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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

POLITICA BAIANA E BRASILEIRA COM JORNALISTA SAMUEL CELETIN/ A TARDE

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Quinta, 06 de Novembro de 2014 - 07:40 fonte/bahia notícias

Coluna A Tarde: Uma nova oposição

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: Uma nova oposição
Se não for mera ressaca pós-eleitoral, um clima de mudança terá tomado conta do País, diante da ascensão de uma oposição que antes não se observava no Congresso Nacional. Desde os primeiros dias que sequenciaram a eleição presidencial percebe-se um processo de ebulição oposicionista, consequência da campanha. O PMDB, aliado do PT, saiu do pleito baleado, tecendo severas críticas ao petismo em respostas às derrotas que sofreu em eleições governamentais em, pelo menos, três estados. O PT não o apoiou. Pelo contrário, preferiu o adversário.  Estava exclusivamente focado para a eleição de Dilma, não nos interesses peemedebistas.

A ressaca do acontecido transpareceu logo nos primeiros dias pós-eleição, especialmente na Câmara dos Deputados. Por ora, há uma tendência de o PMDB se afastar aos poucos do PT, deixando-o em dificuldades porque, sozinho ou com partidos minúsculos o apoiando, não terá condições de dar sustentabilidade ao novo mandato presidencial. Transparece e aumenta a perspectiva de o PMDB realizar uma atuação no Congresso agindo ora como oposição, ora como governo, o que estabelecerá uma situação de incerteza para Dilma Rousseff.
     
A oposição que emergiu das urnas com o pequeno distanciamento de Dilma para Aécio deu à oposição um alento que a ela faltava e à bancada governista um interrogação que poderá ser traduzida como a falta de certeza no apoio parlamentar. Isto ficou, aliás, claro na recepção a Aécio Neves, no seu retorno ao Senado na terça-feira. Foi de festa, como poucas vezes um oposicionista foi recebido depois de ser derrotado pelas urnas.

Aécio passou de derrotado à condição de principal líder de oposição no País e logo na sua chegada. No discurso que fez, deixou claro que comandará “o exército da oposição”. A chegada do candidato derrotado foi importante para o PMDB. Quanto mais a oposição se valorizar o PMDB ficará aumentará o seu preço, embora exista, também, neste cenário de agora, outro fato novo: o PMDB passou a entender que é mais importante agir dentro da Câmara e do Senado do que com cargos no governo, que o deixa amarrado ao Palácio do Planalto. Como o velho ditado ensina que “o vício do cachimbo põe a boca torta”, nunca se sabe o que virá a acontecer, a não ser na prática legislativa.
     
Assim como o petismo, o governo Dilma e o PMDB vivem assustados com as consequências do escândalo da Petrobras que, no início do novo mandato presidencial, será uma sombra que acompanhará o governo petista. Um transtorno para a presidente. Ademais, como tal escândalo que municiava os partidos governistas e as campanhas como dinheiro da estatal, agora a grande fonte da petroleira secou e será difícil encontrar outra com tal capacidade de tirar dinheiro sujo, misturado com óleo, da camada do pré-sal.
     
Na sua chegada, Aécio disse verdades interessantes: “Vou ser oposição sem adjetivos. Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessem aos brasileiros”. E mais: “Somos hoje um grande exército a favor do Brasil e prontos para fazer a oposição que a opinião pública determinou que fizéssemos”.  Vê-se, então, que o momento político brasileiro, como está na primeira oração deste comentário, a hora parece ser mesmo de mudança porque nas derrotas anteriores sofridas pelo PSDB, finda a eleição todos se recolhiam cabisbaixo. Não é o caso que ora se verifica. Há uma oposição decidida a agir como é normal numa democracia.
     
De outro modo, iniciaram movimentos populares em ruas das capitais, mas completamente divorciados dos interesses do País. Grita pedido o impeachment de Dilma, algo sem sentido, assim como o absurdo dos absurdos que vem de uma direita extremada, senão desenterrada de velhos sarcófagos a exigir o retorno das forças armadas ao comando da República. Coisa de doido.

