que, em razão, também andava deste modo. Era um ente das matas que os ajudavam a enganar os brancos que também os escravizavam, fazendo-os se perderem em caminhos inexistentes, portanto desconhecidos.
Nenhum país pode exibir imagens como tais para o exterior, ornando com um fato inusitado as manifestações contra a gastança com a Copa, em detrimento à educação e à saúde carentes que são oferecidos ao povo brasileiro, no que pese uma altíssima carga tributária. Um dos índios, enfrentando a cavalaria da PM, flechou um dos soldados que saiu ferido do confronto. Foi preso, mas, de imediato, solto. Afinal, ele usara a arma que tinha contra as bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Ou apanhava ou batia. Preferiram o confronto e assim aconteceu numa cena diferenciada daquelas que se observam nas principais capitais do país, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, onde os vândalos do Black Block apedrejam e destroem o que encontram à frente, matam com aconteceu com o fotografo da Record, além de não respeitarem propriedades públicas ou privadas. Estes são ditos “civilizados”.
Tudo isso faz parte do cenário da Copa do Mundo que, espera-se, acabe por ser realizada sem protestos desta ordem, com civilidades nas ruas das cidades sede dos jogos. Pelo menos durante a competição. Os índios, protestando na capital do país, deram um toque diferente às manifestações que acontecem com violências, colocando a pretensa paz de pernas para o ar, virada ao avesso, num país de contrários que resolveu protestar contra o “status quo”.
Não é preciso reforçar com os estorvos das seguidas greves que maltratam a população, muitas delas justas, outras não, mas a maioria aproveitando o período propício do pré-Copa do Mundo. Há, no meio dessas verdades, também um estado de quase desgoverno, de descomando, na União e em diversos estados e cidades brasileiras, além da amarga dor da cidadania diante das corrupções abertas e protegidas, conhecidas no aparelho governamental. Tudo isso concorre para atiçar e incendiar este período que no momento se observa.
Os índios em manifestações contra a Copa e a favor da saúde e educação públicas, talvez não soubessem por que protestavam. Seu protesto, porém, era um grito pelo descaso com a população desses povos que têm pouca atenção. Se eles não sabiam, o que dizer dos civilizados de países avançados que chocaram pela falta de conhecimento, oferecendo conselhos absurdos aos seus cidadãos que, como turistas, pretendem vir ao Brasil para os jogos da competição mundial? Um deles, o Canadá, não somente falou sobre a violência e dos homicídios que grassam no Brasil, como na Bahia que está colocada, no quesito, em quarto lugar. Neste aspecto, eles têm razão nos conselhos aos seus turistas, porque, de fato, a segurança não é das melhores, mas não chega ao extremo.
Entre muitas bobagens, o governo do Canadá pediu aos seus cidadãos viajantes que tomassem cuidado com as cobras e os macacos que podem ser encontrados nas ruas do Rio de Janeiro. A Chancelaria brasileira não deu resposta. Silenciou. Agora eles ficam sabendo, que em plena capital brasileira, a belíssima Brasília, os índios “comandam” manifestações.
Que bom que nós sejamos um país de índios. Demonstra, apenas, que somos um resultado da mistura racial e que, embora os desgovernos, nós também somos um país democrata. Nós não somos do gelo. Somos tropicais.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde desta quinta-feira (29).
Terça, 27 de Maio de 2014 - 10:45
Aleluia: 'Corrida para Souto é estonteante no interior'
por Samuel Celestino
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
O deputado José Carlos Aleluia não está impressionado com a pesquisa que o Ibope acabou de divulgar, colocando Paulo Souto com 42% das intenções de votos, 11% para Lídice e 9% para Rui Costa. “A situação vista de perto para os petistas e agregados é muito pior. No interior baiano, ainda sem estarmos em campanha, a corrida dos políticos para apoiar Paulo Souto é estonteante”, afirmou. Aleluia argumenta que já ganhou algumas eleições e também as perdeu e sabe perfeitamente o significado de um fato assim. Segundo informa, a corrida no interior afastando o PT começa pelos ex-prefeitos e, agora, por muitos prefeitos no exercício, chefes políticos e vereadores. “A pesquisa do Ibope, portanto, não me surpreende. Pode surpreender a Otto Alencar, que é candidato a senador, portanto a uma eleição majoritária e não está bem, e ao PT que lançou Rui, que passou a ser consequência das próprias ações do PT no governo. É isso o que está a acontecer", finalizou.
