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domingo, 13 de julho de 2014

ALEMANHA MAGNIFICA! TETRACAMPEÃ MUNDIAL 2014 NO MARACA

Rio de Janeiro, RJ / Maracanã,Domingo, 13/07/2014 - 16:00
Min:14 - Max:27 ºcSol com algumas nuvens
Alemanha1x0Argentina
Final
PARA A HISTÓRIA! ALEMANHA É TETRA NO 
MARACANÃ COM GOL NA PRORROGAÇÃO!
Mário Götze sai do banco e faz o
 único gol do tetracampeonato 
alemão, para delírio de torcedores brasileiros e frustração dos argentinos no Rio
http://globoesporte.globo.com/jogo/
copa-do-mundo-2014/13-07-2014/
alemanha-argentina.html
A CRÔNICA
por Alexandre Alliatti
353 comentários
A maluquice é pensar que não temos vaga ideia do que fazíamos em 3 de junho de 1992, quando pela primeira vez Mario, mais um recém-nascido qualquer a chorar num hospital qualquer da Alemanha, viu a luz. Dada nossa sina de marionetes do tempo, estávamos indiferentes à história que começava a ser costurada – lavávamos louça, víamos novela, reclamávamos do centroavante tosco de nosso time, discutíamos futebol com nosso pai, aquela figura de rugas desenhadas também pela dor e pela glória que o futebol tanto nos dá. Não podíamos imaginar o que aconteceria tanto tempo depois, naquele inalcançável 13 de julho de 2014, naquele futuro domingo de sol no Maracanã, naquele instante precioso em que o pequeno Mario, o gigante Mario Götze, com apenas 22 anos e uma eternidade pela frente, receberia de Schürrle aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, dominaria no peito e desviaria para o gol. Não podíamos calcular que surgia o protagonista da vitória por 1 a 0 na final, o sujeito que evitaria uma festa da Argentina no Maracanã, o atleta que tornaria a Alemanha tetracampeã mundial de futebol!
Mario Gotze gol final Alemanha x Argentina (Foto: Reuters)Götze agradece! O pequeno gigante entra para a história alemã com o gol do tetra (Foto: Reuters)
A Argentina de Messi foi grande até os limites supremos. Encarou um time melhor e 
talvez merecesse a vitória, o título, tanto quanto a Alemanha. Detalhes mudam vidas, 
mudam histórias, e agora eles penderam para Alemanha – para euforia, absoluto 
delírio, da torcida brasileira presente no Maracanã. A seleção germânica se iguala à
 Itália como tetracampeã mundial. O Brasil segue soberano, com cinco conquistas, 
e a Argentina continua com duas. O terceiro duelo entre alemães e argentinos em 
finais é também a primeira vez que uma seleção europeia ganha a Copa no continente 
americano.
O mundo diante de Higuaín
Sussurros seriam ouvidos do outro lado do estádio se alguém ousasse abrir a boca
 aos 20 minutos do primeiro tempo, naqueles dois ou três segundos de mutismo 
coletivo em que Higuaín recebeu uma bola de presente de Toni Kroos e, sozinho, 
avançou com ela na direção de Neuer. Existem chances que não se perdem nem 
em peladas de família, quanto mais numa final de Copa do Mundo, mas 
o atacante argentino, talvez embasbacado pela oportunidade que ganhara, talvez 
se perguntando se merecia tanto, cometeu a insanidade de desperdiçar o gol.
O problema é que o futebol tem algo de rancoroso. O mesmo Higuaín, alguns minutos
 depois, entrou na área feito um caminhão sem freios, aproveitou cruzamento de 
Lavezzi, lá da direita, e mandou para as redes. Saiu vibrando, em surto, correndo 
como um sujeito que daria a volta ao mundo se o Maracanã não tivesse paredes,
 mas aí o teto dele desabou: do outro lado, o auxiliar, esse corta-prazeres de 
atacantes, tinha sua bandeira erguida. Correto: o atacante estava de fato impedido.
Higuaín gol anulado final Copa do Mundo Alemanha x Argentina (Foto: Reuters)Higuaín marca, mas o gol é corretamente anulado pelo auxiliar (Foto: Reuters)
A grande questão é que os dois lances, acrescidos de uma arrancada assombrosa
