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Ilustração
A revista Veja parece ter guardado outros nomes da política baiana para liberá-los aos poucos, a partir da denúncia feita por Dalva Sele Paiva, também petista de longas datas, para criar um clima denso e surpreendente a partir dos nomes citado. Na nova lista, além de Zezéu Ribeiro, que fora citado na edição do final da semana da revista (hoje no Tribunal de Contas do Estado), de Rui Costa, candidato a governador, Afonso Florence, ex-ministro de Dilma Rousseff, Nelson Pelegrino, o senador Walter Pinheiro (que reconheceu, mas alegou que não sabia a origem do dinheiro, imaginando ser do partido), agora saltam também, por liberação da revista, os nomes do ex-secretário de Saúde, Jorge Solla, o superintendente de Educação, Clóvis Caribé, a deputada Maria Del Carmem (que trabalhou com a denunciante na Conder). Enfim, o Instituto Brasil, a ONG comandada por Dalva Sele, mais parece uma pequena Petrobras encravada na Bahia. Quando se imaginava que, por estas bandas, o exemplo de corrupção era Luiz Argolo, vinculado ao doleiro Alberto Yousseff, surgem diversos petistas que terão que comprovar - em contestação à Veja - que nada tinham com o dinheiro que deveria se aplicado em casas populares. Se isso não acontecer, fica muito mal para o partido tirar dos pobres para injetar em campanhas políticas, de modo a beneficiar parlamentares, ou não, como é o caso do atual presidente da Embratur, José Vicente Lima Neto. O fato é que, diante do escândalo que ganha a cada dia dimensão maior, usado também na propaganda eleitoral na rede de tevê, deverá impor à promotora Rita Tourinho, do MP-BA, um trabalho imenso para levar o caso às ultimas consequências, inclusive também a delatora Dalva Sele Paiva.
Terça, 23 de Setembro de 2014 - 07:44
Coluna A Tarde: Denúncia abala política baiana
É pesada, muitíssimo pesada, a denúncia que a Veja estampou em seis páginas centrais da revista que está a circular, atingindo, em cheio, o PT baiano.
A delação foi feita por uma militante petista, Dalva Sele, presidente do Instituto Brasil, o que agrava, em muito, o escândalo. De acordo com o divulgado na reportagem da revista, Dalva, textualmente, afirma, na abertura da denúncia, que, "com os recursos dos convênios para a construção de casas populares, a gente empregava pessoas do PT, dava apoio a militantes que estivessem passando por dificuldades e alimentava as campanhas".
A partir daí desfila denúncias escabrosas atingindo nomes como os do candidato ao governo Rui Costa, o senador Walter Pinheiro, o deputado Nelson Pelegrino, o deputado e ex-ministro Afonso Florence e o presidente da Embratur, Vicente José de Lima Neto.
Todos os denunciados, de acordo com Dalva, recebiam dinheiro que deveria ser aplicado no projeto de construção das casas populares.
Não há momentos piores ou melhores para detonar, como é o caso deste escândalo divulgado pela Veja, revista que se especializou em denúncias. Dentre as quais as que envolvem a Petrobras, principalmente a última, que trouxe à luz um número indecente de políticos, entre os quais três governadores, 25 deputados e seis senadores.
A origem emergiu do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que balança a República a partir da troca das denúncias por uma delação premiada, consequentemente a diminuição da sua pena.
Essa denúncia que abala a política baiana, porém, chega num pior momento, porque alcança o PT baiano em rota final da campanha eleitoral. E de forma devastadora.
Como sempre acontece, os denunciados negam que tenham sido beneficiários pelos recursos que seriam destinados às casas populares. Isso não basta, porém. Têm a obrigação não de apenas negar, como é feito por todos os acusados, mas desmantelar o que disse a denunciante, além de comprovar que nada aconteceu e, ainda, responder com processos judiciais embasados em provas.
Imagina-se que quem denunciou fatos tão deprimentes deve ter elementos comprobatórios para uso em caso de processo. Ademais, ao balançar os denunciados colocando-os em situação dificílima, atinge-os na reta final da campanha eleitoral e, bem provavelmente, os fatos serão explorados à larga no horário eleitoral da propaganda política, como sempre acontece em casos assim.