Tudo é resultado de um momento que não contempla a realidade que se quer. Mas é fato que há uma ebulição o que significa que o Brasil, ao final da campanha presidencial, emergiu mais politizado. Enquanto isso o PT, em mais um erro, continua a falar em “representantes do atraso” e sai com uma campanha convocando sua “Militância às armas” - "arme-se com argumentos para rebater a ignorância nas redes e nas ruas", como explica o texto publicado no Facebook.

* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (6) do jornal A Tarde

   
Quarta, 05 de Novembro de 2014 - 15:30

Aécio quer pacto e diz que o diabo se envergonharia com o PT

por Samuel Celestino
Aécio quer pacto e diz que o diabo se envergonharia com o PT
Na condição de líder da oposição no País, pelo menos é o que se observa, o senador Aécio Neves abriu a reunião da Executiva Nacional do PSDB, na manhã desta quarta-feira (5), lembrando um dizer de Dilma Rousseff (PT) em março do ano passado, segundo a qual faria “o diabo na eleição”.  Aécio deu o troco, ao discursar na Executiva e afirmar que “o diabo se envergonharia com o que o PT fez nestas eleições, praticando uma campanha da infâmia e da mentira”. O presidente do partido tucano conclamou os partidos da oposição a fazerem um pacto nacional para o enfrentamento político, selando este pacto “com uma oposição revigorada e vitoriosa”. Aécio chegou do seu descanso no interior de Minas e se encaminha para liderar o posicionamento dos oposicionistas no País e seguramente no Congresso Nacional.

   
Quarta, 05 de Novembro de 2014 - 15:01

PMDB pretende dar 'não' a Dilma

por Samuel Celestino
PMDB pretende dar 'não' a Dilma
Foto: Reprodução/ Veja
O candidato derrotado a senador pela Bahia, Geddel Vieira Lima, dissera, na semana passada, que iria à reunião do conselho do PMDB, que se iniciou ontem com um jantar de confraternização aos novos deputados, para “detonar” a ideia da presidente Dilma Rousseff (PT) de realizar a reforma política a partir de um plebiscito. Se ela teimar em insistir na tese será mais uma vez derrotada no Congresso. Durante o jantar, os peemedebistas resolveram discordar do tal plebiscito e encaminhar ao Congresso uma nova formulação para deslanchar a reforma política, exigência da população e tese pregada por Dilma e Aécio Neves (PSDB) durante a campanha presidencial. Ora, um plebiscito é feito com duas perguntas que se resumem ao “sim” ou ao “não”. Mas a presidente mantém-se presa a sua maneira. Se não mudar, será derrotada de tal forma que, num caso como esta reforma tão aguardada, terá repercussão e desgaste a sua imagem. De outra maneira, estamos diante do que parece um novo PMDB, que não é e não será o do vice-presidente, Michel Temer. O partido pretende dizer “não” a Dilma. Geddel  Vieira Lima deixou Salvador explicitando o que faria e, parece, a sua postura é a que permeia a maioria do futuro PMDB na Câmara. Está com cheiro de que a presidente, no seu segundo mandato, não irá dar cartas com o fez neste primeiro que chega ao fim no último dia de dezembro. Os tempos são outros.

   
Terça, 04 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: A queda dos velhos partidos

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: A queda dos velhos partidos
A reforma política passou a ser uma exigência da população. A realidade aponta, também, que o grande interesse deve estar nos partidos políticos tradicionais brasileiros, inclusive o PT e o PMDB.  Desde a primeira eleição de Lula até a eleição de Dilma neste outubro que se foi, o PT perdeu nada menos do que 23%  da sua então representação na Câmara. É um partido em queda, assim como o PMDB, que leva como consolação o “prêmio” de ter feito maior bancada do que o seu aliado nesta última eleição. Poucas cadeiras a mais. Sobre o DEM a situação é outra: enfrenta um momento fúnebre que certamente o levará ao seu desaparecimento da cena política brasileira.
    
As dificuldades para as legendas tradicionais são de tal ordem que, segundo o jornal “Estado de S. Paulo”, as novas legendas que surgiram  após o primeiro presidente eleito nesta fase posterior à ditadura, ou seja, do governo Collor para cá, eles só não passarão a comandar a Câmara dos Deputados por não se entenderem. Os “velhos”, a começar pelo PT, perderam  51 cadeiras no somatório deles. O DEM perdeu 25 deputados, o Partido dos Trabalhadores despencou 18 cadeiras, o PDT nove, o PP cinco e o PC do B, 5.  O PSDB e o PSB, nesta última eleição não cresceram nem encolheram. Todos juntos, somados ao PMDB, já não são maioria. Têm 225 deputados quando a maioria absoluta é de 257, que agora está nas mãos dos novos partidos.
      
