Foto II Congresso de História da Bahia, Professor Jorge Calmon e Pedro Calmon, este ao lado da sua irmã D. Dulce Calmon de Almeida, na sessão inaugural do Congresso. Jorge e Pedro Calmon irmãos. Foto Revista do Instituto Genealógico da Bahia, ano 193, n. 219, pág. 157
HOMENAGEM PÓSTUMA!
TROFÉU HONRA AO MÉRITO AO VISCONDE DA TORRE DE GARCIA D'ÁVILA
CEL ANTONIO JOAQUIM PIRES DE CARVALHO E ALBUQUERQUE
BENEMÉRITO DO POVO MATENSE, BAIANO E BRASILEIRO!
HOMENAGEM DO BLOG CHIQUITINHA MARAVILHA
E DOS MATENSE, DOS BAIANOS!
TROFÉU HONRA AO MÉRITO!
HOMENAGEM PÓSTUMA.....
arde
Jorge Calmon MUNIZ DE BITENCOURT
BIOGRAFADO NA PESQUISA DE CHIQUITINHA MARAVILHA
Jorge Calmon Muniz de Bittencourt nasceu no dia 7 de julho de 1915, Salvador na rua do Genipapeiro, bairro de Nazaré. Jorge é filho do comerciante Pedro Calmon Freire Bittencourt e de dona Maria Romana Muniz de Aragão Calmon de Bittencourt.
Jorge Calmon faleceu numa segunda-feira dia 18/ 12/ 2006 no Hospital Português, na cidade de Salvador, aos 91 anos de idade. Jorge residiu no Corredor da Vitória na sua mansão a partir do ano de 1960 até 2002 nesse local cresceram e se formaram os filhos do casal Jorge Calmon e Maria Romana Muniz de Aragão.
Os irmãos de Jorge Calmon são: Sertório Calmon, Egas Calmon, Armando Calmon, Maria Romana Calmon, Maria Teresa Calmon, Edmundo Calmon Nicolau Calmon, Pedro Calmon, Maria Dulce Calmon de Almeida, sendo os seus avós maternos Dr. Egas Muniz Barreto de Aragão e Menezes (Barão de Muniz de Aragão e a Baronesa Francisca Calmon da Gama Muniz de Aragão).
Sua mãe dona Maria Romana nasceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro em 28/ 3/ 1887, falecendo em 13/ 3/ 1959. Foi sepultada no cemitério do Campo Santo, às 17 horas na cidade de Salvador, Dona Maria Romana era professora da Escola Normal de Salvador onde lecionou por 28 anos, falava vários idiomas e dedicou-se a música e a pintura. O seu pai Dr. Egas Muniz foi proprietário do Engenho Mataripe,
Falecimento dos Filhos de Maria Romana e
Pedro Calmon Freire
Sertório nasceu em Nazaré - BA, 24/ 12/ 1897, faleceu 24/ 10/ 1904; Egas Calmon nasceu em Nazaré – BA em 19/ 2/ 1899, falecido em Armagosa – BA 6/ 4/ 1903; Nicolau Calmon nasceu em Itaparica – BA, 11/ 11/ 1900 (já falecido); Pedro Calmon nasceu em Armagosa – BA em 23/ 12/ 1902 (já falecido); Armando Calmon nasceu em Salvador – BA, em 30/ 1/ 1906, falecido em 19/ 1/ 1908; Maria Dulce nascida em Salvador – BA em 15/ 8/ 1907 (já falecida); Maria Romana nascida em Salvador, dia 5/ 8/ 1909 (já falecida); Maria Teresa nascida em Salvador, dia 17/ 3/ 1913; Edmundo Calmon nascido em Salvador, dia 1/ 3/ 1914 e falecido em 24/ 10/ 1916.
Nota-se pelo relato acima, que 4 filhos do casal Maria Romana e Pedro Calmon Freire faleceram ainda na infância: Sertório com 6 anos, Egas Calmon com 4 anos, Armando Calmon com 1 ano de idade e meses e Edmundo Calmon com 2 anos e alguns meses.
Estudos de Jorge
Jorge Calmon cursou o colegial no Colégio Antonio Vieira, ingressando na Fa- culdade de Direito em Salvador, onde se diplomou no ano de 1937. No magistério Jorge iniciou a sua carreira em 1941, como professor de Português e História do Comércio na Escola Comercial Feminina da Bahia.
Jorge foi nesse mesmo ano, nomeado professor titular de História das Américas, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humana da Universidade Federal da Bahia (UFBA), quando se tornou titular, foi professor emérito, aposentando-se em 1958.
Esposa e Filhos
Jorge Calmon casou-se com Leonor Marcedo Costa Calmon Bittencourt no dia 12 de junho de 1948, desse casamento nasceram 6 filhos: Maria Romana, Maria Edith, Mário, Maria Virgínia, Maria Tereza e Jorge Calmon Filho.
O Jornalista Jorge Calmon
Jorge Calmon iniciou a sua carreira jornalística no jornal A Tarde, trabalhando no ano de 1934 no mês de agosto, depois de uma entrevista pessoal com Dr. Ernesto Simões Filho, fundador e proprietário do Jornal A Tarde, quando foi contratado para trabalhar no referido jornal, como auxiliar de arquivo e repórter.
Simões Filho atendendo a um pedido de Pedro Calmon, irmão de Jorge que se encontrava no Rio de Janeiro, para colocar Jorge Calmon como funcionário do jornal A Tarde. Nessa época Simões Filho havia retornado ao Brasil depois de anistia-do do seu exílio na Europa.
Simões Filho estava na Bahia nesse ano de 1934, articulando a Campanha Auto-nomista, de quem foi o seu grande inventor. Pedro Calmon irmão de Jorge no ano de 1934 era correspondente do jornal A Tarde do Rio de Janeiro.
Nesse ano de 1934, iniciou como auxiliar de arquivo e repórter eventuais no jornal A Tarde, era o redator-chefe do jornal A Tarde, Ranulpho Oliveira, iniciando Jorge Calmon a sua longa carreira de jornalista no referido jornal. Jorge iniciou trabalhando nas reportagens.
