Em sua quarta convocação pela Seleção Brasileira Feminina Sub-20, a meia Laís vive um momento especial em sua carreira. Descoberta pelo Projeto Favela, em Salvador (BA), a jovem jogadora tinha 13 anos quando chamou a atenção do organizador do programa, Wilson Egídio. A admiração pelo talento da menina foi imediato, ao vê-la jogando bola com outras crianças na rua. Wilson custeou o curso de inglês para a jovem. Quatro anos depois, a jogadora mudou-se para Nova York, onde mora desde 2014. Jogando futebol pela universidade ASA College e cursando Justiça Criminal, uma vertente do curso de Direito, Laís pensa em trocar de área um dia. O que a fascina mesmo é o esporte. Além de o sonho de tornar-se uma jogadora profissional e ser uma treinadora no futuro, a meio de campo revelou que o seu maior desejo é participar de uma Olimpíada. Foi o maior evento esportivo do planeta que lhe apresentou o futebol feminino, como ela própria conta:
– Eu, assim como a maioria dos atletas, amo as Olimpíadas! Foi onde eu vi o mundo do futebol feminino pela primeira vez. Em 2004, nos Jogos de Atenas, na Grécia, eu assisti os jogos da Seleção Brasileira Feminina na minha escola e me apaixonei pelo esporte. Naquele ano, as meninas fizeram um campeonato brilhante, mas, infelizmente, o ouro não veio. Espero que seja a nossa vez esse ano, jogando em casa, seria um sonho muito lindo para a nossa Seleção. Desde a primeira vez que eu vi o futebol feminino nos Jogos, meu maior sonho se tornou participar deste evento um dia. Chegar até aqui, na Seleção Brasileira, já foi o primeiro e maior passo, agora, o próximo, será as Olimpíadas. Sei que não é fácil, mas a primeira parte do sonho já foi almejada e isso já é muito para mim. 
A um mês do início dos Jogos Olímpicos no Rio, Laís reconhece a importância do evento para o futebol feminino e relembra quando treinou com a Seleção Permanente em maio deste ano: 
– Minhas expectativas para as Olimpíadas no Rio é que o Brasil possa trazer o ouro desta vez. Não só por ser importante para o país, mas pela relevância que a medalha trará para cada uma das atletas do futebol feminino no Brasil. Por elas e nós, da Sub-20, que trabalhamos arduamente por um objetivo, o ouro será um grande mérito. Na nossa terceira convocação deste ano pela categoria Sub-20, tivemos o prazer e a honra de passarmos um período com a Seleção Feminina Permanente. Vivenciar um pouco o trabalho das meninas, ver o foco delas e principalmente a vontade no coração de cada uma foi uma experiência surpreendente. Para mim, será uma Olimpíada diferente, bem mais competitiva e de mais sucesso para o futebol feminino brasileiro. Com certeza estarei acompanhando cada jogo durante os Jogos da Rio 2016.
Morando nos Estados Unidos há dois anos, a jogadora analisa as características do futebol brasileiro e enxerga a combinação perfeita para atingir seu melhor jogo: 
– Como eu estudo e jogo bola nos Estados Unidos, é muito difícil eu não acompanhar o trabalho das americanas, elas são muito valorizadas lá. É uma experiência muito diferente da que a gente vive. No Brasil, o futebol é muito mais rápido, a gente passa a bola com mais habilidade e velocidade. Lá é diferente. Eu aprendi a estar sempre na bola, chegar com mais força e ter mais peito na hora do jogo. É uma combinação de técnica com jogo duro, e o resultado é futebol.
Para as Olimpíadas, Laís destaca que as brasileiras serão fortes adversárias para as americanas. 
– Por lá, nos Estados Unidos, todos estão muito animados para mais uma Olimpíada, mas reconhecem o crescimento da nossa Seleção e sabem que não será nada fácil ganhar a medalha de ouro com esse trabalho maravilhosos que as meninas da permanente estão fazendo e, principalmente, em casa. O aspecto mais forte do jogo americano na minha opinião, em todas as categorias, é a frieza de cada jogadora. Ela aproveitam cada oportunidade que o jogo oferece para elas e matam a jogada com eficiência. Espero que o Brasil possa ter essa característica também. Um dia eu assisti um vídeo da Alex Morgan, jogadora da Seleção Americana, respondendo perguntas sobre as Olimpíadas. E quando perguntaram a ela qual seria o maior desafio dos Estados Unidos, ela respondeu que seria o Brasil, que está se tornando uma potência muito grande no futebol feminino. As brasileiras vão dar trabalho e, por ser em casa, vai ser um desafio ainda maior para as americanas.
Laís se diz fã de Formiga, jogadora mais experiente da Seleção Principal, a leva como inspiração e recorda o passado em comum com a craque:
– Sempre fui muito fã da Formiga. A história dela no futebol feminino e na vida inspira muita gente, ela é uma atleta muito focada e dedicada. Como conterrânea, quem sabe um dia eu não possa seguir os passos desse exemplo de guerreira? Já tive a oportunidade de conhecê-la quando jogava pelo Camaçari, da Bahia, com a professora Dilma Mendes, que também já foi treinadora dela. O que ela tem de seleção eu tenho de idade, e é incrível poder conhecer alguém tão dedicada e humilde.
Concentrada no Centro de Treinamento João Havelange, em Pinheiral (RJ), com outras 23 atletas, Laís se prepara para o mundial da categoria, que acontece na Papua-Nova Guiné entre os dias 13 de novembro e 3 de dezembro.