Palavras proferidas pela professora Anfrisia Santiago, por ocasião de suas Bodas de Ouro de Magistério., em homenagem recebida na data de “Homenagem ao Professor”
“Que Fiz Durante Este Meio Século? Procurei, apenas, pôr em prática aquele conceito de Sêneca: “É inútil para si o homem que não vive para outrem” Vivendo para os meus alunos, vivi melhor para mim mesma. Onde o mérito? Pergunto-me, procurando compreender vossa magnanimidade para comigo. Lembro-me então que são dadivosos os que virtudes possuem, os que dão, os ricos de valores,os que têm de sobra no seu patrimônio.”
ANFRÍANFRISIA SANTIAGO, EDUCADORA DE UMA ÉPOCA
FONTE : https://janeribeirotextos.wordpress.com/anfrisia-santiago-educadora-de-uma-epoca/
Anfrísia Santiago – Biografia
D. Anfrisia
Nasceu em 21 de setembro de 1894 em Salvador. Diplomou-se, com láurea em professora primária, pela Escola Normal da Bahia, aos 16 anos de idade. Exerceu o magistério na rede oficial de ensino de 1911 a 1925, tendo sido interina ,depois efetiva, no arraial de Santo Estevão no recôncavo baiano, foi nomeada em 1914 para a primeira Escola municipal do distrito de Vitória como professora adjunta e depois regente de classe da primeira escola municipal do distrito de Santo Antonio até 1925, quando se aposentou ,com tempo proporcional por doença grave. Tendo se restabelecido ,lecionou Língua Vernácula na Escola Normal da Bahia (1926/1927).
Mantendo um pensionato para normalistas dos Perdões em sua própria casa, para aumentar a renda familiar, resolveu transformá-lo em escola em 1927 surgindo, então. o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora que a notabilizou e o qual dirigiu até sua morte, educando gerações…
Conferencista ,participou de vários Congressos de Educação apresentando teses.Foi diretora do Departamento de Educação, a convite de Anísio Teixeira, então Secretário de Educação do Estado. Historiadora, muito contribuiu para pesquisas históricas e genealógicas ,colaborando com os grandes historiadores de sua geração, sendo sócia do Instituto Geográfico e Histórico, Instituto Genealógico da Bahia e criando no mesmo tempo o Centro de Estudos Baianos.
Foi presidente da Federação das Bandeirantes da Bahia (1933/1941), presidente e vice-presidente da Secção de Diretores de Escolas da Associação Brasileira de Educação (1934/1936).
Colegio Nossa Senhora Auxiliadora
Exemplo de generosidade, cristã fervorosa, amou ao próximo biblicamente, estendendo sua ajuda a todos que dela se aproximavam. Criou e manteve a Cruzada do Auxílio Fraternal que prestava assistência médica e ajuda às famílias carentes do bairro de Brotas.
Condecorada como Grau de Cavaleiro Nacional do Mérito Educativo pelo Presidente da República em 1968, inscrita na Ordem Nacional do Mérito Educativo, na classe “Exímius” desde 1957. Figurou em três edições do ” Who’s Who in Latin America” publicação da Universidade de Stanford. Medalha de prata da Ordem do Mérito Educacional da Bahia concedida “post mortem” pelo Governo do Estado.Educadora, professora, historiadora, , como mulher honrou a Bahia, sua classe e sua profissão.
Palavras proferidas pela professora Anfrisia Santiago, por ocasião de suas Bodas de Ouro de Magistério., em homenagem recebida na data de “Homenagem ao Professor”
“Que Fiz Durante Este Meio Século? Procurei, apenas, pôr em prática aquele conceito de Sêneca: “É inútil para si o homem que não vive para outrem” Vivendo para os meus alunos, vivi melhor para mim mesma. Onde o mérito? Pergunto-me, procurando compreender vossa magnanimidade para comigo. Lembro-me então que são dadivosos os que virtudes possuem, os que dão, os ricos de valores,os que têm de sobra no seu patrimônio.”
“Meus colegas: enquanto a generosidade é vossa, a gratidão é minha. E tanta e a tantos a devo, neste longo perpassar dos anos! Em primeiro lugar a proteção divina pelos pais que me destinou. Como lhe sou grata, a meu pai e a minha mão, tão pobres e tão esforçados, que me encaminharam a esta missão de ensinar, tão antiga quanto a de aprender, que é a rota da humanidade! Quanto por ela me entusiasmaram eles, esclarecendo-me, entretanto, sobre sua cota de sacrifícios, mas também lembrando-me sua grande função social. Não se enganaram, nem me enganaram.”
“Passo a rever no meu tributo de gratidão, a inesquecível Escola Normal do Caquende,para onde caminhei, a pé ,seis anos a fio, vindo de Santo Antonio Além do Carmo. Quanto devoà ‘a minha escola e a todos os mestres que lá encontrei, a começar por aquela pequenina e forte, tão ilustrada e tão boa “Dona Luizinha” cujo centenário do nascimento a Bahia acaba de comemorar, e auxiliado por dona Maria José Cardoso e Silva e dona Maurina Laerte Moreira, dirigia a Escola Complementar Anexa. .”
Subsequentemente, dos três anos do curso normal guardo inapagável e produtiva a lembrança das aulas ouvidas, das lições dadas, das notas obtidas, assim como, do amável convívio de colegas e contemporâneos. Há quanto tempo já tudo isso! E quantos mestres e colegas desaparecidos! Excelentes mestres. Alfredo Ferreira de Magalhães, Alípio Franca, Elias Figueiredo Nazareth, Julia David Justina Campos, Leopoldino Tantu, Maria Adelaide da Costa e Silva, Maria da Conceição Gomes Ferrão, Óseas Santos, Pedro Júlio Barbuda, Pedro Carrascosa, Tristão Rodrigues Nunes. Uma só mestra sobrevivente, D. Maurina Laerte da Moreira de Paula, a mais jovem de então, entusiasta e risonha, romântica e compreensiva, a quem daqui envio meu carinhoso saudar.”
“Prepararam-me para o mister de professora primária. É o que eu sou, meus ilustres colegas, professores secundários, que aquiescestes em me homenagear em vosso dia. Professora primária comecei a sê-lo daquela distante manhã de fevereiro de 1911, quando a confiança de Alfredo Magalhães me levou até a Escola Elementar do Educandário dos Perdões, onde estavam matriculadas algumas de suas filhas.”
“Com esta festa , senhores , me estás levando a fazer a romaria da saudade, o que Lacordaire tanto lamentara: -“A vida, no fim de algum tempo , não é mais do que o caminhar entre túmulos” é porém, consoladora a saudade, a quem tem a certeza da eternidade feliz, para os que combateram o bom combate, como servos fiéis que o foram”.


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