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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

POLITICA BAIANA E BRASILEIRA COM SAMUEL CELESTINO

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Quinta, 20 de Novembro de 2014 - 10:11

Corrupção: Malandro é o gato

por Samuel Celestino
Corrupção: Malandro é o gato
Ilustração
O juiz Federal do Paraná, Sérgio Moro, determinou ao banco Itaú que bloqueasse as contas pessoais dos envolvidos (e presos) na Operação Lava Jato. Malandros e experientes, os executivos das empreiteiras deixaram pouco dinheiro (para eles) no banco. Mas um deles, o executivo da empreiteira Engevix, Gerson Mello Almada, preferiu fazer diferente e deixou em depósito R$ 1,4 milhão, uma mixuruca em relação à montanha de dinheiro que envolve o escândalo da Petrobras. Ou errou ou acertou na mosca. Já Fernando Baiano, provavelmente criado aqui na Ribeira, bairro de pessoas vivíssimas em outros tempos mais amenos, fez melhor. Mostrou que “malandro é o gato”. Deixou a sua conta zeradinha. Como se apresentou somente na terça-feira (18) e era considerado foragido, talvez tenha tido tempo suficiente para passar em revista as suas contas e tomar as precauções que entendeu, para ele, como corretas. Se o juiz Sérgio Mora esperava contas abastadas, ficou decepcionado. Ora, quem fez trambiques e distribuiu propinas para ganhar grandes obras da petroleira, não marca bobeira nem espera no ponto. Ou não?

   
Quinta, 20 de Novembro de 2014 - 07:50

Amigo urso

por Samuel Celestino
Amigo urso
Foto: Reprodução
Na longa reunião com Dilma - nada menos de 10 horas - Lula teria a ela sugerido o nome do governador Jaques Wagner para presidir a Petrobras. Discutia-se a formação do ministério, dentre outras coisas. Não há informações consistentes sobre a sugestão, mas, se aconteceu, creio que pode ser considerada uma lembrança de um amigo urso. Na situação que a petroleira se encontra, ao cair da condição de mais importante empresa brasileira para o terceiro lugar, imersa numa crise marcada pela corrupção mais abjeta, decididamente a presidência não é cargo para se almejar. Pelo contrário, é cargo para endoidar qualquer mortal e talvez Wagner também pense desta maneira. A Petrobras ficará por muito tempo nas manchetes; também por muito tempo se descobrirá corrupção em diversos setores da empresa, enfim, será um inferno presidi-la. Quem ficará tranquilo sabendo que, a qualquer momento, podem surgir novos escândalos até então desconhecidos? Assim posto, e bem posto, "amigo urso, saudações polares".

   
Quinta, 20 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: A guerra no Congresso

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: A guerra no Congresso
Não é novidade, mas nada mais foi do que uma indecência. O Congresso Nacional se reuniu na noite da terça-feira (18) para decidir uma saída para a presidente Dilma Rousseff e suas contas que fechariam, ou fecharão, o ano no vermelho. Foi uma noite de cão. A sessão chegou ao início da madrugada de ontem, decidindo-se, a princípio, favoravelmente à presidente. Na manhã de ontem, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), reconheceu que não houve a discussão da matéria, num recuo que a remeteu de volta para a Comissão Mista de Orçamento da Câmara. O que a presidente quer, e provavelmente vai conseguir porque a Comissão da Câmara é majoritariamente constituída de governistas, é fechar as contas de 2014 com déficit fiscal.

Foi um jogo no qual o governo a princípio ganhou deixando, no entanto, um rastro que deformaria a legislação se o retrocesso não acontecesse. Nada mais foi do que um forte indício de que não se poderá, mesmo em 2015, esperar avanços políticos deste Congresso, cuja renovação nas eleições de outubro foi pequena. Mesmo o governo enfrentando uma crise sem registro, na economia e diante do escândalo de corrupção que balança a Petrobras, as dificuldades que envolverão o segundo mandato de Dilma tenderão  a se alastrar. 

Não se deve esperar muito do Congresso, embora exista um clima que facilitará as ações da oposição, na medida em que emergiu com mais força, diante da diferença pequena de votos entre Dilma e Aécio Neves. Ainda há, para turvar o cenário, as dificuldades que o Poder Legislativo terá que enfrentar, quando for dada à luz a relação dos parlamentares (deputados e senadores) envolvidos no escândalo da petroleira.