Costuma-se ficar difícil rebater sem provas, mas ainda pior será desmanchar o estrago eleitoral. Não entendo, nem posso entender que seja verdadeiro o que se divulga, embora a oposição na Assembleia já os tenha denunciados anos atrás, e o Ministério Público parece não ter tomado conhecimento, o que será obrigado a fazê-lo agora, como afirma a promotora Rita Tourinho, que há quatro anos está na rota do escândalo, mas alega que não tinha pista dos beneficiados, o que agora passa a ter com a delação da petista presidente do Instituto Brasil, que nasceu na Bahia em forma de ONG.
É um sacolejo e tanto na campanha eleitoral com repercussão nacional. Como jornalista, prefiro aguardar que provas consistentes cheguem à luz. Enquanto isso não acontece, fica valendo a denúncia. Deve-se acompanhar se haverá, ou não, estragos na campanha, e o que poderá vir a acontecer até o dia 5 de outubro, quando ocorrerão as eleições.
*Coluna publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (23).
Domingo, 21 de Setembro de 2014 - 07:55
Coluna A Tarde: Guerra no segundo turno
por Samuel Celestino
Com 37 pontos no Datafolha liberado na madrugada da sexta feira última contra 30 de Marina e 17 de Aécio Neves, ficou mais difícil para a candidata do PSB mudar o cenário nestes últimos dias de campanha em primeiro turno, embora nada seja impossível. Já Aécio terá que contar com a sorte e com um trabalho de campanha extenuante para ultrapassar Marina e chegar ao segundo turno – o que parece dificílimo e sem precedentes. Como esperado, será nesta segunda etapa que a presidência será decidida. Por ora, Marina está à frente de Dilma, mas em empate técnico, com dois pontos percentuais à frente.
A presidente colheu os frutos de uma campanha semelhante à utilizada por Collor contra Lula, lá nos idos de 1989, plantando mentiras e descendo o nível para um patamar que não se esperava que houvesse retorno, desta vez praticada pelo PT, o que absolve Fernando Collor. A presidente passou a tratar a política como de fato ela é: velhaca. Pelo menos é um reconhecimento, já sabido, em relação ao exercício político no Brasil, marcado basicamente pela corrupção.
É difícil, mas quase impossível, que a oponente de Dilma tire a vantagem que ela estabeleceu, de sete pontos percentuais, como também o é em relação a Neves, que está a 13 pontos distanciado de Marina. Existem probabilidades, sim, como tem acontecido em outros pleitos quando a definição do eleito se revela nos últimos dias antes das eleições. Mas não em primeiro turno, a não ser quando exista uma grande distância dos dois candidatos que se põem à frente e os demais. Nesta eleição, o(a) presidente somente será conhecido no segundo turno, quando a realidade pode mudar, em razão de diversos aspectos.
O primeiro deles é que o confronto será entre dois adversários, que terão tempos iguais para se manifestar na televisão, quebrando o diferencial que ora se observa entre Dilma e Marina, a primeira com 11 minutos e, a segunda, com dois, apenas. Isso deu margem a Rousseff utilizar o recurso do ataque, dificultando a defesa de Marina Silva. Na segunda etapa, ambas com 10 minutos, estabelecem-se o equilíbrio; os candidatos se igualam no tempo o que facilita, ainda, os debates nas emissoras de tevê, criando um clima de emoção. Estarão frente a frente, com maiores possibilidades de explanar o que pretendem fazer se eleita e até se engalfinharem nos momentos mais nervosos e provocativos.
Ademais, surge outra questão de peso: os candidatos do primeiro turno que não ultrapassarem para o segundo terão que orientar seus votos, seus eleitores, para um dos candidatos, realizando um pacto de apoio. No caso específico de um segundo turno entre Dilma e Marina, à primeira vista a socialista ficará em vantagem que já aparece no Datafolha, com dois pontos à frente, o que, por ser insignificante, denota um empate técnico.
No caso específico, há um conflito tradicional entre o PT e o PSDB, o que leva a crer que Aécio Neves tenderá, se ele ficar no caminho, transferir os seus votos para Marina Silva e não para Rousseff. Trata-se de uma suposição a partir do histórico entre os dois partidos, adversários por excelência, cuja decisão não dependerá exclusivamente de Aécio, mas da direção do partido tucano.