Desta forma, fica mais difícil governar o País. As pequenas legendas como não se afinam, certamente farão exigências de cargos, quiça ministérios, que já são estonteantes 39, o que dificulta a redução dos gastos necessários ao governo de Dilma a partir de janeiro. A presidente, diante da situação de crise econômica que envolve o Brasil, ou reduz o tamanho do Estado ou fracassa. Como se entender com os novos partidos e contentar os “velhos”,  a começar pelos  PT e PMDB?
         
Esta pergunta deixa à mostra a sombra do iceberg que dificultará a governabilidade no segundo mandato da presidente, levando as atenções para o Congresso Nacional, especialmente a Câmara, sem reduzir a tendência de o Senado servir de sustentáculo, diante da possibilidade de também agir, vez por outra, como oposição.
        
A democracia brasileira, portanto, está em processo de mudança. Isto leva a crer que o velho ficará para trás. Daí a preocupação de Lula, que já olha para 2018, mas terá que renovar o PT por estar diante da possibilidade de um colapso eleitoral mais adiante, assim como as agremiações que comandavam a Nova República na época de Tancredo Neves.
           
Dilma Rousseff terá pela frente o enigma da esfinge de Édipo a perguntar aos viajantes a mesma questão: “Decifra-me ou devoro-te”. A presidente passou alguns dias em Inema, aqui na Bahia, certamente a refletir sobre o que irá fazer para enfrentar as imensas dificuldades que terá pela frente. O seu primeiro momento será arrumar o novo governo, a começar pelo Ministério da Fazenda. Compor os demais cargos seguramente sob pressão (possíveis arranhões) dos partidos políticos e, depois, enfrentar o dragão da maldade do seu primeiro período: a demolição que se observa na Petrobras pela corrupção. Terá que arranjar um “santo guerreiro”. Dá-se conta de que serão tantos os indiciados dos partidos que a República ficará atônita. De ponta-cabeça.
      
Pode acontecer o que não é impossível: pressão para que  a presidente evite processos a partir de erros apontados que os advogados de defesa que, como sempre, encontrarão, ou inventarão erros processuais, sem se falar em problemas com o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal. Este escândalo tomará seguramente dois anos do mandato de Dilma, que terá duas formas de agir: ou dirá, doa a quem doer que o processo será levado adiante até não ficar pedra sobre pedra, mesmo que sofra pressão pelos vultos que emergirão da podridão, tal como zumbis, exigindo a salvação.
    
Se tudo ocorrer com tamanhas dificuldades - porque o que está no parágrafo anterior é uma suposição que poderá se transformar em verdade - a presidente ficará diante da cruz e da espada. O que seria o mesmo caso do enigma da esfinge: ou enfrenta tudo e a todos ou se arrepende de ter sido eleita.

* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (4) do jornal A Tarde.

   
Segunda, 03 de Novembro de 2014 - 15:47

Exportação cai e economia piora

por Samuel Celestino
A balança de pagamentos brasileira desabou neste mês de outubro com as importações superando as exportações em US$ 1,77 bilhões, o pior resultado desde 1998. A informação é oriunda do Ministério de Desenvolvimento e Comércio Exterior, divulgada nesta segunda-feira (3). Este fato tem como significado que indústria está se deteriorando de tal forma que pode levar o País a uma situação de extrema dificuldade, tal como acontece na vizinha Argentina. Com a importação maior do que as exportação  passa a ser mais um um sinal de evidentes dificuldades que poderá acelerar o desemprego no setor industrial. A liberação da informação causou forte impacto no setor econômico.

   
Domingo, 02 de Novembro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: As dificuldades de Dilma

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: As dificuldades de Dilma
É muito provável que a presidente Dilma passe a enfrentar dificuldades políticas a partir de janeiro, quando terá início o seu segundo mandato. Os sinais ficaram evidente dois dias após comemorar a sua reeleição, ao ser derrotada na Câmara dos Deputados em relação aos tais Conselhos  Populares, o que já era esperado. O Poder Legislativo pretende cumprir, à risca, as suas funções. É o que se propala. Daí existir probabilidade de que o governador Jaques Wagner - com um ministério garantido - possa retornar ao posto de ministro da Articulação Política, cargo que ele já exerceu, com êxito.