No caso da brigalhada no Congresso na noite de terça feira, é possível que o recuo governista tenha havido diante da ameaça oposicionista de entrar com um processo judicial no Supremo Tribunal Federal para  anular a sessão, porque não houve, como de fato o líder governista no Senado, Romero Jucá, se apressou em reconhecer, a discussão da matéria. O fato é que Dilma precisa sair da complicada situação em que se encontra, na medida em que ficará difícil aceitar fechar as contas da união com déficit, quando ela não reconheceu em toda a campanha eleitoral que a crise econômica instalara-se no país. Se aceitasse tal realidade poderia perder a eleição, o quer por pouco não aconteceu.

Ademais, a presidente tem pressa para sair da situação em que está. O tempo é curto e o Congresso entrará em recesso. Desta forma não poderia ficar refém de uma decisão de STF. Politicamente fez o melhor, reconhecer que diante da guerra instalada entre deputados e senadores a matéria não foi discutida no plenário. Com os ânimos alterados, a sessão foi encerrada sem que houvesse sequência no rito o regimental.

* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (20) do jornal A Tarde

   
Quarta, 19 de Novembro de 2014 - 09:11

O Romano, o bode velho e o IPTU

por Samuel Celestino
O Romano, o bode velho e o IPTU
Ilustração
A questão que envolve o IPTU de Salvador é mesmo um bode posto na sala como bem lembrou o vereador José Trindade. Mas um bode paulista, de lá importado pelo prefeito ACM Neto que aqui chegou com fama de ilimitada competência para resolver os problemas da Secretaria Municipal da Fazenda. A princípio desconfiou-se e, de certo modo, não errou quem tenha desconfiado do bam-bam-bam Mauro Ricardo, o “Romano coletor de impostos”, e a sua festejada especialidade. Aqui, só fez criar problemas, aumentando estupidamente o IPTU e alardeando que a Fazenda municipal iria arrecadar montanhas de reais. Deu-se justamente o contrário. A arrecadação do imposto desabou porque era extorsiva para uma população pobre como a de Salvador. Tentou-se passar a versão de que os proprietários de baixa renda ficariam isentos. A classe média gemeu, empresários gemeram, enfim, o resultado aí está. Desconfiava-se do Romano. Como um arrecadador tão competente não fora convocado por Dilma Rousseff (com a permissão de Guido Mantega) para ser ministro da Fazenda?  De resto, por que ele não ficara em São Paulo cuidando da secretaria municipal de lá? É outra história. Agora, dá-se conta de que o prefeito fará uma reforma de meio mandato nas suas secretarias. E quem está no início da fila? O Romano coletor de impostos, Mauro Ricardo. Aliás, como coletor ele é um andarilho. Já ocupou cargos públicos em meio Brasil, do Amazonas ao Chuí. Ele pôs o “bode na sala” e agora Neto irá encaminhar à Câmara de Vereadores um projeto para diminuir o imposto cobrado pelo Romano. Não tem saída. Dizem que ele arrumará as malas imaginando fazer a sua próxima parada no Paraná. Mas logo lá, terra do juiz Sérgio Moro? Nada a ver.  Bem, o que se pode dizer é que se ele partir não deixará saudades e, sim, alívio. Vai rápido, Romano, mas não esqueça de levar o bode.

   
Terça, 18 de Novembro de 2014 - 16:55

Juiz quebra sigilo de presos e empreiteiras

por Samuel Celestino
Juiz quebra sigilo de presos e empreiteiras
Sérgio Moro quebrou de sigilos bancários | Foto: Reprodução
Na tarde desta terça-feira, o juiz Sérgio Moro, responsável pela apuração da corrupção na Operação Lava Jato, determinou que 16 dos 24 presos na Operação, levada a efeito na sexta-feira, tenham seus sigilos bancários quebrados. Todos estão presos em Curitiba. De igual modo, três empresas suspeitas de desvios de dinheiro público também terão seus sigilos bancário quebrados. Alcança os presos  Erton Medeiros Fonseca (Galvão Engenharia), Renato Souza Duque (Petrobras), Ildefonso Colares Filho (Queiroz Galvão), Othon Zanoide de Moraes Filho (Queiroz Galvão), Valdir Lima Carreiro (Iesa), Dalton Santos Avancini (Camargo Correa), Walmir Pinheiro Santana (UTC), José Ricardo Breghirolli (OAS), Eduardo Hermelino Leite (Camargo Correa), Sérgio Cunha Mendes (Mendes Júnior), Agenor Franklin Magalhães Medeiros (OAS), Ricardo Ribeiro Pessoa (UTC), João Ricardo Auler (Camargo Correa), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS), Gerson de Mello Almada (Engevix) e Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como lobista do PMDB,que se apresentou na tarde desta terça-feira quando era considerado fugitivo. As três empresas que tiveram seus sigilos bancários quebrados são: Technis Planejamento e Gestão em Negócios, Hawk Eyes Administração de Bens e D3TM – Consultoria e Participações. A informação é de a “Folha de S.Paulo”.