Numa campanha como a de agora, onde há três candidatos de destaque e os demais ficam na parte de baixo, integrantes de partidos pequenos, portanto sem possibilidade de exercer transferência de votos, valerão as legendas que ficarem na ponta, transferindo-se ao PSDB a condição de auxiliar de uma candidatura.
Por último, outro fator de peso: as denúncias que vazam a partir do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Ainda no fim de semana ele trouxe ao público outra bomba, que atinge os governos Lula e Dilma, a presidente também na condição de presidente do conselho da estatal. Disse ele que na negociação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, houve distribuição de propinas entre os diretores. Como se fosse uma espécie de quebra do pote da antiga brincadeira infantil da cabra-cega.
O próprio Paulo Roberto disse que recebeu propina de R$ 1,5 milhão. Outros nomes não vieram a público, mas é certo que houve denúncias de diretores e outros personagens na corrupção da compra da refinaria. Até o final do segundo turno, novas denúncias podem chegar à superfície o que, fatalmente, causará impacto no segundo turno. Como sempre ocorre.
* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (21) do jornal A Tarde
A campanha de baixíssimo nível que se observa no processo sucessório presidencial deixou um rastro negativo que foi captado pela pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira à noite. Basicamente orientada pelo marketing do PT, para impulsionar a campanha de Dilma Rousseff e deixar a candidatura de Marina Silva em dificuldades, o tiro parece ter saído pela culatra. Acabou por favorecer Aécio Neves, que em apenas uma semana cresceu 4%, passando a ter 19%. Os insultos, inusitados e de baixo nível, levaram Dilma a perder três pontos e Marina Silva um, ou seja, no saldo das duas a candidata do PSB acabou favorecida, avançando dois pontos. Dilma desceu do patamar da semana passada, caindo de 39% para 36%. Para um provável segundo turno, se distanciou três pontos percentuais de Marina. O alvo do PT, portanto, acabou beneficiado.
Não foram somente os pontos perdidos ou ganhos. Dilma foi buscar na campanha de Collor, lá nos idos de 1989, a mesma fúria que aconteceu contra a candidatura Lula. Naquele ano deu certo porque o eleitorado brasileiro de há muito não sabia o que era eleição direta. Lutou e experimentou o medo durante 25 anos da ditadura militar. Assim, ainda havia o medo, à época, principalmente por se trata de um candidato de esquerda, como Lula. Isso quando o PT ainda era uma legenda de esquerda, tinha princípios e esconjurava a corrupção. Temia-se, então, o retorno do regime dos generais.
Houve, depois de tantos anos, uma mudança na sociedade brasileira que já não aceita baixarias, além das “mentiras” durante a campanha. O comitê de Dilma passou do limite e tentou combater Marina da forma mais vil, transformando uma educadora - Neca Setúbal - em banqueira, quando era, pelo próprio PT, considerada educadora, isto quando ela participou da campanha do prefeito paulistano Haddad, do PT. A comida desapareceu nos filmetes do prato dos necessitados, assim como as letras, numa alusão à educação, também desapareceram, num acinte à inteligência, mas apresentado para engabelar a população mais necessitada. A propaganda foi tirada do ar pela justiça.
Deste modo, a mentira, como na alusão popular, segundo a qual o feitiço se volta contra o feiticeiro, desabou nesta última semana entre uma pesquisa e outra, atingindo a campanha de Dilma, que certamente não estaria de acordo com a propaganda engendrada pela “genialidade” do seu comitê de campanha. O projeto de Dilma era avançar semana atrás de semana até o final do primeiro turno. Ela, entretanto, caiu. Na verdade, foi a perdedora desta pesquisa Ibope, que foi ganha por Aécio Neves. O tucano mineiro soube usar bem o vácuo deixado pela baixaria.
As pequenas mudanças observadas pelo Ibope podem ser, ou não, um sinal. Na reta de chegada para as urnas perder pontos é perigoso. Se for constante, adeus viola. No caso específico, o que mais vale é a ascensão de Aécio. Se ele subir mais e não conseguir passar para o segundo turno, a presunção é que o seu eleitorado se transferirá para apoio a Marina, porque o PSDB detesta o PT e vice-versa.