Jorge Calmon, foi também além de repórter do jornal A Tarde, redator, secretário de Redação, assumiu o posto de redator-chefe em 1949. Jorge foi também diretor-redator-chefe entre 1971 e 1996, foi diretor do jornal 1971/ 96 totalizando 60 anos de jornalismo marcantes do jornal A Tarde.
Mesmo afastado, Jorge continuou a trabalhar como colaborador do Jornal A Tarde, escrevendo artigos semanais na página de Opinião de A Tarde até os últimos instantes da sua vida.
O Jornal A Tarde reconhecendo os seus magníficos trabalhos, homenageou o jornalista Jorge Calmon, ao completar 60 anos no referido jornal com uma edição especial, relembrando os principais fatos da sua carreira jornalística.
Nessa edição de homenagem a Jorge Calmon foi apresentado um grande volume de fatos ocorridos no espaço de 50 a 60 anos, documentados nas páginas do jornal A tarde, período em que Jorge Calmon trabalhava nessa empresa jornalística.
Dentre as inúmeras e notáveis edições jornalísticas realizadas por Jorge Calmon,
conforme ele mesmo relata em um DVD que documenta a sua vida como jornalista, Jorge destaca duas edições especiais, uma no ano de 1947, sobre o centenário do nascimento do poeta Castro Alves e a outra sobre a fundação da cidade de Salvador em março de 1949.
Com essas duas edições especiais, motivou Ernesto Simões Filho a entregar a Jorge Calmon a Administração do jornal. Simões Filho já vinha reconhecendo a grande capacidade jornalística visionária de Jorge Calmon, ao longo dos anos desde a sua admissão do jornal A Tarde no ano de 1934, como estagiário e posteriormente como funcionário contratado no dia 1 de fevereiro de 1935.
Jorge Calmon ao se formar em Direito no ano de 1938, fundou com Pinto de Aguiar, a Editora Cruzeiro, na qual publicou inúmeros livros como o Rio São Francisco e a Chapada Diamantina, de autoria d e Teodoro Sampaio, hoje esses livros são considerados clássicos.
Durante a passagem de Jorge Calmon no Jornal A Tarde conviveu com vários jornalistas conceituados a exemplo de:
Jorge Simões, Ranulpho Oliveira, Cruz Rios, Milton Santos, Adroaldo Ribeiro Costa, Fernando Hupsel de Oliveira, Gilberto Guimarães, Jorge Bastos Leal, Giovani Guimarães, Roshild Moreira, Luis Alberto Alves, Genésio Ramos, Carlos Coêlho, Ariston Andrade, Laudemiro Menezes, Denancy de Avelar, José Curvello, Junot Silveira, Heron de Alencar, Ary Guimarães, Mário Piva, Alvaro Henrique, Edvaldo Boaventura, Paixão Barbosa, Florisvaldo Mattos e o fundador do Jornal A Tarde,
O jornalista Ernesto Simões Filho.
Outras Atividades de Jorge
Além do jornalismo, Jorge Calmon foi diretor da Biblioteca Pública da Bahia en-tre os anos de 1938 a 1942, quando ampliou o acervo disponível. Esta Biblioteca Pública ficava localizado na Praça Tomé de Souza (Praça Municipal).
No magistério Jorge começa lecionando Português e História, sendo nomeado professor catedrático de História da América na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Universidade Federal da Bahia. Foi um dos fundadores ao lado de Isaías Alves e Thales de Azevedo e outros expoentes da cultura baiana, da referida Faculdade.
Jorge exerceu magistério na Faculdade de Filosofia até 1985.
Entre os anos de 1955 a 1963 Jorge dedicou-se ao jornalismo.
Jorge Calmon sem ser político, exerceu cargos políticos e administrativos com notável desempenho, dedicou-se sobre tudo a apoiar e incentivar organizações culturais como a Academia de Letras da Bahia e da Associação Baiana de Imprensa, centros permanentes e necessários da cultura de um Estado.
Jorge Calmon foi convidado para a pasta de secretário do interior e da justiça, cargo que exerceu no ano de 1963 a 1966. Ocupou o cargo de ministro do Tribunal de Contas no Estado entre 1967 a 1971.
Jorge foi relator de Contas do governo no ano de 1969.
Jorge Calmon foi presidente da Rádio Cultura da Bahia, ano 1955 e foi membro do grupo de trabalho constituído pela Presidência da República, a fim de estruturar a Agência Brasileira de Notícias, ano de 1961.
Jorge foi decano da Imprensa Baiana
Fundação do Curso de Jornalismo na Bahia
O jornalista Jorge Calmon teve participação direta, na criação do curso de jorna-lismo na Bahia. Foi professor voluntário de Técnica de Jornal, no curso de jornalismo da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, atual Ufba, no ano 1956.
A convite do profº Edgar Santos, reitor da Instituição, organizou curso de jornalismo ocupando cargo de Chefe dos Departamentos de História e de Jornalismo; foi vice-diretor da Faculdade de Filosofia (1961/ 1964) e presidente do Núcleo da Bahia da Associação Nacional dos professores de História.
Jorge Calmon Acadêmico
Jorge Calmon tomou posse na Academia de Letras da Bahia no ano de 1965, coroando com êxodo a sua magnífica trajetória tanto no jornalismo baiano, como em outras atividades culturais do estado da Bahia, fazendo aparte de um celeto grupo de “imortais” da referida Academia.
Jorge Calmon na Associação Baiana de Imprensa
Jorge Calmon depois de ter prestado relevantes colaborações, em diversas fases da Associação Baiana de Imprensa, foi eleito presidente para o biênio de 1977 / 79, sendo sócio benfeitor. Jorge nesse período defendeu ardentemente a liberdade de Imprensa – a mais necessária de todas as liberdades.
Pela a sua atuação notável na ABI – Associação Baiana de Imprensa, lhe conferiu a mais significativa comenda – a Medalha de Mérito Jornalístico pela primeira vez, a Jorge Calmon, uma honraria ao jornalista que tanto enobrecia a classe jornalística da Bahia e do Brasil.
Jorge foi membro da Academia Brasileira de História, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, passando a sócio benemérito em 15 de maio de 1993, por proposta do Dr. Edivaldo Machado Boaventura, sendo até a sua morte Presidente de Honra.
