domingo, 28 de maio de 2017

A HISTÓRIA DO ATLETISMO NO MUNDO

Atletismo

O Atletismo

A história do atletismo é muito interessante e bonita. Começou ainda nos primórdios da civilização. O homem primitivo, de forma natural e quase que instintivamente, já praticava uma série de movimentos necessários para garantir a sobrevivênvia, seja nas atividades de caça, quanto nas de autodefesa.
Figura rupestre. Homem pré-histórico correndo.
Figura rupestre. Homem pré-histórico correndo.
Ele saltava, corria, lançava dardos e concomitantemente desenvolvia uma série de habilidades naturais e essenciais, como o andar, o correr, o pular e o arremessar que, por sua vez, estão relacionadas com as diversas modalidades atualmente disputadas nas provas de atletismo. 
Por isso, o atletismo é considerado como “esporte de base”. Suas provas competitivas compõem-se demarchas, corridas, saltos e arremessos. Além disso, o desenvolvimento dessas habilidades básicas são necessárias para a prática de outras modalidades esportivas.
A palavra atletismo deriva da raiz grega, “ATHI, competição”, que corresponde ao princípio do heroísmo sagrado grego, o espírito de disputa, o ideal do belo. – o que se chamou de espírito agonístico*. Com o surgimento das competições, perdeu-se o caráter de religiosidade, assumindo exclusivamente o caráter esportivo.
É possível afirmar que o atletismo seja a forma organizada mais antiga de competição. As primeiras reuniões organizadas pelo homem foram chamadas de “Jogos Olímpicos”, iniciados pelos gregos no ano 776 a.C. Desde então, o homem vem tentando superar seus movimentos essenciais.
Durante anos, o principal evento olímpico foi o pentatlo, que compreendia lançamentos de disco, salto em distância e a corrida com obstáculos. De modo geral, o atletismo é praticado em estádios, com exceção das corridas de longa distância, praticadas em vias públicas ou no campo, como a maratona.
Os romanos, mesmo depois de conquistarem a Grécia no ano 146 A.C, continuaram realizando os jogos olímpicos. Foi o romano Juvenal quem sintetizou na expressão “mens sana in corpore sano”, a filosofia do esporte.
Porém, no ano 394 d.C. o imperador romano Teodósio aboliu os jogos. Durante oito séculos não se celebraram competições organizadas de atletismo, que voltaram a ser restaurados somente na Inglaterra, em meados do século XIX.
Barão de Coubertin
Barão de Coubertin
Neste período, a figura de Pierre de Coubertin foi fundamental. Pierre de Frédy (Paris, 1 de janeiro de 1863 — Genebra, 2 de setembro de 1937) ficou mais conhecido pelo seu título nobiliárquico deBarão de Coubertin.
Ele foi um pedagogo e historiador francês, tendo ficado para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna.
Foi sua a inspiração de reviver os Jogos Olímpicos. Uma ideia que surgiu após suas incursões pelos Estados Unidos e depois de ter idealizado uma competição internacional para promover o atletismo.
Ele ainda se aproveitou de um crescente interesse internacional pelos Jogos, que vinha sendo alimentado por fantásticas descobertas arqueológicas nas ruínas de Olímpia.
Imagem de uma peça arqueológica grega.
Imagem de uma peça arqueológica grega.
Foi durante um congresso internacional, em 23 de Junho de 1894 na Sorbonne em Paris, que ele anunciou seus planos. A sua proposta foi a de reinstituir a tradição de realizar um evento desportivo internacional periódico, inspirado no que se fazia na Grécia antiga.
Este congresso levou à constituição de um Comite Olímpico Internacional, do qual o barão deCoubertin foi os ecretário geral. Decidiu-se também que os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna seriam realizados em Atenas. A partir daí, tal como na antiguidade, os Jogos seriam realizados a cada quatro anos (uma Olimpíada). Em 1896, finalmente, iniciaram-se os Jogos Olímpicos.
Primeiros Jogos Olímpicos.
Primeiros Jogos Olímpicos.
Mais tarde os jogos passaram a ser realizados em diferentes países, com intervalos de quatro anos, exceto em tempo de guerra. Em 1912 fundou-se a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF). Com sede em Londres, a associação atualmente rege as competições internacionais de atletismo, estabelecendo as regras e dando oficialidade às melhores marcas mundiais. No Brasil, a responsabilidade por este esporte cabe à CBAt – Confederação Brasileira de Atletismo.
Na moderna definição, o atletismo é um esporte com provas de pista (corridas), de campo (saltos e lançamentos), provas combinadas, como decatlo e heptatlo (que reúnem provas de pista e de campo), o pedestrianismo (corridas de rua, como a maratona), corridas em campo (cross country), corridas em montanha, com obstáculos naturais ou artificiais e, marcha atlética.