Na verdade, o governador da Bahia hoje é tido, dentre os petistas, como terceiro nome em importância da legenda, depois de Dilma e Lula. Embasa-o as vitórias obtidas nestas bandas e o relacionamento próximo que tem com a presidente e o ex. Se isso acontecerá, ou não, ainda é dúvida porque ficaria bem como Chefe da Casa Civil, onde de igual forma, seria um interlocutor político. Mas está indefinido o futuro de Mercadante, que hoje ocupa o posto.

De qualquer maneira a presidente, como não é afeita a relacionamentos políticos, dificilmente mudará a sua forma de comando quando a situação para ela se torna mais tensa em relação ao Congresso Nacional. A vitória da petista com margem apertada para Aécio Neves dá um toque de mudança comportamental que permeia a Câmara dos Deputados e o Senado. Assim, é necessário que escolha um ministro que seja um interlocutor apropriado à função. Se Wagner teria interesse ou não no cargo é outra questão, porque ninguém gosta de voltar ao posto já ocupado.

O PMDB não está rebelado na Câmara dos Deputados nem assim agirá no próximo mandato, mas, de certa forma, não ficará como um gatinho para, em troco do serviço prestado, receber um pires de leite. Ademais, há expectativa de uma explosão quando vier à tona para conhecimento do País, em toda a sua extensão, o escândalo da Petrobras. Inclusive em relação à participação do PT, do PMDB e do PP, de diversos parlamentares coroados e de empreiteiras. O escândalo talvez seja maior, muito maior, do que como hoje é pintado. Se duvidar, será necessária a construção de um novo presídio para abrigar as excelências, para que não ocorra como se observa com mensaleiros que são mandados para casa por não ter como abrigá-los.

Por exemplo: ler no presídio, um excelente passatempo além de enriquecer o conhecimento, valeu para José Dirceu a diminuição da sua pena. A justiça italiana recusou  a extradição do mensaleiro Pizzolato por considerar que os presídios brasileiros não têm condições para recebê-lo porque são, de fato, pocilgas humanas.

O clima nesta última semana na Câmara e Senado foi de tensão para a presidente da República e para o PT, que poderá ficar isolado se o PMDB entender que não é correto ficar distanciado do Planalto e só procurado para endoçar projetos do interesse petista. Boa parte dos peemedebistas era e ainda são tratados na base do cabresto pelos líderes do partido. Daí a escolha precipitada (três meses antes da eleição) do futuro presidente, Eduardo Cunha, que se tornou um parlamentar distante dos interesses palacianos.

Pode não vir a ser ele o presidente do Congresso, porque outros deputados estão se lançando, e não se sabe com quantos parlamentares Dilma Rousseff contará, tomando como base e medida os partidos que a apoiaram na sua campanha. O PMDB pendurou num prego alguma coisa como “contas a pagar”, porque pelo menos em três estados os candidatos ao governo pela legenda não foram apoiados pelo PT. Esta é uma marca que tende a ficar, porque não houve, entendem eles, a contraprestação do apoio recebido.  

O certo é que a presidente não terá neste segundo mandato o número de parlamentares que teve nesta gestão que se aproxima do fim. Ninguém votará sob cabresto, é o que se supõe. Aliás, na próxima quarta-feira o PMDB reúne o conselho partidário em Brasília, para discutir alguns pontos importantes. Um dele é a reforma política, uma exigência nacional e promessa de campanha que deverá ter prioridade. Ela pode surgir do Congresso. Por ora, a presidente deseja que haja um plebiscito, o que parece ser um absurdo. Trata-se de uma questão que não pode ser decidida na base do  “sim” ou do “não”. Não será, então, nenhuma surpresa se o plebiscito for explodido no conselho do partido na próxima quarta feira. E daí?

* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (2) do jornal A Tarde

   
Quinta, 30 de Outubro de 2014 - 10:12

Portas do PMDB abertas para ACM Neto

por Samuel Celestino
Portas do PMDB abertas para ACM Neto
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
O deputado Lúcio Vieira Lima, que com o irmão Geddel Vieira Lima comanda o PMDB na Bahia, disse que se ACM Neto desejar ingressar no partido, na medida em que o DEM experimenta dificuldades para sobreviver, será bem vindo. Para o deputado, o prefeito pode e deve se aproximar da presidente Dilma e do governador eleito Rui Costa para tratar de questões administrativas municipais, o que difere da aproximação política, embora seu partido libere seus integrantes para agir da forma que melhor entendem. Há rumores sobre as dificuldades que o prefeito de Salvador enfrenta, o que já se observa há algum tempo e piorou nas eleições deste outubro. Lúcio contesta a versão de que a derrota da presidente na Câmara, no caso dos Conselhos Populares, foi uma retaliação, mas o entendimento do partido sobre o decreto que não seria compatível com a democracia que o Brasil deseja e sim com o que o PT quer. Ademais, segundo o parlamentar, o PMDB agirá com independência, por entender que na gestão que Dilma encerra no dia 31 de dezembro, o partido nunca foi ouvido e somente procurado quando havia dificuldades no Congresso. “Isso acabou e certamente a presidente tem conhecimento, porque foi demonstrado nas eleições em segundo turno, quando ela se reelegeu com uma margem de votos muito apertada. Se continuar com esta política a queda do PT será continuada. Terá que dialogar”. As portas do PMDB baiano, portanto, estarão sempre abertas para Neto. “O interesse da legenda é manter-se numa postura de crescimento. Sempre.”

   
Quinta, 30 de Outubro de 2014 - 07:45

Coluna A Tarde: Fim da linha: da Arena ao DEM

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: Fim da linha: da Arena ao DEM
O avô do DEM, portanto da mesma linhagem, nasceu como ARENA por arte do Ato Institucional -2, promulgado em 1965 pela nascente ditadura militar, que destroçou o sistema pluripartidário brasileiro originário da Constituição de 1946. Abriu espaço para o bipartidarismo. Criou-se, na mesma tacada, também o velho MDB, que supostamente seria “partido da oposição ao sistema”. Acabou por dar certo. É, hoje, o PMDB, sombra dos partidos no poder. O DEM está se despedindo da cena política, por falta de votos e consistência. Não tem mais força na vida pública brasileira. O grande viúvo que deixa é o prefeito de Salvador, ACM Neto, que ao ser eleito, há apenas dois anos, emergiu como uma estrela com promessa de brilhar na política baiana e, talvez, brasileira.
 
O DEM, nasceu como Arena, se tornou PDS, virou PFL e chegou na condição que hoje se encontra. É uma legenda minguante, que perde parlamentares, já não tem governos estaduais e não é mais a força política que ajudou o regime dos generais. Sem consistência e nos estertores, tenta, mais uma vez, realizar nova transmutação, juntando cacos de partidos pequenos para formar um só. De certa maneira, é uma forma de derrubar a quantidade de partidos nanicos, nascidos para fazer negócios, que pululam na democracia brasileira. É possível que, pouco a pouco, parte dos 32 partidos hoje existentes, desapareça desta forma.
 
A velha ARENA vovozinha não sabe o que fazer. Quase chega a comandar o País na época de ACM, que deu ordens na política brasileira como ministro de Sarney (ex-presidente da ARENA na ditadura), presidente do Senado e obsequiado em razão, sobretudo, por comandar à sombra o então PFL, e pelo temor ao seu temperamento que chegava ao descontrole no enfrentamento aos adversários. 
 
Neste mês de outubro, ACM Neto sofreu duas derrotas. Uma que não esperava, a eleição de Rui Costa já em primeiro turno, e, a segunda, como um dos principais apoiadores de Aécio Neves. Se, para o governo baiano, o DEM caiu absolutamente tonto, como apoiador de Aécio chegou perto do poder. Caso o PSDB tivesse êxito, seria a salvação do DEM. Agora, fala-se em sepultamento.
 
A situação para o prefeito de Salvador já não é luminosa como há dois anos. As duas derrotas o enfraqueceram. Como tem projeto para o governo baiano, terá que esperar e já não se sabe até quando. Não é possível fazer-se previsão se ele se lançará candidato ao governo da Bahia, e se não o fará porque a fila andou neste outubro e continuará a andar. A situação política de Neto é agora complexa.
 