Jorge foi sócio correspondente do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, eleito por proposta do então Presidente Américo Jacobina Lacombe, em 14/ 12/ 1977, sócio benemérito e presidente da Associação Baiana de Imprensa, 1970/ 1972 e membro da Comissão de Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa.
Jorge Calmon na Política
Jorge Calmon foi eleito e reeleito Deputado Estadual à Assembléia Legislativa no ano de 1947/ 1955, sendo vice-líder da bancada legislativa. Foi eleito inicialmente pela União Democrática Nacional (UDN) e em seguida pelo Partido Libertador (PL) tendo participado da elaboração da Constituição da Bahia, após a redemocratização que se seguiu com o fim da era Getúlio Vargas (Estado Novo), em 1945.
Jorge Calmon como Deputado Estadual participou dos trabalhos da primeira Constituição da Bahia, sendo o autor do artigo que segurou a cidade de Salvador a sua Lei Orgânica.
Jorge Calmon Escritor
Jorge Calmon escreveu ao longo da sua vida os inúmeros livros, discursos con-ferências, prefácios e artigos como Conceito de História, A Revolução Americana- Quatro Estudos, Imprensa Oficial no Brasil, Manuel Querino, o jornalista e o político. No ano de 1998 publicou As Estradas Corriam para o Sul, livro que apresenta uma análise minuciosa do fenômeno da migração nordestina para a Região Sudeste, especialmente para o estado de São Paulo, durante quatro décadas.
O prefácio desse livro foi assinado pelo geólogo Milton Santos.
Homenagens e Títulos
O jornalista Jorge Calmon devido a sua intensa participação na vida cultural e
social da cidade Salvador foi homenageado com vários títulos:
Profº emérito da Universidade Federal da Bahia;
Membro benfeitor da Academia de Letras da Bahia;
Membro da Academia Brasileira de História;
Administrador do ano (1984) ortogado pela Escola da Administração da Ufba;
Cavaleiro da Ordem de Malta, além de vários títulos de cidadão honorário.
No ano de 2001 foi inaugurada no Forte de São Diogo, na Barra, cidade de
Salvador o Museu da Comunicação Jorge Calmon, cujo acervo é formado de
contribuições das áreas de jornalismo, publicidade, televisão e radiofonia.
Jorge recebeu também outras condecorações:
Ordem do Mérito da Bahia, no grau de Grande Oficial;
Medalha Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras;
Ordem do Mérito das Comunicações, Grande Oficial
Medalha Thomé de Souza da Câmara de Salvador, dentre outras condecorações.
Jorge Calmon foi titular da cadeira Nº 34 do Instituto Genealógico da Bahia.
Pesquisado o Jornal A Tarde, de 19/12/2006 na Revista Instituto
Genealógico da Bahia Nº 22.
Genealógico da Bahia Nº 22.
LIGAÇÃO GENEALÓGICA
COM CHIQUITINHA MARAVILHA
COM CHIQUITINHA MARAVILHA
Dr. Guilherme Meireles Viana (Bacharel em Ciências Juristas, Faculdade de Recife no período, Promotor Público MATENSE, Vereador Matense, Coletor Federal...), casado com D. Carlota Alves Muniz de Aragão, descendentes dos Muniz Aragão de Pedro Calmon.
Dr. Guilherme Batista Viana foi Vereador na Vila de Mata de São João, Coletor em Alagoinhas e outras funções.
Dr. Guilherme Batista Viana irmã de Joana Amélia Batista Viana (nome de solteira, de casada).
Joana Amélia Viana Teixeira, casada com o médico político, Dr. Antonio Rodrigues Teixeira (primos carnais). Joana e Dr. Antonio trisavôs MATERNOS de Gamaliel Chagas, Chiquitinha Maravilha. Dr. Antonio primeiro Intendente de Mata de São João em 1890.
Guilherme Meireles Viana tio tetravô de Chiquitinha.
BARÃO DE CAMAÇARI
Dr. ANTONIO CALMON DE ARAUJO GÓES
Também na ligação de Antonio Calmon de Araujo Góes, casado em 1ª núpcias com Rosa Joaquina Reis Meireles, pai de um único filho, Manoel Meireles de Araujo Góes, nascido em Catu/Bahia.
Rosa Joaquina dos Reis Meireles, filha do casal Cel. Luiz Antonio Meireles e dona Joaquina dos Reis, ela falecida em Catú/ba. em 12/06/1858 e Cel Luiz Antonio falecido na cidade de Mata de S. João, década de 1850, onde foi sepultado na Igreja do Bonfim de Mata (onde estão sepultados mais de 85% dos descendentes da família de Chiquitinha Maravilha a partir de 1758 quando foi inaugurada a citada igreja Matriz do Senhor do Bonfim de Mata em 1758.
Rosa Joaquina filha do Cel Luiz Antonio Meireles e Ana Joaquina dos Reis (estes penta avôs de Chiquitinha Maravilha), pais da tetra avó materna de Chiquitinha Maravilha, Dona Amélia os Reis Meireles, casada com o Major Guilherme José Batista Viana, os pais dentre outros filhos de Joana Amélia Meireles Viana, esta casada com o médico político e agricultor, Dr. Antonio Rodrigues Teixeira trisavôs materno de Chiquitinha Maravilha (Gamaliel Sales Chagas).
GOVERNADOR DA BAHIA INTERINO 1895
O Barão de Camaçari foi agricultor, deputado Baiano na Constituinte 1891, Senador Estadual, e foi Governador Baiano Interino de 28/10/ a 20/11/1895, por ser Presidente do Senado Estadual em 1895 . Barão de Camaçari nasceu em Sebastião do Passé em 07/03/1828.
HOMENAGEM PÓSTUMA:
ABI homenageia jornalistas baianos
por
Naira Sodré
Publicada em 06/11/2013 02:10:28
GALERIA DE FOTOS
O presidente da ABI, Walter Pinheiro, homenageia os jornalistas
Jorge Calmon, Samuel Celestino e July Isensée
Ontem (dia 05/11/2013) aconteceu na Associação Bahiana de Imprensa, uma manhã de homenagens a três grandes jornalistas que marcaram as suas carreiras na imprensa baiana, no Jornal A Tarde. Jorge Calmon, Samuel Celestino e July Isensée. Segundo o presidente da ABI, Walter Pinheiro, os objetivos da entidade foram de prestar reconhecimentos à Bahia, a imprensa e a cultura baiana, em uma data tão importante quanto a de hoje, 5 de novembro – Dia Nacional da Cultura. Para homenagear Jorge Calmon, que ingressou no jornal em 1934 e por quase meio século foi diretor-redator chefe, a ABI constituiu uma comissão, presidida pelo presidente da entidade, Walter Pinheiro, para organizar o centenário de nascimento de Jorge Calmon, que ocorre em 2015.