A Corrida

A corrida é a forma de expressão atlética mais pura que o homem já desenvolveu. Embora exista algo de estratégia e uma técnica implícita, é uma prática quase que instintiva e envolve basicamente o bom condicionamento físico.
As corridas de pistas dividem-se em curta distância ou velocidade (tiro rápido), que nas competições oficiais vão de 100, 200 e os 400 metros; meio fundo (800 metros e 1 500 metros); e longa distância ou de fundo (3.000 metros com obstáculos, 5.000 m e 10.000m, chegando até às maratona); Revezamento 4×100 e 4×400 m; com barreiras 100 m (feminino), 110 m (masculino) e 400 m para ambos; marcha atlética de 20 km (masculino e feminino) e 50 km (masculino). As provas de pistas e de rua vêm sofrendo contínuas adaptações para se adequarem aos avanços tecnológicos e aperfeiçoamentos.
As regras do atletismo geralmente são muito claras. O vencedor é o atleta que percorre determinada distância no menor tempo possível e cruza a linha de chegada em primeiro lugar. Uma mistura de tradição e nobreza, indissolúvel e historicamente ligada aos Jogos Olímpicos, desde os tempos ancestrais (Silvia Vieira).
Porém, existem provas que são disputadas em equipe. Outras, como o heptatlo, são realizadas de forma combinadas e somam pontos de acordo com cada modalidade.
As corridas podem ser divididas também de acordo com a existência ou não de obstáculos (barreiras) no percurso, que podem estar naturalmente ou artificialmente colocados, como nas corridas de cross country, realizadas nos campos e montanhas, ou nas pistas de atletismo.
Nas corridas de curta distância, a explosão muscular é determinante no desempenho do atleta. Por isso, existe um posicionamento especial para a largada, que consiste em apoiar os pés sobre um bloco de partida (fixado na pista) e apoiar o tronco sobre as mãos encostadas no chão (posição de quatro apoios). São frequentes as falsas partidas, quando o atleta sai antes do tiro, que é o sinal dado para começar a prova.
Contudo, nas provas combinadas, como o decatlo, cada atleta tem direito a uma falsa partida. Nas provas mais longas a partida não tem um papel tão decisivo, e os atletas saem para a corrida em uma posição mais natural, em pé, sem poder colocar as mãos no chão.

As Corridas de Rua

Com o grande sucesso da primeira Maratona Olímpica, no final do século XIX, as corridas de rua teriam ganhado um impulso ainda maior, popularizando-se particularmente nos Estados Unidos.
Foi em 1972 que aconteceu o grande Boom da modalidade, inspirado na vitória do atleta americano Frank Shorter, na Maratona Olímpica de 1972, o que gerou uma revolução sem precedentes, que ainda está em curso, e que conduziu a um aumento dramático no número de participantes desta modalidade esportiva.
Neste mesmo período, também aconteceu o “jogging boom” baseado na teoria do médico norte-americano Kenneth Cooper que difundiu seu famoso “Teste de Cooper“. Paralelamente, ainda na década de 70 começaram a surgir provas onde era permitida a participação popular junto com os corredores de elite – cada grupo largando nos respectivos pelotões.
Atualmente as corridas de rua podem reunir mais de 30.000 participantes, como essa corrida, durante a Maratona de Berlin.
Atualmente as corridas de rua podem reunir mais de 30.000 participantes, como essa corrida, durante a Maratona de Berlin.
A Federação Internacional das Associações de Atletismo (IAAF) define as corridas de rua ou provas de pedestrianismo, como aquelas disputadas em circuitos de ruas, avenidas ou estradas, com distâncias oficiais variando de 5 a 100 km.
Hoje as corridas de rua se popularizaram em todo o mundo. São praticadas em sua grande maioria por atletas amadores que buscam melhorar e/ou aumentar sua qualidade de vida através da prática esportiva.
Na última década, houve um aumento significativo do número de praticantes, tanto no mundo como no Brasil. A Runner’s World estima haver aproximadamente 24 milhões de corredores somente nos EUA.
No Brasil, ainda estamos experimentando este boom. Apesar da grande paixão do brasileiro ser o futebol, o segmento de running atualmente movimenta cerca de R$ 4,5 bilhões no país, que possui um mercado composto por aproximadamente cinco milhões de adeptos. Esse número é crescente.