O prefeito terá que agir no campo nacional para encontrar uma forma de criar o partido que dará sequência ao moribundo DEM. Primeiro, se entender e afinar a música com José Agripino, presidente da legenda, que não quer que a velha ARENA se transforme numa corrente de partidos minúsculos para ver se, do somatório dos nanicos, nasce um partido competitivo. É difícil, muito difícil que a fórmula dê certo. A saída, ao que parece, aponta para outro lado.
 
Se o DEM já não dá mais, o que acontecerá com os seus integrantes, hoje quase sem teto? Irão se dispersar?  Embarcarão em outra canoa? Continuará na tentativa de soerguer a legenda para ver se a ressuscita, já que está na UTI dos partidos? Procurar novos seguidores e perda de tempo. Dificilmente os encontrará. Esta é a grande interrogação que atordoa o DEM. A partir da ARENA que nasceu no berçário da ditadura, virou PDS, em seguida PFL e afinal, DEM. Está agora num beco sem saída. A sua situação é, de fato, dificílima. Neto, esperança da legenda para uma saída até nacional, já não sabe para onde andar. Este é o seu desafio: o partido se perdeu no tempo.  
 
O prefeito de Salvador está, assim, numa encruzilhada. Por ora,  não tem idéia para que lado vai. Perdeu a bússola. Sabe, certamente, que carrega um caixão e, dentro dele, um partido morto. E pior, com as iniciais de satã. DEM, de demônio. Portanto um partido que, na sua trajetória, cometeu muitos pecados e deixou a glória para chegar ao nada.
 
* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (30) do jornal A Tarde

   
Terça, 28 de Outubro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: Os desafios do segundo mandato

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: Os desafios do segundo mandato
A vitória da presidente Dilma Rousseff, que determinou a continuidade do PT no poder republicano, de certo modo estabeleceu um divisionismo entre as regiões do País iniciada pela rede social da internet, que responsabilizou os nordestinos pelo resultado eleitoral, em detrimento da vitória do candidato oposicionista. Aécio Neves ganhou em toda a região Sul-Sudeste-Centro Oeste. Os brasileiros assistiram a uma ressurreição do preconceito absurdo e descabido em relação a esta região do País. Quem derrotou Aécio, na verdade, foi o seu estado, Minas Gerais, que, com três milhões de votos dirigidos à presidente determinou a queda do mineiro. Bastavam dois milhões de votos a ele direcionados para que comemorasse a vitoria.

Não foi somente um preconceito que se observa presente na região Sul-Sudeste, mas, também, uma consequência da propaganda eleitoral no segundo turno. A campanha da presidente focou, em boa parte do processo, uma inverdade que se alastrou entre os nordestinos, principalmente a grande população que habita a região seca e árida, mantida em boa parte pelo programa Bolsa Família.

Enquanto a campanha petista alardeava que, em caso de vitória do candidato tucano o programa seria abandonado, os publicitários de Aécio de tudo faziam para afirmar que tal não aconteceria, pelo contrário. O jogo do marketing negativo prevaleceu. De qualquer maneira a presidente teria uma votação avassaladora na região, por ser um reduto do PT, cultivado pelo discurso de Lula que, aliás, foi de fundamental importância no segundo turno eleitoral.

A presidente, em seu discurso aos brasileiros de agradecimento pela vitória, na noite de domingo, optou por dois pontos importantes que, se conseguir realizar serão importantíssimos para a região, principalmente a Bahia que foi, para ela, o maior reduto eleitoral dentre todos os que determinaram a sua vitória. Por quatro vezes seguidas e ininterruptas, a vitoriosa  Dilma repetiu a palavra “educação”, dando sequência com a saúde pública.

São dois fatores que, se levados a cabo, poderão mudar a realidade nordestina. Somando com o Bolsa Família, estará completa a trilogia desenvolvimentista que seria completa se houver oferta de emprego. Para os quatro anos de mandato que fará, é quase impossível realizar, porque a ela compete a dura tarefa de quebrar o ciclo da crise econômica que sufoca o desenvolvimento do País.