Jorge Calmon foi um dos maiores jornalistas da Bahia. Foi presidente da ABI por dois anos, afastando-se para ser chefe da Casa Civil do governo Lomento Jr., deputado estadual duas vezes, inclusive constituinte em 1946, foi também integrante da Academia de Letras da Bahia, na qual ocupou a cadeira 23. Por coincidência, após a sua morte, foi eleito para ocupá-la o jornalista Samuel Celestino. As homenagens aos três jornalistas coincidem com o aniversário de 101 anos de A Tarde, onde os jornalistas construíram as suas carreiras, comandados pelo inesquecível Jorge Calmon.
Ao agradecer a homenagem, Samuel Celestino disse que se sentia honrado em receber homenagens da ABI, entidade que presidiu por 25 anos. “É uma honra muito grande que a mim foi dada pelos meus companheiros de instituição”, disse O local onde hoje está o auditório já funcionou a sala do cafezinho da Assembleia Legislativa que ele frequentava como repórter de política. ”Daqui, dá para ver o Centro Histórico e contemplar 23 torres de igrejas antigas, além da bela vista da baía”, afirmou Celestino.
Pioneirismo
“A ABI sai na frente, mas estamos abertos à colaboração de outras instituições onde Jorge Calmon teve papel fundamental como ALB, IGHB, Fundação Casa de Jorge Amado e outras”, diz o diretor de Cultura da ABI, Luis Guilherme Pontes Tavares, ao destacar a colaboração de Jorge Calmon para a criação do primeiro curso de jornalismo da Bahia, sediado na Faculdade de Comunicação da Ufba.
SITE BAHIA NOTÍCIASSegunda, 04 de Novembro de 2013 - 09:20ABI homenageia Jorge Calmon, July e Samuel Celestino
Foto: Arquivo / Ag. A Tarde
A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) homenageia, às 10h desta terça feira, três jornalistas que marcaram as suas carreiras em A Tarde – Jorge Calmon, que ingressou no jornal em 1934 e por quase meio século foi diretor-redator chefe; July, colunista social desde 1963; e o cronista político Samuel Celestino, que ingressou no jornal como editor político em 1974, a convite de Jorge, e devolveu a A Tarde a coluna política que fora suspensa após o AI-5 em consequência da censura. Jorge Calmon foi um dos maiores jornalistas da Bahia. Foi presidente da ABI por dois anos, afastando-se para ser chefe da Casa Civil do governo Lomanto Jr., deputado estadual duas vezes, inclusive constituinte em 1946, integrante da Academia de Letras da Bahia, na qual ocupou a cadeira 23. Por coincidência, após a sua morte, foi eleito para ocupá-la o jornalista Samuel Celestino. A ABI constitui, nesta terça, uma comissão de cinco membros, presidida pelo presidente da entidade, Walter Pinheiro, para organizar o centenário de nascimento de Jorge Calmon, que ocorre em 2015. A colunista July será condecorada com a medalha Ranulpho Oliveira que, durante anos, foi presidente da entidade e construiu o edifício sede da associação, que tem o seu nome. Samuel Celestino, atualmente presidente da Assembleia Geral da ABI, será homenageado com a denominação do seu nome ao auditório da entidade dos jornalistas baianos, de onde se divisa uma das mais belas vistas de Salvador. Celestino presidiu a associação durante 24 anos, em sequência a 12 mandatos consecutivos. As homenagens aos três jornalistas coincidem com o aniversário de 101 anos de A Tarde, onde os homenahgeados construíram as suas carreiras, comandados pelo inesquecível Jorge Calmon.
ACBEU edita livro para homenagear o saudoso jornalista Jorge Calmon
Por Rafael Arruda em quarta-feira 20/04/2011 - 12:00
Como parte das homenagens ao seu fundador e presidente de honra por mais de sessenta anos, Jorge Calmon Moniz de Bittencourt, a Associação Cultural Brasil Estados Unidos – ACBEU editou um livro que traça a trajetória do jornalista como homem público e de sua atuação na vida cultural baiana. A edição bilíngüe tem como objetivo ser utilizada como material didático junto aos alunos da instituição para que os mesmos conheçam um pouco da memória do professor, escritor, jornalista e administrador Jorge Calmon, que tanto contribuiu para a cultura, a educação e as comunicações na Bahia. Organizado por Jorge Calmon Filho, a publicação é uma coletânea de trechos do livro Jorge Calmon – O Jornalista, organizado por Edivaldo Boaventura, e da transcrição da Sessão Especial da Assembléia Legislativa da Bahia de 11 de maio de 1995.
Com prefácio assinado por Arthur Guimarães Sampaio, presidente da ACBEU, e depoimentos de Samuel Celestino, jornalista e presidente da Associação Baiana de Imprensa, e de Consuelo Pondé de Sena, presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, dentre muitos outros, o livro revela passagens, vivências e fatos curiosos da trajetória de Jorge Calmon. O livro destaca a personalidade, estilo de vida, valores, qualidades e realizações do saudoso jornalista.. Jorge Calmon exercia a liderança com excelência, confiando em seus colaboradores e respeitando as diferenças, e tinha uma habilidade ímpar para encontrar soluções no seu dia-a-dia à frente da redação do Jornal A Tarde e como colaborador permanente de muitas entidades. “É um tributo à memória de um cidadão e de um líder dedicado à Bahia, que servirá de exemplo às novas gerações para a construção de um futuro melhor”, conta Arthur Guimarães Sampaio.