A Maratona

A Maratona é considerada a mais famosa de todas as corridas. É também a maior distância nas competições de atletismo dentro do programa de uma Olimpíada, onde também é conhecida por corrida de longa distância ou de fundo. Ela pode ser realizada parcial ou totalmente fora do estádio, ou seja, nas ruas, estradas e inclusive no campo.
A prova que envolve grande resistência física. Oficialmente, o seu percurso é estabelecido em 42 km e 195 m, com uma tolerância para um desvio de + 42 metros. Ao longo de sua história, a maratona suscitou vários episódios de superação, fracassos, mortes e, consequentemente, lendas, o que cada vez mais aumenta a mística em torno dessa distância.
A corrida baseia-se na legendária façanha de um soldado grego, Fidípides, que em 490 A C. percorreu o campo de batalha das planícies de Maratona até Atenas, numa distância superior a 35 km, para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas. Após ter cumprido sua missão, ele caiu morto de exaustão.
Em 1896, durante os Jogos Olímpicos realizados em Atenas, os organizadores estipularam uma distância superior a 40 km como forma de celebrar as realizações da Grécia Antiga. A ideia de realizar a corrida entre Maratona e Atenas surgiu do historiador francês Michel Bréal.
Antes da maratona olímpica, foram realizadas duas seletivas. A primeira foi vencida porCharilaos Vasilakos e, serviu de seletiva para a Olimpíada. A outra foi realizada na Grécia e vencida por um corredor de sobrenome Laurentis com a marca de 3h18min. Nestas seletivas alguns atletas morreram de exaustão, o que serviu para aumentar ainda mais a mística em torno de uma maratona.
1896 - Maratona Olímpica.
1896 – Maratona Olímpica.
A primeira Maratona organizada da história foi realizada no dia 10 de março de 1896. Um australiano, um norte-americano, um francês, um húngaro e 13 atletas gregos se alinharam na Ponte de Maratona para a largada daquela que seria a primeira maratona olímpica. Ao longo do percurso, os atletas foram constantemente monitorados por fiscais e médicos.
Os gregos tinham como ponto de honra vencer esta prova. Entre os corredores estava Louis Spiridon. A primeira metade da prova foi dominada pelos estrangeiros. Os gregos, com Spiridon entraram na disputa na segunda metade em diante, quando apareceram as subidas. Foi uma corrida emocionante.
Louis Spiridon chegou ao estádio acompanhado pelos príncipes herdeiros Nicholas e George até a linha de chegada, cruzada com 2h58min. Sete minutos depois, o grego, Vasilakos, chegou. Outro grego, chamado Belokas, chegou em terceiro, mas foi desclassificado.
Em 1908, durante os Jogos Olímpicos da Inglaterra, essa distância foi ampliada para a “medida imperial” de 42 km, ou 26 milhas. Essa medida foi ampliada com 195 metros (385 jardas) de forma que a o trajeto desviasse das linhas de bonde e a família Real pudesse assistir a largada no Castelo de Windsor e acompanhasse de um lugar privilegiado a chegada ao Great White City Stadium.
Durante muitos anos a maratona era uma modalidade exclusiva para homens. Entretanto, as mulheres sempre lutaram pelo seu espaço. Ainda em 1896, um dia após a vitória de Spiridon, a grega Stamata Revithi refez o percurso de 40 km entre Maratona e Atenas em 5h30min.
A maior responsável pela presença feminina em uma maratona foi de Kathrine Switezer. Em 1967, ela se inscreveu com um nome de homem durante a Maratona de Boston. Seu feito chamou a atenção da imprensa dos EUA que passou a questionar a presença das mulheres nas corridas de longa distância. Porém, a primeira maratona olímpica feminina só foi ser realizada durante os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.
De 1896 para cá, a maratona criou mitos e desenvolveu diversas histórias de superação e lendas. Seriam necessários vários livros para relatá-los. Entretanto, alguns nomes ficaram gravados nos anais desta prova. Entre os maiores ícones, por exemplo, é obrigatório citar atletas como Abebe Bikila e Paula Redcliffe. Veja mais informações sobre estes atletas nos destaques internacionais.
Bikila foi um membro da guarda imperial do exército da Etiópia recrutado no último instante. Ele causou sensação no mundo ao correr descalço pelas ruas de Roma e ganhar a medalha de ouro olímpica. Ele foi o primeiro atleta africano a alcançar este feito nos Jogos Olímpicos de 1960. Quatro anos depois, ele manteve o título. Desta vez, correndo calçado. Nas duas ocasiões ele atingiu o recorde mundial. Ele foi elevado ao Hall da Fama da IAAF em 2012.
Paula Radcliffe é uma atleta britânica. Ela correu sua primeira maratona em 2002. Entretanto, um ano depois, ela conseguiu estabelecer o recorde mundial de 2h15min nos Jogos de Londres. Ela ainda ganhou o titulo mundial de 2005 e, ainda venceu por várias vezes as maratonas deNova York e Chicago.
O Brasil também possui grandes maratonistas. Entre eles se destacam Ronaldo da Costa,Vanderlei Cordeiro de Lima e Marilson Gomes dos Santos.  Maiores detalhes sobre estes atletas podem ser acessados em “destaques nacionais”.
Ronaldo impressionou o mundo, na segunda maratona que disputou. A prova foi realizada em Berlim no ano de 1998. Ele conseguiu quebrar o recorde mundial do etíope Belayneh Dinsamo, que já durava mais de 10 anos. Ronaldo cravou uma marca de 2h06min. A melhor marca até hoje alcançada por um maratonista brasileiro.
Entre os maiores maratonistas de todos os tempos estão os nomes de atletas como Wilson Kipsang Kiprotich, atual detentor do recorde mundial de 2:03:23, alcançado em 2013 em Berlim. Além dele, estão Patrick Makau Musyoki (02:03:38 – Quenia), Haile Gebrselassie(02:03:59 – Etiópia), Eliud Kipchoge (02:04:05 – Quenia) e Geoffrey Kiprono Mutai  (02:04:15 – Quenia). Entre as mulheres, podemos citar Paula Radcliffe (02:15:25 – Inglaterra), Liliya Shobukhova  (2:18:20 – Rússia), Mary Jepkosgei Keitany  (2:18:37 – Quenia), Catherine Ndereba(02:18:47 – Quenia) e,  Tiki Gelana  (2:18:58 – Etiópia).
Hoje, as maratonas se tornaram grandes eventos e, aos poucos muda a sua característica de ser uma prova de resistência para também ser uma prova de velocidade. As maiores provas no mundo nesta distância, como as Maratonas de Nova York, Boston, Berlim, Londres, Chicago eTóquio chegam reunir facilmente de 30 a 40.000 participantes.
Maratona Olímpica de Londres.
Maratona Olímpica de Londres.
Com um número, cada vez mais crescente quanto ao número de praticantes, com atletas correndo cada vez mais rápido, aliado a incansável busca do homem pela superação em seus desafios, resta uma pergunta: – Há um limite? Com certeza que não. Mas ainda continuaremos aguardando o dia em que o homem conseguirá quebrar a barreira das 2 horas em uma maratona.