O segundo mandato da presidente será muito diferente do primeiro, espera-se, quando herdou uma economia que avançava com um PIB de 7,5%. O avanço econômico destacou o Brasil como um país emergente destinado a ser potência em 20 anos. Este segundo mandato que se inicia no dia primeiro de janeiro, começará pelo enfrentamento de um ano dificílimo, 2015, quando continuarão os reflexos da crise, possivelmente em situação piorada. Dilma tem pela frente desafios que não enfrentou. A começar pela formação do seu governo, que decididamente não será fácil. Ela herdou de Lula pelo menos seis ministros, e a maioria deles caiu, pela incompetência ou corrupção, no segundo ano do governo Dilma. Agora, compete exclusivamente a ela se responsabilizar pela equipe que comandará. Nada poderá dizer por que estará herdando a própria herança do seu primeiro mandato.

O primeiro desafio será a nomeação de um ministro da Fazenda que ofereça maior competência do que Guido Mantega. Os problemas elas os encontrará em toda parte: na agricultura, na indústria, ambas em crise, no setor energético, na inflação, no possível avanço do desemprego e, ainda por cima, o cumprimento de promessas feitas durante a campanha eleitoral.

No seu discurso de agradecimento, a presidente reeleita reafirmou o seu compromisso de realizar uma reforma política que mude radicalmente a atual realidade (não será tanto, nem ela a fará sem um consenso com a oposição), dando nova fisionomia a este setor, impregnado de corrupção. De igual modo, realizar a necessária reforma tributária é muito difícil em consequência da crise econômica, que se torna um entrave a ser controlado para abrir novamente espaço ao desenvolvimento.

Não é só. Dilma Rousseff, já agora neste final de 2014, terá pela frente seguramente mais denúncias arrepiantes sobre os acontecimentos envolvendo a corrupção na Petrobras. Com o Brasil dividido, com carências que também enfrentará no Sul-Sudeste, ficará entre a cruz e a caldeirinha. Os sulistas cobram dos nordestinos usando um preconceito nunca visto (embora presente) pela eleição de Dilma, que ficará para ela a ingrata tarefa de unir o que nunca, em tempo algum, foi desunido.

* Coluna publicada originalmente nesta terça-feira (28) no jornal A Tarde

   
Domingo, 26 de Outubro de 2014 - 19:44

A grande lição democrática

por Samuel Celestino
Nunca, em tempo algum, a República apresentou uma eleição como a que o Brasil realizou neste domingo. A presidente Dilma Rousseff dobra seu mandato e venceu basicamente no Nordeste, enquanto Aécio Neves deve a sua derrota à sua votação em Minas Gerais, onde Dilma ganhou no primeiro e segundo turnos. O tucano foi bem no Sudeste e no Centro-Oeste, mas caiu, como se esperava, no Norte e Nordeste. Aqui na Bahia, Dilma disparou, dobrando a votação que Aécio recebeu. Foi, por ser o quarto colégio do País, o seu principal reduto e determinou a diferença entre os dois adversários. De certo modo as pesquisas eleitorais divulgada no sábado acertaram e erraram ao mesmo tempo. Principalmente o Datafolha que acertou por se segurar na margem de erro. Aécio esperava ganhar em Minas. Para lá, no início da noite, se deslocaram para se juntar ao tucano personalidades de peso do seu partido, principalmente Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra. São Paulo foi quem ofereceu ao tucano a maior votação que obteve, o que era esperado até por ser o principal colégio eleitoral do País. Esta votação que reelegeu Dilma Rousseff basicamente divide o Brasil em duas grande regiões, o Sul-Sudeste e o Norte-Nordeste. Só no Nordeste ela saiu com cerca de 11 milhões de votos, que se somam alguma coisa em torno de um milhão de votos vindos da região Norte. A diferença entre a vitoriosa e o derrotado ficou em torno de três milhões de votos, isso contando números inteiros. O lucro do PT fica claro com a vitória, mas o PSDB não sai derrotado inteiramente porque o partido se uniu, o que não se observava antes da campanha. Enfim, os brasileiros assistiram a uma aula de democracia que passa a ser o principal ganho do País, excluindo, naturalmente, o vitorioso PT, que ficará no comando da República, se não dobrar em 2018, por 16 anos.

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