Jorge Calmon trabalhou no Jornal A Tarde por 67 anos, dos quais 47 como redator-chefe. Era Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia, membro da Academia de Letras da Bahia, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Associação Baiana de Imprensa, tendo colaborado intensamente com as atividades desenvolvidas por essas instituições. Bacharel em Direito, foi Deputado Estadual (de 1947 a 1951), Secretário do Interior e Justiça e Ministro do Tribunal de Contas da Bahia. Homem de envergadura moral, fino humor, discrição e polidez, sua atuação foi reconhecida através da conquista de inúmeros prêmios e homenagens, dentre os quais a Medalha Tomé de Souza da Câmara de Salvador, e a Medalha Machado de Assis por sua brilhante atuação no jornalismo.
Fonte: Joana Maltez - Jornalista DRT/BA 2880 - Assessoria de Comunicação Corporativa - ACBEU
FEITOS& DESFEITAS
Domingo, 20 de Abril de 2014 | ISSN 1519-7670 - Ano 17 - nº 794
JORGE CALMON (1915-2006)O jornalismo e o jornalista
Por Sérgio Mattos em 24/11/2009 na edição 565
trabalho apresentado durante mesa-redonda sobre Jorge Calmon promovida pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), realizada no salão nobre no dia 26 de outubro de 2009. O evento serviu para marcar o lançamento do livro Jorge Calmon, o jornalista, organizado por Edivaldo Boaventura. Jorge Calmon trabalhou no jornal A Tarde de 1934 a 1996. Ele nasceu em 7 de julho de 1915 e morreu em 18 de dezembro de 2006.
O objetivo deste trabalho/depoimento é acrescentar aspectos sobre como Jorge Calmon via e pensava o jornalismo e o jornalista, que não tenham sido contemplados no livro intitulado Jorge Calmon, o jornalista, organizado pelo professor Edivaldo Boaventura e que o IGHB está lançando [26/10/2009]. Assim sendo, apresento aqui uma visão geral de seus ensinamentos sobre o que é ser jornalista e o que é o jornalismo.
Em seu discurso de posse na Academia de Letras da Bahia, em julho de 1965, Jorge Calmon definiu o jornalista como sendo...
...o depositário do contrato feito pela sociedade com uma instituição particular – a imprensa – para que proteja o interesse público, fiscalize os governos, denuncie os abusos, clame contra as violências, ampare as liberdades, advogue pelos desprotegidos, zele pelo Direito, propugne pelo progresso, pela prosperidade coletiva para a construção pacífica e harmoniosa do futuro (Calmon, 1970).
Com plena consciência da dimensão dessa definição, Jorge Calmon gostava de ser identificado como jornalista, porque sempre foi homem de jornal. Não hesitava em afirmar: "Jornalista tenho sido, mais que qualquer outra coisa, no terreno das letras". Gostava de transformar suas idéias, opiniões, fatos e histórias em sinais gráficos, publicar em letra de forma. Como também gostava de ver publicado no jornal que dirigia, o jornal A Tarde, criado por Ernesto Simões Filho, textos bem escritos, notícias bem apuradas, verdadeiras e dentro dos princípios éticos.
O ato e a prática de escrever, diariamente, como hábito e dever, além de ler bons autores, era o que aconselhava, principalmente aos principiantes, como o meio mais eficaz para melhorar a qualidade do texto e ingressar na arte de bem dizer. Para ele a primeira regra para dominar a "arte de bem dizer" é ter perfeito conhecimento da gramática, escrever com naturalidade e simplicidade:
...se na prosa literária o emprego de palavras não-usuais é desaconselhável, na linguagem jornalística isso se torna uma aberração, pois o texto da notícia, ou do comentário, há de ser despojado, a modo do falar coloquial. O leitor de jornal não deve precisar de dicionário. [...] Sem prejuízo dos elementos essenciais da notícia, o jornalista deve ter a liberdade de escrevê-la conforme entenda que há de chegar ao leitor. Para gozar dessa liberdade, ele precisa adquirir autonomia de texto, vale dizer que seja capaz de produzir texto definitivo, dispensado de revisão e correção (Calmon, 1999).
Visto sob este ângulo, ele acreditava que um jornalista só obteria sucesso na profissão quando tivesse conquistado plena autonomia de texto. Cometer erros elementares na redação de qualquer texto jornalístico era considerado como "conseqüência de desleixo, inapetência, falta de auto-estima". Só depois da almejada autonomia de texto, o jornalista poderia se aventurar em outros gêneros jornalísticos que não apenas o informativo. Para Jorge Calmon, o gênero opinativo "é o mais importante, e, ao mesmo tempo, o mais delicado da ética da comunicação", porque é o espaço no qual o jornalista pode exercitar um dos papéis mais elevados do jornalismo, no qual ele passa a ser o "porta-voz de sua comunidade, para comentar os grandes fatos correntes, emitindo seu ponto de vista, que há de coincidir com o pensamento... [de seus] leitores".
Comunicação honesta
As quatro funções sociais básicas do jornalismo são: educar, informar, fiscalizar e entreter. Para bem desempenhar essas funções, portanto, a ética é imprescindível. Jorge Calmon tinha consciência disso e alertava:
...quando o jornalista se apresenta como fiscal da gestão de assuntos públicos [...], quando denuncia ou censura, não pode ter rabo-de-palha, encontrar-se exposto a justificado descrédito. Nem deve esperar, de parte da coletividade, retribuição, sob qualquer forma, pelo seu trabalho de saneamento da vida pública. Por mais útil que seja à sociedade, o jornalista dificilmente será estimado. Esta é, todavia, uma regra que comporta exceções (Calmon, 1999).
Neste ano de 2009, o jornalismo sofreu um retrocesso a partir do momento em que a o Tribunal Superior de Justiça decidiu acabar com a obrigatoriedade do diploma de nível superior para o exercício jornalístico, desconsiderando o quanto a formação superior e a existência dos cursos de jornalismo contribuíram para o avanço e a melhoria dos conteúdos de nossa imprensa e para a valorização dos princípios éticos. Jorge Calmon, que sempre acompanhou de perto a questão, que vinha se arrastando desde que surgiu o primeiro curso universitário de jornalismo no Brasil, foi um dos responsáveis pela implantação, em 1949, do primeiro curso de Jornalismo na Bahia, no qual começou a lecionar gratuitamente.