Terça, 27 de Maio de 2014 - 08:58
Coluna A Tarde: A sucessão baiana às claras
Semana que promete. A começar pela Bahia onde de há muito não se sabe como os candidatos ao governo e ao senado estão se comportando na pré-campanha eleitoral e qual a aceitação de cada um diante do eleitorado. Informa-se que nas próximas horas será divulgada a primeira pesquisa oficial da sucessão, realizada pelo Ibope. As consultas têm melhorado e, com isso, seus conceitos de igual forma. Wagner ganhou para Paulo Souto na sua primeira eleição, derrotando também as pesquisas que ofereciam resultados controversos. Utilizou como estratégia colar sua imagem e nome com o de Lula, que estava no auge. De lá para cá, passou a governar e, naturalmente, a política evoluiu (em muitos casos para pior, como se observa no cenário nacional, onde a corrupção é obsequiada com mesuras) e, com ela, as pesquisas de opinião.
A oposição montou uma chapa forte, com Paulo Souto, Joacy Góes, na vice, e Geddel Vieira Lima no Senado. Demorou, e muito, para chegar a um entendimento. Quando isso aconteceu, em abril, os partidos que lastreiam os candidatos, DEM, PSDB e PMDB, conseguiram um acordo sem trauma. Da mesma forma ocorreu com o governador Jaques Wagner, mas no ano passado, época em que dispunha de quatro pré-candidatos. Decidiu solitariamente por seu chefe da Casa Civil, Rui Costa, permitindo, conseqüentemente, que ele estivesse a mais tempo não em palanque, mas na condição de pré-candidato. Otto Alencar disputa, sem problema algum, o Senado, exclusivamente por sua própria escolha e acordo, representando o seu PDS. A socialista Lídice da Mata decidiu fácil, comandando o PSB, e convenceu a ex-ministra Eliana Calmon a fazer par com ela, candidata que é à senatoria.
Assim, sabem-se quem são os pré-candidatos, mas como estão nas suas andanças, principalmente no interior, os jornalistas se guiam exclusivamente com informações dos municípios, que absolutamente não têm lastro confiável (é o meu caso). E por pesquisas realizadas pelos partidos, que não podem ser levadas em conta. Nos grandes municípios, Salvador no comando, na condição de primeiro colégio eleitoral do estado, Feira de Santana, segundo colégio eleitoral, sabe-se que Souto dispara. Ambos têm o comando do DEM. Mas, de resto, não é possível afirmar nada, a não ser nas conversas políticas onde o assunto sempre é abordado e, naturalmente, a partir das tendências de cada um interlocutor. Jamais com imparcialidade.
Justo por isso, a primeira pesquisa, anunciada pelo Ibope, ofertará os primeiros sinais de como andam as aceitações políticas dos candidatos. Será, então, um marco oficializado pela Justiça Eleitoral. Provavelmente, os resultados mexerão o caldeirão e despertarão, como verdadeiras ou mentirosas, as informações oriundas do interior. Queira-se ou não, uma consulta oficializada é, de certo modo, uma orientação como os fatos estão a acontecer num estado da amplitude da Bahia. A depender do que ocorrer por estas bandas, de alguma forma mexerá com a sucessão nacional.
A Bahia, por ter o maior número de beneficiários pelo bolsa família e ser o quarto colégio eleitoral do País é um estado presumivelmente petista. A situação ganhou, no entanto, novo contorno, e pode não ser o paraíso do P como o foi no segundo mandato de Lula e na eleição de Dilma. A presidente não está bem. Enfrenta problemas políticos. A corrupção se alastra, o governo procura forma de não esclarecer as dúvidas – mais, muito mais do que isso - sobre a Petrobrás, aceitando uma CPI chapa branca que nasceu num dia e morreu no outro. A economia desliza, a inflação balança e o País, haja vista as convulsões populares que se observam, demonstra, de forma clara, que o Brasil está sem comando. Por tudo isso a sua votação no estado deverá ser bem menor do que a primeira. Principalmente se a oposição baiana estiver na rota de ser a bola da vez, num processo de alternância de poder.