 de Messi (cortada por um Boateng que só precisa de um par de asas para ser
 decretado anjo da equipe), mostram que houve algo de errado no sólido reino
 defensivo germânico. Os problemas começaram antes de o jogo começar, por 
mais estranho que pareça. Khedira, peça essencial na engrenagem do meio-campo,
sentiu dores musculares no aquecimento. Não foi a campo. Entrou Kramer, que só
 tinha jogado 11 minutos na Copa inteira e também sairia lesionado, ainda no primeiro
 tempo, para a entrada de Schürrle.
Frigidos os ovos, é notável que a Argentina fez muito bom primeiro tempo – e não foi 
graças apenas aos eternos incômodos causados por Messi e suas disparadas 
de homem de mil pernas. Também pela defesa. E mesmo se baseando numa
estratégia curiosa: deixar Schweinsteiger passear pelo campo como se estivesse de
 férias. Alejandro Sabella, por algum motivo, preferiu concentrar atenções em acossar
 os atletas servidos pelo camisa 7, não o próprio. A tática parece suicida, mas até 
que deu resultado. Porém, quase ruiu no finzinho da etapa, quando Höwedes
 subiu nas cercanias da estratosfera para cabecear na trave argentina. No rebote, a 
bola ainda bateu em Müller, e Romero defendeu, mas o lance já estava anulado por 
impedimento.
Quase, Messi!
A expectativa de qualquer ser humano alimentado de esperanças é que Messi, 
ao ir para o vestiário, seja acometido por uma crise de piedade e resolva parar de 
infernizar defesas alheias. Mas não costuma acontecer – quem não voltou foi 
Lavezzi, substituído por Agüero. Com menos de dois minutos no segundo, a Pulga
 recebeu em profundidade na esquerda e mandou um chute cruzado que triscou a 
trave protegida pelas luvas de Neuer. Quase.
Messi final Copa Alemanha x Argentina (Foto: AFP)Messi chuta cruzado, à esquerda de Neuer. Por um triz a Argentina não abriu o placar (Foto: AFP)
A partir daí, as chances de gol se tornaram mais escassas. As equipes encontraram 
dificuldades de escapar ao ataque, e o jogo ficou mais preso nos limites entre uma
 intermediária e outra. A parte final da construção passou a ter repetidos erros de 
lado a lado – linda jogada de Özil poderia ter resultado em gol mesmo assim,
mas Kroos bateu mal. E a prorrogação começou a dar as caras no Maracanã.
As duas seleções, com o passar do tempo, ficaram mais e mais encabuladas 
de tentar movimentos que expusessem suas defesas. Mesmo as trocas foram
 comedidas: na Argentina, Palacio no lugar de Higuaín, Gago no de Enzo Perez; 
na Alemanha, Götze na vaga de Klose. Consequência: prorrogação.
O último ato
A Alemanha entrou na prorrogação babando de vontade de ganhar. No primeiro 
lance do tempo extra, Schürrle quase marcou. Romero espalmou o chute do 
atacante. A Argentina, fechada, deixou claro que se abraçaria aos contra-ataques,
 e os europeus passaram a ter domínio do jogo – mas sem grande contundência.
Mario Gotze gol final Alemanha x Argentina (Foto: Getty Images)Êxtase em campo! Götze é cercado após fazer o gol do título (Foto: Getty Images)
A tensão era evidente no Maracanã – era quase um organismo vivo. E Palacio quase fez. Em rara falha de Hummels, o atacante conseguiu dominar na área e tocar por cima de Neuer, mas a bola saiu. Os minutos finais foram duros, pegados – a ponto de Schweinsteiger sair sangrando depois de Agüero deixar o braço no rosto dele. Ficou evidente o cansaço das duas equipes e a impressão de que só uma jogada aleatória poderia evitar os pênaltis.
Mas não houve aleatoriedade. Houve talento. Schürlle, brilhante, fez ótima jogada e mandou na área. Götze, ao matar no peito, encontrou a bola e a posteridade ao mesmo tempo. Mandou para o gol. Mandou para a história – para a história de uma enorme tetracampeã!

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