Sua conduta sempre foi intransigente na defesa da liberdade de imprensa e na manutenção dos cursos de jornalismo. Como diretor-redator chefe de A Tarde só contratava profissional que fosse diplomado. Quando paraninfo da turma de jornalismo de 1986, da UFBA, proferiu um discurso, intitulado "Oito razões (dentro muitas outras) para que exista Curso de Jornalismo", republicado no livro Apontamentos para história da imprensa na Bahia, no ano de 2008. Sintetizando as razões que favorecem o funcionamento dos cursos de jornalismo, Jorge Calmon enumerou:
... a opção vocacional; a seleção dos mais aptos ao exercício da profissão; o preparo para o ofício; o conhecimento da ética do jornalismo; o estudo da legislação de imprensa; a formação universitária do comunicador; a profissionalização definitiva do jornalista; e, afinal, a estabilidade econômica da categoria.
Dentre essas razões, destaca-se "a conscientização da ética da imprensa". Segundo Jorge Calmon a ética é a parte mais nobre do jornalismo:
Comunicação desamparada de princípios morais passa a ser algo como uma agressão aos sentimentos da comunidade, na medida em que se torna um agente de corrupção de costumes, e de inversões de valores. O paladar de uma comunicação dessa natureza não distingue, por exemplo, entre o crime e a ação útil, senão para alardear aquele, em busca de ressonância no seio da massa. A comunicação corretamente orientada, pelo contrário, se não subtrai o registro do crime, do fato negativo, já que seu dever é informar, todavia lhe retira o destaque gritante, privilegiando, em termos de espaço e de tempo as notícias de real interesse público. E ela, a comunicação honesta, assim procede porque procura agir dentro da ética. Análogo será o seu comportamento perante inumeráveis situações outras. Porque a ética não alcança apenas o tratamento do fato que tem de ser levado ao conhecimento do público; envolve, também as relações entre os veículos que trabalham na mesma área, bem como entre os comunicadores, uns para com os outros" (Calmon, 2008) .
Fiscal da sociedade
Ao longo dos 32 anos em que trabalhei no jornal A Tarde pude desenvolver, com total apoio de doutor Jorge Calmon, vários produtos jornalísticos e perceber que ele gostava de inovações, mas tinha que acompanhar o desenvolvimento dos projetos de perto, fazendo elogios e sugestões críticas, por meio de seus bilhetinhos, sem jamais interferir diretamente na autonomia do editor. Quando queria a publicação de alguma matéria, elegantemente, solicitava, caso houvesse espaço que a mesma fosse publicada em tal página e em tal posição, com ou sem ilustração. Na verdade, seu pedido era uma ordem e esta prática ele estendia a todos os setores do jornal e seus pedidos eram sempre atendidos.
Doutor Jorge gostava também de ser consultado por seus editores. Assim desenvolvíamos uma relação de confiança. Sabíamos até onde poderíamos ir sozinhos e nas dúvidas, recorríamos a ele que daria sempre a orientação final. Esta prática criava um elo de confiança, de mão dupla, necessário para que os editores pudessem trabalhar em horários outros não coincidentes com o da jornada que ele dava no jornal. Quando desempenhei a função de editor de Cidade (editoria local), trabalhando à noite, ele sempre telefonava para saber as principais matérias do dia e quando, em várias oportunidades, fechei também a primeira página, ele combinava a manchete, muitas vezes ditando-a, por telefone, com o número de caracteres exatos.
Recordo-me também de um fato, durante um período eleitoral, quando editava o suplemento A Tarde Municípios: ele entrou mansamente na redação (na época nós mantínhamos uma redação separada só para o interior), cumprimentou a todos, elogiou o caderno, afirmando ser uma dos melhores produtos que o jornal havia criado nos últimos anos, "uma ilha de excelência no jornalismo regional". Depois, folheando o exemplar do dia, abriu a página dedicada à cobertura política dos candidatos majoritários no interior e comentou: "você está fazendo um belo trabalho. Um trabalho jornalístico democrático, dando o mesmo espaço a todos os candidatos..." e, apontando para a fotografia de um deles, deixou escapar, "mas este não vale o espaço que está recebendo" e, em seguida saiu rapidamente da sala, como quem deu o recado e não queria ouvir qualquer explicação ou contestação. Sobre o assunto nenhum outro comentário foi feito no sentido de coibir ou de censurar o trabalho que estávamos fazendo. Continuamos a dar o mesmo espaço a todos. O curioso é que pouco tempo depois as normas de divulgação eleitoral do TRE passaram a "orientar" o jornalismo impresso no sentido de dar oportunidades iguais (o mesmo espaço) a todos os candidatos.
O elogio ao trabalho executado nos colocava em evidência, mas também servia para que fossemos envolvidos em novos projetos que ele criava, tais como as várias campanhas que desenvolveu. Lembro de ter coordenado, sob sua orientação direta, algumas campanhas como a da recuperação da BR-101 (trecho no sul a Bahia) e algumas mesas-redondas, como a da lavoura cacaueira, da habitação e da fome, que resultaram em cadernos especiais com a participação das mais altas autoridades do estado, em busca de encontrar soluções para os problemas sociais e econômicos da Bahia.
Em síntese posso dizer que Jorge Calmon fazia de tudo para que o jornal que ele dirigia, o jornal A Tarde, praticasse um jornalismo de acordo com os padrões da boa comunicação. E assim buscávamos seguir suas orientações no sentido de fazer um jornalismo comprometido com a verdade, que informava com exatidão, sem nada esconder. Para ele o bom jornalismo/jornalista sabe desprezar as seduções oferecidas pela própria influência, para manter-se fiel à sua missão. O bom jornalismo é aquele desvinculado de intimidade com o poder e com grupos de qualquer natureza. Dr. Jorge dizia também que o bom jornalismo assume, sem vacilações, o papel que a sociedade lhe confere, de fiscal dos assuntos públicos.
Fonte preciosa
Jorge Calmon, apesar de ser diplomado em Direito, foi um homem que dedicou toda a sua vida ao jornalismo, tendo trabalhado por mais de 60 anos no jornal A Tarde. Nos últimos anos, de certa forma, vinha sistematizando o seu pensamento sobre o que é ser jornalista e sobre o jornalismo por meio de entrevistas concedidas, artigos e discursos pronunciados. A seguir alguns pensamentos dele:
** O Jornalista é, realmente, a testemunha da história. Especialmente quando ele tem a obrigação de dirigir ou coordenar a cobertura dos fatos.