   
Terça, 18 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: O retorno das saúvas

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: O retorno das saúvas
A corrupção que abala a Petrobras e, de resto, o País, ocupando mídias brasileiras e internacionais, não foi uma ação do governo Dilma. Pelo contrário, tudo fez para não apurar os fortes indícios do escândalo, impedindo a todo custo, a formação de uma CPI mista da Petrobras. Temia que prejudicasse a sua campanha à reeleição, embora nunca haja certezas sobre o que emerge das apurações de uma CPI. De resto, à Comissão Parlamentar de Inquérito não era do interesse da base de sustentação do governo no Congresso, principalmente do PT, PMDB e PP. O Planalto orientava os partidos que dispunham de duas diretorias da petroleira. Eram comandadas pelos então diretores Renato Duque, ora preso, e Paulo Roberto Costa, que se tornou delator. Uma terceira diretoria, a Internacional, provavelmente integrava a corrupção e tinha à frente Nestor Cerveró.

Se o Palácio Planalto não sabia  de coisa alguma ou assim fazia de conta – como ainda faz – os três partidos apenas fingiam que também não. Foram beneficiários, “em silêncio” da ampla corrupção que abala a Petrobras. Dilma teria que dizer alguma coisa a respeito da sétima Operação Lava Jato, que a surpreendeu (ou não) justo quando estava na Austrália para participar do G-20. Como é do seu dever presidencial falar a respeito, preferiu fazê-lo do exterior. Ficara óbvio que se de lá não o fizesse, aqui seria pressionada a dar uma entrevista coletiva. Expôs no seu discurso exclusivamente aquilo que na hora julgou apropriado, com muitos meandros.

Provavelmente o texto fora remetido pelos seus assessores de mídia e de marketing que ficaram no Brasil. À presidente não competiria ficar acuada e silenciosa. Ao falar da Austrália sem ser interrompida, fica dispensada de se pronunciar no seu retorno. “Nem a pau”, expressão que muito utiliza para não se complicar.

A Operação Lava Jato nada tem a ver com o governo da presidente reeleita. Nasceu a partir da força, da ousadia, da competência e da seriedade de um juiz paranaense, Sérgio Moro, que foi acompanhado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, que não estão vinculados à Presidência da República, como Dilma esforça-se para fazê-lo. São integrantes da estrutura do Estado, portanto independentes do Palácio do Planalto. O novo Judiciário que Moro representa, o Ministério Público e a Polícia Federal são o que há de mais correto no País no momento em termos de seriedade na ação que realizam. Os três são os representantes de um novo Brasil que desmonta o Brasil da corrupção. Seus integrantes não são nomeados, e sim, funcionários notáveis oriundos de concursos públicos disputadíssimos. Não se vinculam a nada, a não ser ao que lhes compete fazer no processo de transformação do País.

Uma nova fase, a oitava da Operação Lava Jato, mesmo que não seja batizada de “operação” virá à público quando se der conhecimento de dezenas e dezenas de políticos envolvidos com propinas oriundas das diretorias da Petrobras a serviço de empreiteiras. Um terremoto estremecerá o Congresso Nacional, abrindo-se, espera-se, uma larga avenida por onde passarão os políticos corruptos a caminho da cassação. O PT, o PMDB, o PP, e outros partidos que surjam, não terão condições de evitar por ser provável que as ruas e praças do País sejam convulsionadas por manifestações populares.