A Ultramaratona

A origem da ultramaratona é tão antiga quanto a história do próprio homem. Não é difícil de imaginar o homem primitivo em suas primeiras incursões pelo ambiente que vivia a procura de alimento e segurança. Sem o luxo dos relógios ou dos modernos aparelhos de GPS, ninguém consegue imaginar a distância que primeiros atletas conseguiam percorrer, antes de fazerem uma parada. Hoje, milhares de corredores participam de ultramaratonas por todo o mundo.
As ultramaratonas são corridas disputadas em duas modalidades distintas: a) com uma distância pré-estabelecida, como 50 km, 100 km ou mais; b) dentro de um período de tempo, como seis horas, 24 horas ou eventos que envolvam mais de um dia.
Ambos ganham popularidade com o público. As corridas geralmente são organizadas em a) trilhas, onde os atletas podem aproveitar a beleza cênica do ambiente natural; b) pistas, onde os atletas não precisam se aventurar tão longe da linha de largada ou chegada, isto é, correm dentro de um campo de visão; c) estradas, onde os atletas podem aproveitar tanto as ruas mais calmas quanto as mais agitadas. Algumas ultramaratonas são uma combinação de dois ou mais terrenos diferentes. Algumas provas ocorrem dentro no modelo de etapas e outras são realizadas dentro de um período de dias.
A ultramaratona também possui seus ícones. Giorgio Calcaterra é um deles. Ele venceu por o Campeonato Mundial, impondo marcas que frequentemente ficam no topo do ranking nos 100 km. Seu recorde pessoal nesta distância é de 6:23:20. Mami Kudo é outro destaque. Essa corredora japonesa é considerada a “rainha” da melhor performance mundial. Em 2012 ela estabeleceu o novo recorde mundial nas 24 horas percorrendo 255,303 km. No mesmo ano, ela também estabeleceu uma nova marca com a distância de 368,687 km.