** Para ser digno da singular posição a ele reservada na sociedade democrática, o jornalista tem de acreditar, firme e sinceramente, nessa abstração que se chama interesse público. E, porque nele acredita, tem de defendê-lo com intrepidez e veemência.
** O bom jornalista deve saber escrever e ter agressividade. O desanimado e burocrata, que espera pelo fato, este não é jornalista. Só considero mesmo jornalista aquele que tem o calor, o interesse pela notícia.
** Acho que o jornalismo só tem beleza quando tem sentido social. O jornalista deve ser um combatente do interesse coletivo, e não um carreirista.
** A credibilidade se constrói vagarosamente e se destrói por muito pouco. Se o jornal escorregar, se sair do sério, se virar instrumento de negociata, o leitor percebe.
** À imprensa cabe a informação minuciosa com a interpretação e o comentário que a televisão não pode fazer.
** Dizer que não há nenhuma censura em jornal seria faltar com a verdade. Existe uma censura moral, como existe na consciência de cada um de nós. Não praticamos determinadas coisas porque refletimos e vemos que não podem ser praticadas. Assim também é no jornalismo.
** Uma coisa essencial é a ética do jornalismo. Quando deixar de exercer função social, o jornalismo se enquadrará em qualquer outra atividade, será um balcão de negócios, uma banca de engraxate, uma loja.
Para complementar e dar uma idéia geral de como ele se comportava perante um texto, transcrevo, a seguir, parte do prefácio que ele escreveu, em 1990, para um livro de minha autoria, no qual ele revela o hábito que tinha de corrigir tudo o que lhe caía às mãos, escrito com a elegância de quem sabe a força de cada palavra:
Começo este prefácio falando de mim mesmo, em vez de começar falando sobre o autor e seu trabalho. No entanto, não vou propriamente falar de mim – o que não teria o mínimo cabimento – mas de um costume que tenho, contraído por força do hábito na rotina do jornal, qual seja o de acompanhar de pequenas corrigendas, feitas a lápis, a leitura de certos textos que me dão a conhecer. Claro que as observações feitas assim não têm sentido compulsório; o dono do trabalho fica com inteira liberdade para aceitá-las ou não; sendo colocadas a lápis, basta um leve esfregão de borracha para sumirem do papel, retornando a página à limpeza primitiva, e talvez, em troca de limpeza, devolvidos os equívocos que o censor amigo procurou suprimir.
Em alguns casos, esse costume, bem intencionado, mas impertinente, reconheço, leva-me a invadir o pensamento do autor do texto, propondo linguagem diferente para a idéia que ele quis expressar, a fim de melhor situá-lo perante o futuro leitor. Pois foi isso o que aconteceu quando me pus a ler este trabalho de Sérgio Mattos.
Vejam o que sucede quando se age precipitadamente, como agi. É que não gostara, a princípio, da maneira como ele se refere ao seu próprio trabalho, tendo-me parecido que se antecipava, com o auto-elogio, ao julgamento que terceiros viessem a fazer. Na apresentação do trabalho diz ele que "nada melhor para registrar "(o 40º aniversário da televisão brasileira) "do que a publicação de um livro como este". Sugeri a alteração da frase, para diminuir a importância que ele atribuía ao livro. Entretanto, ao terminar a leitura dos originais, voltei à primeira página e apaguei a observação escrita a lápis, porquanto o que poderia ser tomado como imodéstia não é senão a justa consciência do valor de um trabalho feito com grande esforço, trabalho que representa uma contribuição notável para o estudo da televisão em nosso país, sendo um balanço, enxuto e equilibrado, da ação desse veículo no decurso dos seus quarenta anos de existência entre nós, assim como uma fonte preciosa de informações e de orientação para os estudiosos. Emendei a mão, portanto. O livro de Sérgio efetivamente "resgata a trajetória da televisão. Registrando-se as influências sócio-culturais e políticas que interferiram direta e indiretamente no seu processo de desenvolvimento (...). (Calmon, 1990).
Honra e experiência
Dr. Jorge Calmon era um verdadeiro cavalheiro, sereno, sincero e fiel aos seus princípios. Um homem sem medos que procurava manter uma conduta simples e impecável, que sabia se expressar até com o olhar, mas gostava mesmo era de mandar bilhetinhos para todos os seus subordinados. Era também muito econômico nos elogios e gostava de escolher o que devíamos exercer dentro e fora do jornal. Quando determinava o que devíamos fazer, ele simplesmente comunicava à pessoa o que ela iria exercer e quando havia uma recusa, imediatamente reagia dizendo: "ou você indica uma pessoa com o mesmo nível para assumir ou você mesmo é quem vai fazer". E quanto a isto era irredutível, principalmente se o indicado não aceitasse o que havia sido determinado.
Recordo-me que uma situação, quando como editor de suplementos, editava também o Jornal de Utilidades, eu dedicava minhas manhãs ao jornal e ensinava na Faculdade de Comunicação da UFBA nos turnos vespertino e noturno. Foi nessa época, em meados dos 1970, que ele resolveu que eu tinha que assumir a Editoria Política do jornal, querendo me transferir para o turno noturno. Diante de minha impossibilidade, fiquei com a incumbência de indicar uma pessoa. Na época, o jornalista Samuel Celestino, com quem trabalhei na cobertura jornalística da política local, ele então no Jornal da Bahia e eu na Tribuna da Bahia, estava fora de jornal. Indiquei, então, seu nome a Dr. Jorge, reforçando que era um profissional competente e experiente na área. Seu nome foi aceito e Samuel foi então convidado, tendo aceitado o convite e permanece até os dias de hoje no jornal, além de ter sido indicado por Jorge Calmon para a presidência da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), onde também se encontra há mais de 20 anos.
Em outra oportunidade, quando já estava como editor dos suplementos A Tarde Municípios e do A Tarde Rural, Dr. Jorge queria que eu assumisse também a editoria do suplemento A Tarde Cultural, porque o editor tinha se afastado do jornal. Expliquei que não tinha condições de assumir mais um caderno, ainda mais sendo um produto completamente diferente dos que produzíamos. Até aí ele aceitou, mas inconformado e me chamando, ironicamente, de vice-rei da Bahia, porque nossos produtos circulavam e tinham muito prestígio em todos os 417 municípios da Bahia, foi taxativo: "tudo bem, ou você indica uma pessoa, ou vai ter que se virar com sua equipe".