Para não ficar somente em Dilma, na questão da sucessão presidencial, os candidatos oposicionistas, Eduardo Campos e Aécio Neves, este segundo melhor colocado (nas pesquisas), entenderam, que não dá para se apresentarem unidos, porque um deles terá que ir para o segundo turno, a não ser que, num cenário muito improvável, improbabilíssimo, diria, em que Dilma ganhe no primeiro turno ou não chegue à segunda rodada. Os dois, principalmente a partir de Eduardo Campos, começaram a se bicar.
Ainda recentemente, numa incursão no interior baiano (Vitória da Conquista), Campos traçou o perfil da realidade que vê e declarou que quem quiser deixar o Brasil da forma que está, com inflação elevada, economia desorganizada, sem gestão correta, com problemas de todos os tipos, já sabe em quem votar. Quem quiser votar no passado, quando o nordeste não era reconhecido e não recebia atenção, já sabe em quem votar. Mas quem quiser votar na mudança, num Nordeste que tenha seu espaço num processo de desenvolvimento e a sua população atendida, bem, nesta opção vocês sabem também em quem votar. Falou de Dilma, bicou Aécio e se apresentou como candidato. O texto não está no sentido literal do discurso. Assim, porém, as oposições tomam o seu espaço. Eduardo Campos em um, Aécio em outro, e os dois contra Dilma.
*Coluna publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (27)
Domingo, 25 de Maio de 2014 - 09:08
Coluna A Tarde: O Brasil dos contrários
O Brasil atravessa um momento que, como os fatos demonstram, ninguém se entende. O País do futebol desdenha a Copa do Mundo e protesta contra ela. Ao invés da “paixão nacional”, hoje nem tanto quanto antes, prefere que o festival de gastos efetuados à larga fosse feitos em benefício da população, em especial direcionados à educação e à saúde. Vale dizer que, neste aspecto, o País amadureceu e o governo se perdeu no atraso da gastança desenfreada, como desenfreada é a corrupção. De outro modo, a violência se espraiou de tal modo que, como consequência, a Copa do Mundo fará mais mal do que bem ao Brasil. Mesmo antes dos jogos espraia-se no exterior uma imagem perversa do Brasil real, que não parece preparado para receber turistas do mundo inteiro.
Nas ruas das principais capitais, as manifestações contrárias à Copa ganharam força. Prédios públicos, privados e lojas foram e são depredados por vândalos. Ateiam-se fogo em transportes coletivos em prejuízo da própria população. Os sindicatos decretam greve ou não decretam e as greves acontecem da mesma forma, conturbando a paz pública, se é que existe paz. O governo da União e os governos estaduais ficam atônitos e pouco resolvem. Os políticos, não todos, evidentemente, estão mais norteados para o que podem desviar e enriquecer, e com as eleições de outubro, onde, como sempre, a renovação dos quadros ficará a desejar.
Se no Executivo e no Legislativo é assim, no Judiciário, terceiro poder da República, as decisões dos magistrados se confundem. Até no Supremo Tribunal Federal. Num dia, o ministro Teori Zavascki determina a soltura de todos os presos pela operação Lava-Jato, da Polícia Federal. O País toma um susto. No dia seguinte, o ministro revoga a sua própria decisão e determina a prisão de todos, menos do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto da Costa, que estava preso por suposto superfaturamento de contratos da estatal, que atravessa o momento mais tormentoso desde que foi fundada por Getúlio Vagas nos anos 50 do século passado.
Não foi bastante. Um juiz desconhecido atropela a Constituição, o que deixa transparecer que não a conhece, e diz que o candomblé e a umbanda não são religiões, gerando uma forte apreensão nos seus seguidores. No dia subseqüente, também muda de idéia e, para não ser punido, reforma o que disse e divulga que os cultos afro-brasileiros são religiões, sim. O Brasil está realmente desorientado.