Se já existe uma oposição que tende a marcar uma nova etapa política no País, quando a lista dos corruptos parlamentares vier à tona a convulsão será intensa. A reação popular, é de se crer, tenderá a se espraiar. Está em jogo nada mais do que um símbolo do velho nacionalismo, a Petrobras, maior empresa brasileira e maior até do que muitos países vizinhos. A petroleira é resultado de uma campanha nacionalista e popular que emergiu nos anos 50, na época de Getúlio Vargas, para o orgulho do Brasil da época. Os corruptos foram desta vez longe demais. São as velhas saúvas que retornam, lembrando a semana modernista de 1923. Ou o Brasil acaba com elas ou elas acabam com o Brasil.

* Coluna publicada originalmente na edição desta terça-feira (17) do jornal A Tarde

   
Segunda, 17 de Novembro de 2014 - 10:45

Dilma poderá recusar pressões

por Samuel Celestino
Dilma poderá recusar pressões
Foto: Reprodução
Auxiliares da presidente Dilma passaram a entender que a Operação Lava Jato, na extensão que ela ganhou e as prisões feitas a partir da última sexta-feira poderão favorecê-la ao ganhar maior autonomia para definir seu ministério, que deve estar pronto até a primeira quinzena de dezembro. Como é possível que, até lá, Rousseff não tenha conhecimento da quantidade de corruptos por partidos, inclusive os três mais importantes da sua pretensa base de apoio, o PT, o PMDB e o PP, ela poderá se sentir de mãos desatadas para realizar as escolhas que lhe aprouverem, sem pressões. Os partidos estão em expectativa sobre a lista de parlamentares que balançará o Congresso, levando provavelmente,  por pressão dos segmentos populacionais, a uma enxurrada de cassações. Assim, as legendas ficam sem condições, presume-se, de fazer exigências. Se isto acontecer a presidente poderá demonstrar o que disse nas suas declarações na Austrália sobre o combate à corrupção e diminuir o número de ministérios. Ademais, com a crise em que está imerso, o governo terá que cortar gastos e nada melhor do que começar cortando boas parte dos 39 atuais ministérios. A presidente poderá ter sua liberdade de escolha empurrada pelo absurdo escândalo envolvendo a maior empresa brasileira, que não apresentou seus resultados, a partir de auditorias, em função da roubalheira perpetrada pelos assaltantes que tomaram de assalto a Petrobras.

   
Domingo, 16 de Novembro de 2014 - 11:26

PT e PMDB levaram 200 milhões da Petrobras

por Samuel Celestino
O “Estadão” revela hoje que o PT e o PMDB teriam recebido nada menos de R$ 200 milhões em propina da Petrobras através dos  operadores Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, que agia para o PMDB, e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que se encarregava de encher as burras do PT, através do diretor Renato Duque, ora preso, que ascendera ao cargo por indicação de José Dirceu. Os pagamentos eram feitos por Duque, depois de fechar contratos superfaturados com as empreiteiras. O lobista do PMDB teria indicado, de acordo com os delatores, o diretor Nestor Cerveró, que ainda está solto. A propina do suborno seria, segundo o jornal, pré-condição para que as empreiteiras firmassem contratos. Estas últimas informações foram delatadas à Operação Lava Jato pelos executivos da Camargo Correia, Júlio Camargo, e por Augusto Ribeiro, da Toyo Setal, em troca da redução das suas penas. Fernando Baiano teria recebido cerca de US$40 milhões, para viabilizar sondas de perfuração, e outros 95 milhões pagos a Duque, que encarregara o seu gerente conhecido como Pedro Barusco para arranjar contratos para as empreiteiras. Mas não ficou nestes valores. Outros foram pagos ao diretor Renato Duque em contas no exterior. O fato é que a petroleira brasileira foi dilapidada sem que o governo soubesse de absolutamente nada. É o que consta. Espera-se – e não tem outra saída – que Dilma leve à frente o que disse na entrevista na Austrália, que serão punidos partidos, corruptos e corruptores. Barusco até agora não foi localizado e é considerado fugitivo.

   
Domingo, 16 de Novembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: Tempos de incúria

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: Tempos de incúria
O governador eleito, Rui Costa, não se precipita para a formação do seu secretariado. Por ora, somente um processo de transição entre o governo Jaques Wagner e o dele. A partir daí tomará decisões que entender convenientes. É possível, entre outras posições a serem adotadas, que haja diminuição de secretarias porque o grupo de transição comandado pelo secretário da Fazenda, Manoel Vitório, constou o que já era fato. Alguns departamentos têm atribuições que se sobrepõem as de algumas secretarias. Assim, não faz sentido atribuições idênticas.