Foi aí que novamente consegui indicar uma pessoa de nível e ele aceitou. Indiquei o nome do professor Florisvaldo Mattos, que tinha deixado o Jornal do Brasil e estava apenas ensinando na Faculdade de Comunicação. Dr. Jorge gostou da indicação, por ele ser jornalista, professor e poeta, e então me incumbiu de contatar com Florisvaldo para saber se ele tinha interesse e disponibilidade. Consultado, manifestou-se interesse. Marquei o dia do encontro e o professor foi convidado pessoalmente por Jorge Calmon. Florisvaldo Mattos realizou um excelente trabalho à frente do A Tarde Cultural e, em conseqüência, recebeu alguns prêmios nacionais e hoje está exercendo a função de editor chefe de A Tarde.
Dr. Jorge Calmon sempre que desejava imprimir alguma mudança no jornal me procurava e possivelmente também a outros profissionais que gozavam de sua confiança. Talvez porque eu fosse o único profissional da empresa que detinha o título de PhD em Comunicação, obtido em universidade norte-americana, ele sempre estava a me consultar, querendo ouvir e saber minha opinião sobre isto e mais aquilo, mas nem sempre aceitou minhas idéias, pois quando já tinha decidido alguma coisa, dificilmente voltava atrás. Era um homem que tinha objetivos e tudo que concebia tinha que ser iniciado e concluído.
Em síntese, ele sabia prestigiar, colocar sua equipe em evidencia e, ao mesmo tempo, exigir de seus editores a realização de algum trabalho extra ao do jornal. Muitas vezes fui indicado para realizar palestras em nome do jornal ou para representar Dr. Jorge Calmon, dona Regina Simões de Melo Leitão (presidente do jornal) e ou Dr. Renato Simões (superintendente do jornal) nas mais variadas solenidades, seminários e encontros, inclusive um, realizado em Vitória do Espírito Santo, promovido pelo jornal A Gazeta, de Carlos Lindemberg, no qual foi plantada a semente que deu origem a Associação Nacional dos Jornais (ANJ).
É por tudo isso que posso dizer que ter trabalhado no jornal A Tarde, sob a liderança de Dr. Jorge Calmon foi uma grande honra e uma experiência de vida fantástica. [Salvador, 26 de outubro de 2009]
***
Referências
CALMON, Jorge. Discurso de posse. Revista da Academia de Letras da Bahia. Salvador, n.21, p. 85-93. 1962-1970.
CALMON. Jorge. Jornalista e escritor. Depoimento no programa do Instituto de Letras da UFBA e da Fundação Casa Jorge Amado intitulado "Com a Palavra o Escritor". Salvador: 28 jul. 1999.
CALMON, Jorge. Oito Razões (dentre muitas outras) para que exista Curso de Jornalismo. In TAVARES, Luis Guilherme Pontes (org.). Apontamentos para a história da imprensa na Bahia. Salvador: Academia de Letras da Bahia, 2ª Ed., pp. 199-211.
CALMON, Jorge. Este livro e seu autor (prefácio). In : MATTOS, Sergio. Um Perfil da TV Brasileira: 40 anos de história: 1950-1990. Salvador: Associação Brasileira de Agências de Propaganda/Capitulo Bahia; A Tarde, 1990, p.9-11.
MATTOS, Sergio. Jorge Calmon, o ponto de referência. Neon, Salvador, n.47, dez.2004.
MATTOS, Sérgio. Relicário comunicacional e literário. Salvador: Contexto & Arte editorial, 2008.
TAVARES, Luis Guilherme Pontes (org.). Apontamentos para a história da imprensa na Bahia. Salvador: Academia de Letras da Bahia, 2008;
Jornalista, escritor professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e secretário geral do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia para o biênio 2008-2009
GALERIA DE FOTOS
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Foto II Congresso de História da Bahia, Professor Jorge Calmon e Pedro Calmon, este
ao lado da sua irmã D. Dulce Calmon de Almeida, na sessão inaugural do Congresso. Jorge
e Pedro Calmon irmãos. Foto Revista do Instituto Genealógico da Bahia,
ano 193, n. 219, pág. 157 |
A CASA DA TORRE DE GARCIA D'ÁVILA NO SÉCULO XX
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CEL ANTONIO JOAQUIM PIRES DE CARVALHO E ALBUQUERQUE
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RELÍQUIAS HISTÓRICAS
DE MATA DE SÃO JOÃO
Cidade de Mata de São João na década de 1950
RELÍQUIA HISTÓRICA DA ENTÃO VILA DE MATA DE SÃO JOÃO /DÉCADA DE 1910!
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Cidade de Mata de São João na década de 1950
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SÃO JOÃO BATISTA - PADROEIRO DE MATA DE S. JOÃO/BA
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SÃO JOÃO BATISTA BATIZANDO JESUS CRISTO
no Rio Jordão. S. João Batista Padroeira de Mata de São João/BA. QUADRO DE FAIANÇA PORTUGUESA NO VARANDAL DA CASA RESIDENCIA DE CHIQUITINHA MARAVILHA / ceramista Eduardo Gomes, lusitano de Aveiro/Portugal. Data do fabrico do painel ano 1984
AS FOTOS DA FESTA DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA...
JOÃO GUALBERTO VASCONCELOS EX-PREFEITO DE MATA DE SÃO JOÃO E LÍDER POLÍTICO DO MUNICIPIO MATENSE, PREFEITO MARCELO OLIVEIRA, VICE - JOSELITO, VEREADORES E DEMAIS PESSOAS GRADAS NA FESTA DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA NO PARQUE DA CIDADE.......
EX-PREFEITO JOÃO GUALBERTO COMANDOU A FESTADA EMANCIPAÇÃO, AO LADO DO PREFEITO MARCELO OLIVEIRA E VEREADORES DA SITUAÇÃO E OUTRAS PESSOAS GRADAS. JOÃO GUALBERTO CANDIDATO A DEP. FEDERAL NA CHAPA DA O
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