Tão desorientado que, no Congresso, formam duas CPIs para apurar o que se passa na empresa símbolo do desenvolvimento nacionalista brasileiro. No Senado, uma CPI exclusiva chapa branca, determinada pelo Palácio do Planalto e pelo impoluto presidente da Casa, Renan Calheiros. Os oposicionistas ficaram à distância e ela se reuniu, pela primeira vez, somente com governistas, para sabatinar o ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que apenas perdeu tempo e atualizou a sua oratória. Fizeram-lhe dezenas e dezenas de perguntas, ele respondeu a todas e nenhuma foi contradita. Como a moda no Brasil é voltar atrás, como relatado no parágrafo anterior. Gabrielli que, há um mês e meio, falou claro no Congresso e disse que a presidente Dilma Rousseff teria como presidente do Conselho Deliberativo, de “assumir as suas responsabilidades no caso da refinaria Pasadena”. Na CPI somente de governistas voltou atrás. Disse que o problema estava no Conselho, “mas a presidente Dilma nada tem a ver”.
No mesmo dia, a terça feira, havia número para a formação de uma CPI mista, com parlamentares do Congresso e da Câmara. O número de integrantes neste caso é de 32, e já se contavam 19, entre oposicionistas e governistas arredios ao Palácio do Planalto. Na mesma terça feira, o PT cometeu uma bobagem: disse que não apresentava nomes. Quem pode fazer isso é a minoria. Neste caso, cabe a Renan Calheiros determinar quem representará o partido. O fato é que a CPI mista enforcará a CPI chapa branca do Senado e tudo o que Gabrielli dissera, em resposta às perguntas, ficará no esquecimento, menos para ele, naturalmente. O ex-presidente é uma peça chave no caso Pasadena que, segundo ele, foi um bom negócio quando comprada, virou um péssimo negócio com a crise mundial de 2008-2009 e agora voltou a ser um ótimo negócio. No fim do dia as ações da Petrobrás desabaram.
Agora, a CPI do Senado provavelmente será rifada e a CPI mista aguardará três sessões do Congresso. Provavelmente na próxima semana começará a funcionar. Para quê? Para nada porque terá seis meses para apresentar suas conclusões, ou seja, em novembro. Será mais um retrato do Brasil confuso. Os dois próximos meses serão de jogos da Copa indesejada, julho será mês de convenções e agosto/setembro de campanha política, com o Congresso às moscas. Assim, ninguém saberá o que aconteceu com a Petrobrás.
*Coluna publicada na edição desta quinta-feira (22) do jornal A Tarde
A sucessão presidencial entrou em uma fase de interrogação, de incertezas sobre os pré-candidatos – Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos –, e na Bahia o ritmo é o mesmo. Por aqui existe um clima de tranquilidade, de certa pacificação, enquanto os pretendentes infiltram-se no interior, em pré-campanha, em andanças pelas diversas regiões do estado. Curioso é que os três nomes, Rui Costa, Paulo Souto e Lídice da Mata, estão confiantes, principalmente Souto pela desenvoltura da oposição, mas nada que seja determinante. Não há pesquisas oficiais sobre o que ocorre na política estadual, a não ser as que os partidos realizam por conta própria, mas estão proibidos de divulgar por não terem sido registradas na Justiça Eleitoral. Tem-se conhecimento da aceitação dos nomes pelos ecos que chegam do interior, que não oferecem, porém, nenhuma sustentabilidade sobre o que de fato ocorre.
Em termos nacionais, a pesquisa do Ibope da quinta-feira não mudou absolutamente nada na paisagem já conhecida. Se Dilma cresceu três pontos, Eduardo Campos pulou de seis para onze e Aécio Neves subiu seis. Ao todo a oposição cresceu quase quatro vezes mais do que Dilma, saltando 11 pontos. Deste modo, pela primeira vez, todos os pré-candidatos comemoraram principalmente Dilma que, por ora, estancou o seu processo de queda. Ela, no entanto, perdeu nas considerações sobre o seu governo. O ruim/péssimo está a crescer em detrimento da avaliação positiva. Pode ser, porém, uma fase, o que é normal em governos, sobretudo tomando como base os conflitos que ela enfrenta envolvendo manifestações, dificuldades com a sua base aliada no Congresso e a reação aos gastos da Copa do Mundo que crescem a cada dia.