* Coluna publicada originalmente no jornal A Tarde desta quinta-feira (18)
Em reta final, há uma agressiva guerra de mentiras na campanha presidencial que envolve os três principais candidatos, basicamente com a carga pesada de Dilma contra Marina Silva e Aécio Neves contra as duas. Na última semana, após a pesquisa que apresentou um distanciamento de oito pontos entre as duas candidatas no primeiro turno, favorecendo Dilma, Marina resolveu devolver os petardos, transformando a campanha presidencial num jogo de ataque e defesa. Nada do que se diz é confiável. As promessas perdem o significado. Não se pode crer numa segunda gestão quando a primeira foi um desastre. Como cidadão, que sobrepõe à profissão de jornalista, o que marca este governo é uma brutal crise econômica. Assim, fica difícil acreditar em promessas. Soam vazias.
Até Leonardo Boff, um dos fundadores do PT, que se desligou do partido ao perder suas esperanças em relação à legenda, entrou na guerra. Há algum tempo reside na Alemanha onde é professor de Teologia e Filosofia em Munique. Com saudades da sua Teoria da Libertação e da atual velha política do PT, que esqueceu os fundamentos da sua origem ao se tornar igual ao PMDB, semelhante ao PSDB, idêntico ao DEM, irmanado ao PCdoB e mergulhado em corrupção, que fora tão combatida e impensável na origem do partido. Foi o PT que permeou, com esperanças e sonhos, a juventude do início dos anos 80. Tornou-se, porém, idêntico, ou até pior, na velhice calhorda deste sistema partidário brasileiro.
Aqui na Bahia o quadro não difere. As agressões verbais já se estendem desde junho. Ganharam densidade neste setembro e se tornam mais fortes nesta reta de chegada, quando faltam 20 dias para as eleições, contando com o domingo, cinco de outubro, dia de votação. O que acontecerá até lá é uma incógnita. A última pesquisa conhecida estabelecia um distanciamento relativamente alto entre Souto e Rui Costa, sem levar em consideração, naturalmente, os números do Basbete (se eu não estiver trocando o nome pelo do extraordinário filme “A Festa de Babete”, sem o “s”) por ser uma pesquisa de fundo de quintal, que não merece a menor qualificação ou respeitabilidade.
Não se trata apenas deste “instituto”, que fica na Bahia, em local desconhecido, senão incerto. A realidade é que, embora os institutos de pesquisas nacionais tenham melhorado, é comum errarem, daí porque para o jornalista o único que merece fé é o Datafolha. Aliás, por falar em pesquisas, o Ibope está em processo de transferência para um grupo de peso, embora a família que o fundou, lá pelos idos dos anos 40 do século passado, continuará à frente do seu comando, porque passará a ser cotista minoritário e assim fiou acertado.
No estado, esta etapa final da campanha eleitoral merece ser acompanhada (não as agressões e, quiça, xingamentos) com muita atenção porque nestas bandas acontecem mudanças inesperadas, até absurdas, como a vitória de Waldeck Ornelas sobre Waldir Pires para o Senado, no suspiro das últimas urnas apuradas. Ganhou com meros três mil votos de diferença. Aliás, por mais que se tentasse o Tribunal Superior Eleitoral (Ó tempora, ó mores – Cícero, senador romano, na polêmica com Catilina - “Ó tempos, ó costumes”) não se manifestou sequer sobre os recursos impetrados e quando o fez foi praticamente no fim do mandato senatorial. Não se pode esquecer, de igual modo, a virada nos últimos dias da eleição de Wagner sobre Souto, quando as consultas demonstravam outra realidade. As pesquisas erraram, e só revisaram, reconhecendo outra verdade, nas pesquisas feitas em boca de urna.
Assim posto, os momentos finais das campanhas são sempre eletrizantes. Aliás, nesta semana, é possível que venham à baila pesquisas sobre o processo eleitoral baiano e, duas ou três, sobre a campanha presidencial. Quem aplica na Bolsa de Valores ficará mais atento ainda, porque se Marina subir, a Bolsa sobe; se Dilma crescer, a bolsa entra em parafuso. Quem diria... Há uma forte ligação entre o mercado financeiro e a política. A Petrobras, por exemplo, sempre perde quando Dilma sobe. Faz parte do escândalo e em relação ao que se verifica na petroleira, antigo símbolo nacional, hoje cambaleante.
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