Não se sabe, ainda, quais os secretários de Wagner que ficarão e os que desaparecerão para que Rui Costa estabeleça o perfil que deseja para a sua gestão. Já em relação ao governo Dilma em segundo mandato sabe-se pouca coisa. A presidente faria bem se cortasse um bom número dos 39 ministérios, muitos dos quais criados para beneficiar partidos políticos. É necessário até que assim seja para diminuir as despesas do País, que está de ponta-cabeça, imerso numa crise econômica que se expande e poderá levar a seríssimas consequências se não houver medidas imediatas para conter um desastre anunciado.

Lula é, por natureza, um falastrão, que se expandia quando em viagem ao exterior. Nas suas viagens, costumava revelar medidas que seriam tomadas no seu retorno ao Brasil. Com Dilma Rousseff é bem diferente. Primeiro, porque Lula, à sua maneira, tinha facilidade em se relacionar com chefes de estado. Com a presidente não é bem assim. No exterior ela fala pouco e não se comunica com facilidade. Então, há de se esperar o seu retorno da Austrália onde foi participar da reunião do G-20, para que diga alguma coisa sobre o seu novo ministério que formará.

Por ora, supõe-se que ela mudará cerca de 60% da sua atual equipe, mas o que importa mesmo é o novo ministro da Fazenda e a nova equipe econômica. Também com base em suposição, os nomes mais cotados são Henrique Meirelles, amigo de Lula, e o ex sub-ministro de Guido Mantega, Nelson Barbosa, que se afastou do governo por não se entender com o chefe na condução da pasta. Ele estava certo. Mantega sempre foi fraco. Os dois nomes citados circulam bem na classe empresarial e não são de entregar cartas. Pelo contrário, zelam pela independência no trabalho que realiza. Como o estilo de Dilma é o de ser mandona, ela terá forçosamente que aceitar um ou outro ou procurar um nome que lhe seja subalterno. Não terá muitas escolhas. O setor econômico do País está fragilizado e à beira do abismo.

É do seu dever, ao retornar, se debruçar sobre a formação do novo ministério. Provavelmente elegerá o Ministério da Fazenda como primeira decisão. É isso que o País, paralisado pela crise, espera. Encontrará ainda as consequências da nova Operação Lava Jato patrocinada pela Polícia Federal na última sexta-feira com prisões, entre as quais mais um diretor da Petrobras recolhido às grades, Renato Duque, que foi indicado para o cargo pelo ex-ministro e mensaleiro, José Dirceu. Trata-se, consequentemente, de mais um corrupto  que entra na quota do PT.

Dilma Rousseff está atravessando uma fase permeada de complicações. Já era esperado que houvesse ainda neste final do seu primeiro mandato mais problemas envolvendo o escândalo na Petrobras. Não se supunha, porém, que fosse de tal monta, com tantas prisões, agora atingindo executivos de empreiteiras que têm contratos com a petroleira, e que teriam participado do superfaturamento de contratos em troca de vantagens bilionárias para partidos políticos, diretores da estatal, políticos integrantes do quadro surreal que envolvia a principal empresa brasileira. Isto sem que o ex-presidente Lula e a atual Dilma soubesse de alguma coisa. Se assim foi, o País não estava sendo governado pelo PT, que não sabia absolutamente de nada do que ocorria à sombra do poder, a partir do mensalão.

O certo é que a presidente chegará ao segundo mandato absolutamente fragilizada. Fraquíssima. Como governar o País diante de um cenário como este? O Brasil atravessa tempos difíceis. Tempos de incúria.

* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (16) do jornal A Tarde

   
Sábado, 15 de Novembro de 2014 - 10:43

Pânico em Brasília e na Austrália

por Samuel Celestino
A preocupação é total no Palácio do Planalto, mesmo com a presidente Dilma Rousseff na Austrália. Assim também  é o clima no PT. A preocupação agora é blindar a presidente que entrará no seu segundo mandato como um zumbi, com representatividade baixa, senão zerada, com pouca credibilidade e com a missão de reerguer o País em crise e tudo o mais que foi feito na Petrobras, entregue à corrupção mais severa que se tem notícia na história republicana. A comitiva brasileira que participará do G-20 está atônita com o acontecido, porque não esperava que a sétima Operação Lava Jato ocorresse neste final de ano. A rapidez da ação da Polícia Federal prendendo empreiteiros e o ex-diretor da petroleira, Renato Duque, atinge fortemente o legenda governista, PT e, mais uma vez, José Dirceu, que o indicou Duque para o cargo. A situação é complicadíssima para o governo. Neste processo, Lula desapareceu de circulação e nele não se ouve falar.  O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, principalmente com o envolvimento da sua cunhada a serviço dele, atinge fortemente o partido, muitas vezes mais do que o mensalão, e leva João Vaccari à corda bamba. As denúncias contra ele, principalmente dos dois principais delatores, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, dificilmente o afastará de uma punição rigorosa. De tal modo é que o líder do partido na Câmara, Vicentinho, pediu que os envolvidos do partido assumissem as consequências para que não recaiam sobre a presidente Dilma as responsabilidades maiores. A situação em Brasília é de pânico nos setores políticos e afins. Na Austrália o clima envolvendo a comitiva brasileira e a presidente de igual modo é pesado e ela provavelmente retornará ao País amanhã.  Enfim, com o envolvimento e a prisão de tantos presidentes de empreiteiras, o pânico se espraiou, como poucas vezes visto. A presidente terá que, num clima pesadíssimo, formar seu novo ministério no qual pretende assegurar vagas para políticos. Nunca, em tempo algum, um chefe de estado no Brasil irá à posse tão fraca como Dilma Rousseff.

   
Quinta, 13 de Novembro de 2014 - 14:39

Rosemary, a 'amiga', na corda bamba

por Samuel Celestino
Rosemary, a 'amiga', na corda bamba
Foto: Reprodução
A “amiga” de Lula, Rosemary Novoa de Noronha, passou a se equilibrar na corda bamba, com grandes possibilidade de cair. O STJ – Superior Tribunal de Justiça – autorizou o acesso ao cartão corporativo por ela utilizado quando dava cartas como chefe da Representação da Presidência da República em São Paulo. Ela esteve envolvida na Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, desmantelada no ano passado. A decisão do tribunal foi provocada por pedido feito pela rede de jornais Infoglobo e pelo jornalista Thiago Herdy, que pediram acesso aos gastos por ela efetuados no cartão, com discriminações de tipo, data e valor de todos as transações, além do CNPJ ou razão social. Quando ocorreu a Operação, no gabinete da presumível “amiga”, foram feitas buscas e apreendidos diversos documentos. Rosemary foi demitida um dia depois de a Operação Porto Seguro ser deflagrada. Diante da concessão do STJ, o jornalista de O Globo e a empresa requesitaram à Secretaria de Comunicação Social da Presidência o cartão completo, com a discriminação dos gastos feitos por ela. A secretaria concedeu o pedido, mas não atendeu à solicitação do extrato completo. Em consequência, a empresa e o jornalista entraram com um mandado de segurança no STJ, sustentando que o acesso à informação do direito coletivo é assegurado pela Constituição.

   
Quinta, 13 de Novembro de 2014 - 11:02

Dilma se desentende com ministro e o bicho pega

por Samuel Celestino
Dilma se desentende com ministro e o bicho pega
Ilustração
Com relativo atraso, chega a informação de que a presidente Dilma, antes de viajar para o Qatar, onde foi obsequiada pelo emir, e de lá irá a Austrália para participar do encontro do G-20, teria demitido, depois de um forte desentendimento, o ministro Gilberto Carvalho (ligado a Lula). No último domingo ele teria feito críticas a ela. Isto gerou um desencontro entre os dois. Aliás, os problemas ficaram mais claros a partir da ex-ministra da Cultura, Marta Suplicy, que, em carta de demissão entregue no Palácio do Planalto, a ela dera conselhos. Dentre eles desejar que esteja “iluminada” na escolha do seu ministério e, o que mais doeu na presidente, dizer que ela deve dar independência (coisa difícil para Dilma) à futura equipe econômica, principalmente, ao futuro ministro da Fazenda. Escrevera que a independência é necessária para que a equipe econômica possa dar estabilidade ao País, que no momento se ressente de total instabilidade no setor. Mais ainda. A partir daí, Aloizio Mercadante passou a pedir cartas de demissões aos ministros. 15 deles já o fizeram. No ciclo político brasiliense o entendimento é que Mercadante deverá continuar na chefia da Casa Civil, assim como o ministro da Saúde, Arthur Chioro. São os únicos que permaneceriam para o segundo mandato. Aliás, a imagem de Mercadante não é das melhores no Palácio do Planalto e vizinhanças.

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