Até aqui, os gastos com a Copa somam aproximadamente R$ 25,8 bilhões. Isso significa 9% dos gastos com a educação durante um ano. É bem verdade que, embora sendo muito para um Brasil que atravessa um período ruim da sua economia, o valor passou a ser considerado grande porque se transformou em um instrumento de luta para a população, que passou a se manifestar desde junho do ano passado. O chamado “padrão Fifa”, exigência da organizadora do evento, passou a ser uma referência no levante dos manifestantes, que estavam adormecidos no período dos governos petistas.
A Copa, antes festejada quando o país foi anunciado como sede, passou a ser um estorvo para o governo. Espera-se que não haja complicações durante o evento, e que o Brasil tenha respostas a partir das imagens que mandará para o exterior na época dos jogos. Imagens positivas. Se assim acontecer, os gastos efetuados trarão retorno.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde deste domingo (25)
É muito provável, conforme já salientado, que as duas CPIs para investigar a Petrobras morram como nasceram. Nesta semana que entra, a CPI mista deve fazer a sua primeira reunião. Vai acontecer porque o governo sabe perfeitamente que não chegará a lugar algum. O mês de junho é dedicado às convenções partidárias, o Congresso fará poucas reuniões e em julho o Senado e a Câmara estarão em recesso, assim como as assembleias legislativas, inclusive a baiana. O governo conquistou o que queria: empurrou com a barriga, liberando a CPI mista quando se convenceu de que não havia mais tempo. A partir das convenções e dos registros das candidaturas, tudo o que acontecer no resto do ano estará voltado para as eleições de outubro. Assim, os governos em segundo mandato ficarão à sombra, como se estivessem apenas hibernando, aguardando o calendário para serem transferidos. Acontecerá na Bahia e em outros estados onde os governadores estejam finalizando o segundo mandato. Com Dilma é diferente porque o seu caso é de reeleição e aí ficam as expectativas sobre o que acontecerá. A CPI chapa branca do Senado morreu na quinta. Por falta de oxigênio. Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, se explicou para apenas três senadores. Esta CPI já foi enterrada. A mista ainda sobreviverá, mas por pouco tempo. O túmulo a aguarda e, deste modo, ninguém saberá o que aconteceu com a Petrobras cansada de guerra. Que houve corrupção nem o governo tem dúvidas.
O pré-candidato ao Senado, Geddel Vieira Lima, que conhece as vísceras do PMDB, observa que o quadro no partido é de tamanho desconforto que, acredita, julga provável que a legenda rompa, até julho, a aliança da qual participa no momento. Por ora, é o integrante mais forte da base governista. Considera bem possível, a partir dos contatos que mantém, que o PMDB se afaste da base aliada para procurar novo espaço. Ou ficar independente, pelo menos na campanha eleitoral.
Quinta, 22 de Maio de 2014 - 10:06
Paulistanos contrários às manifestações de rua
por Samuel Celestino
Os paulistas perderam a paciência com as manifestações de rua e a gota d’água aconteceu na terça feira, quando motoristas e cobradores entraram em repentina greve dos transportes coletivos. A cidade se transformou num caos na medida em que a população estava desprevenida para o acontecimento. Além da bagunça, já não se dá crédito às constantes passeatas, que mais prejudicam e destroem do que contribuem, favorecendo protestos da sociedade em relação ao governo e reivindicações múltiplas. Na terça-feira, o DataFolha foi às ruas para uma pesquisa e detectou que os paulistanos estão fartos com tais acontecimentos que, para eles, causam mais prejuízos do que benefícios. Assim, 73% responderam que a sociedade é penalizada com as manifestações que ocorrem (os rodoviários pretendem paralisar os coletivos aqui em Salvador). Nas manifestações de junho do ano passado, 89% da população aprovavam os movimentos. Enfim, as dificuldades que as cidades, principalmente as capitais enfrentam, já não têm a aprovação da maioria da população.
Quarta, 21 de Maio de 2014 - 14:56
PR pode virar oposição e César deixar os Transportes
por Samuel Celestino
O Palácio do Planalto (inclusive a presidente Dilma) está convencido de que o PR caminha para se afastar da aliança governista. A maioria do PR está descontente com o tratamento recebido do governo, daí se espraiar a convicção da saída do partido da base governista. Para a Bahia não é nada bom. O estado só tem um ministro no governo, o ex-governador e ex-senador César Borges, que tem uma excelente relação com a presidente da República. Se houver um afastamento do PR para apoiar a oposição, supõe-se que o ministro seja afastado, a não ser que a presidente o mantenha à revelia da sua legenda. Os parlamentares rebelados (a maioria) estão distanciados de Borges, tal como do Palácio do Planalto e não escondem o movimento separatista.
Há informações sobre clima tenso em Brasília envolvendo a decisão de manter o doleiro Alberto Youssef preso, juntamente com outros que foram também presos na operação Lava-Jato, da Polícia Federal. As especulações são diversificadas e uma delas, que percorre o Congresso, naturalmente sem confirmação, é que o doleiro seria solto para não pedir delação premiada e, dessa maneira, não dizer o que sabe sobre os acontecimentos, inclusive envolvendo também a Petrobras. Quem teria sustentado a sua prisão seria o juiz federal do Paraná. Com a reversão da concessão da liberdade, o doleiro passou a ser o personagem mais intrigante da corrupção que a PF desbaratou. Passou a ser tido como “homem bomba” que poderá vir a causar um estrago na República se disser o que sabe. Isso, supostamente, é o que amedronta setores e gente muito importante. O caso é complicado.
Como o grupo minoritário dos senadores oposicionistas ficou à margem da CPI da Petrobras constituída pelo Senado, os governistas disseram que iriam participar da CPI mista (Senado e Câmara) até por ser maioria. Acontece que a oposição entregou seus nomes e governistas rebelados também passaram a integrar a CPMI que, na noite desta terça-feira (20), foi formalizada. O PT voltou atrás (está em moda no país, como demonstrou o ministro do STF, Teori Zavascki) e não apresentou os nomes que dissera que faria. Esta Comissão Parlamentar de Inquérito tende a sufocar a CPI do Senado, como se observou durante o dia de ontem, quando o interrogado foi o secretário de Planejamento do governo Wagner, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli. A ele foram feitas dezenas de perguntas e nenhuma das respostas foi contestada. Assim, já com 20 membros de 32 (total) designados, Renan Calheiros, presidente do Senado, ficou na obrigação de indicar o restante dos componentes. Espera-se que a CPI mista passe a funcionar a partir da próxima quarta-feira. O futuro das duas, no entanto, será a derrocada. Não há mais tempo, com Copa do Mundo, convenções partidárias e sumiço de parlamentares em agosto/setembro para se dedicarem à campanha eleitoral. Outubro será mês de eleição. E novembro/dezembro a expectativa será em torno dos novos (ou velhos) governos que se iniciam em 1º de janeiro. Ou seja: a Petrobras continuará sendo um enigma.
Os governistas, afinal, deverão apresentar hoje, último dia para isso, seus integrantes à Comissão Parlamentar de Inquérito mista (CPMI), que deverá sufocar a CPI do Senado, onde, na manhã desta terça feira, o ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, depõe, fazendo elogios à compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Já foram indicados 19 membros, praticamente todos da oposição mesclados com integrantes da base governista rebelde. A CPI do Senado é totalmente chapa branca, daí as primeiras convocações que fez para comparecer ao Senado. Com duas CPIs, uma provavelmente sucumbirá. Ou as duas sucumbirão porque não há tempo suficiente para que apresentem suas conclusões, porque o prazo delas é de 180 dias. De qualquer maneira, haverá uma guerra envolvendo as duas Comissões Parlamentares de Inquérito. Presume-se.
Terça, 20 de Maio de 2014 - 08:54
Coluna A Tarde: CPI chapa branca
A não ser que aconteça a CPI mista, com a participação, como se sabe, da Câmara e do Senado, o que irá ocorrer a partir da CPI governista do Senado será um mero arremedo para não se chegar a lugar algum. A tropa governista se encarregará de ouvir quem já foi ouvido, a exemplo do ex-presidente José Sérgio Gabrielli, do ex-diretor Nestor Cerveró e, ainda, a atual presidente Graça Foster. Nenhum deles se apresentará para dizer aos governistas integrantes da Comissão Parlamentar que a compra da Pasadena foi um negócio ruim. Como o governo passou a dizer, “para a época foi um bom negócio”. E ponto final.
A Petrobrás nunca passou por uma situação tão calamitosa e por tamanhas dificuldades. Elas estão escancaradas, menos para a base parlamentar governista que, por interesses e pela aproximação das eleições, enxerga tudo como se a estatal estivesse atravessando um período de “céu azul com bolinhas brancas”. Isso significa dizer que não haverá CPI decente para investigar o acontecido ou até que não haverá CPI nenhuma, como, de certo modo, o ilibando presidente do Senado, Renan Calheiros, tentou armar. Melhor seria se tivesse êxito, mas, se tal acontecesse, ficava de tal modo escancarado que não daria para convencer a opinião publica. De qualquer maneira, o mal está feito. Provavelmente, a petroleira seja um dos motivos que a presidente Dilma está em processo de queda (até aqui) nas pesquisas de opinião.
É certo que ela pode se recuperar, mas, no momento, há motivos para a apreensão do Palácio do Planalto. Nada definitivo. Em eleição tudo depende. Depois da oitiva dos primeiros convocados acima citados, entraremos no mês de junho, reservado aos jogos da Copa do Mundo e para as convenções partidárias que definirão as candidaturas das eleições de outubro. O mês de julho será de continuação dos jogos do mundial e de oficialização das candidaturas na Justiça Eleitoral. Depois virá a campanha eleitoral em agosto/setembro, quando o Congresso fica vazio. A CPI, ou CPIs ficará, ou ficarão, esquecidas, embora a Petrobrás certamente seja assunto da oposição no período da propaganda eleitoral. É provável que questionem o que com ela foi feito.
Há mais de dois meses que a petroleira é assunto da mídia. A base governista, com dificuldades, sustentou o Palácio do Planalto, embora haja problemas nesta base, especialmente no PMDB, principal aliado. O que ora ocorre, exceto em relação às manifestações de rua contra a Copa do Mundo e a exigência da expressão mais nova – “Padrão Fifa” – para setores essenciais ao País, como educação e saúde. Esta relação já era aguardada. Afinal, as manifestações populares nas principais capitais e grandes municípios brasileiros passaram a se registrar repentinamente, no ano passado, com a Copa das Confederações. Tais acontecimentos concorreram para a queda nas pesquisas de opinião sobre a presidente que, no momento, ainda perdura, segundo as consultas que concluem que a tendência permanece.
O Palácio do Planalto alega que, nesta época, quando Lula tentava a reeleição, os índices eram semelhantes aos de Dilma no momento. Não eram. O ex-presidente estava com 45% e em tendência de ascensão. Agora, ela está com 37% e, como acima dito, a tendência é de perda, assim concluem os institutos de pesquisas. O cenário passa a ser, então nublado. Pelo visto, as manifestações de rua, assim como a violência dos vândalos, podem estar apenas no início. Espera-se que não esteja. Mesmo que a Fifa tenha alugado o comando do governo, a imagem que já se transfere do Brasil para o exterior é a de um país convulsionado pela violência, principalmente assaltos e homicídios. Já se observa que foi um erro realizar a Copa no Brasil, embora na época em que houve a escolha estivesse fora de conjecturas projetar o que se observa nos dias atuais. Retornando a CPIs, melhor é mesmo não tê-las. Ou se apura o que aconteceu, ou nada. Porque CPI chapa branca é uma indecência que somente prejudicará, creio eu, o Palácio do Planalto.