A Marcha Atlética

Trata-se de uma modalidade do atletismo onde se executa uma progressão de passos de tal forma que o atleta mantenha sempre um dos pés em  contato com o solo. A perna que avança deve estar reta, não fletida desde o momento do primeiro contato com o solo até que se encontre em posição vertical.
A marcha atlética surgiu por volta dos séculos 17 e 18 dentro da aristocracia. No século XIX ganhou popularidade com o nome de pedestrianismo. A marcha é também uma criação inglesa, com os famosos “footman”, que cobriam distâncias fantásticas neste período.
A Marcha atlética.
A Marcha atlética.
O homem que é considerado o criador da disciplina como a conhecemos, foi, no entanto, um americano, Edward Payson Wetson, que passou a maior parte da sua vida atravessando o continente americano marchando.
A marcha apareceu pela primeira vez em uma olimpíada em 1904, como parte de outro evento. Foi integrada aos Jogos Olímpicos somente em 1908. Em 1992 passou a ser disputada na categoria feminina. Há dois tipos de provas: a) de 20 km para o feminino e, b) de 20 km e 50 km para o masculino, que se realizam normalmente em um circuito na rua de no mínimo 1 km e no máximo 2,5 km. É uma atividade em que a resistência e a técnica do atleta são fundamentais.
O regulamento estabelece que os juízes de marcha devem advertir aos atletas que por sua forma de marchar, correm o risco de cometer alguma falta. Para isso utilizam placas amarelas com o símbolo de uma possível infração. No julgamento, quando um atleta comete infração é anotado no quadro de advertências um cartão vermelho correspondente a infração cometida. Quando três juízes diferentes mostram os cartões vermelhos a um atleta, o juiz chefe procede a desqualificação do mesmo.
O atual recorde mundial na categoria de 20 km é do equatoriano Jefferson Pérez, com 1h17m21s e nos 50 km pertence ao russo Denis Nizhegorodov, com 3h35m29s. O maior nome da marcha atlética em todos os tempos é o do polonês Robert Korzeniowski, tetracampeão olímpico e tricampeão mundial, nas duas distâncias, entre 1996 e 2004. Atualmente, a Rússia e a China são as nações dominantes na prática da marcha atlética, tanto no masculino, quanto no feminino.

A Corrida Cross Country

Corrida cross country.
Corrida cross country.
A corrida cross country podem ser disputadas em equipe ou de forma individual.
São corridas feitas sobre terreno aberto ou acidentado. Difere da corrida de rua ou em pista principalmente pelo percurso, que pode incluir a grama, lama, mato ou água. Difere também no sistema de classificação. As equipes podem ser compostas de cinco a sete corredores.
A IAAF recomenda para competições internacionais que o percurso tenha uma volta entre 1.750 m e 2.000 m com o uso de obstáculos naturais, onde for possível.
Os terrenos não devem oferecer perigo aos corredores. Nas competições amadoras internacionais, a IAAF exige uma distância mínima de 2 000 m a 5 000 m (1,25 a 3 milhas) para mulheres e 12 000 m (7,5 milhas) para homens.
A primeira competição internacional de cross country foi registrada em 1898 em Ville d’Avray, na França. O primeiro campeonato internacional foi realizado em 17 de março de 1973 na cidade Belga de Waregem. Também há o registro de corridas cross country masculina realizada nos Jogos Olímpicos de 1912, 1920 e 1924.
Nesta modalidade de corrida, o destaque é o atleta etíope Kenenisa Bekele que conquistou 16 medalhas de ouro no Campeonato Mundial realizado pela IAAF. Foram 12 individuais e 04 em equipe. Ele conquistou cinco vitórias duplas consecutivas entre os anos de 2002 e 2006, tanto no percurso longo, quanto no curto.
Apesar de Bekele ter conquistado maior número de medalhas, entre os anos de 1995 e 1999, os quenianos dominaram a modalidade. Paul Tergat, por exemplo, foi o primeiro homem a conquistar 5 campeonatos Mundiais consecutivos. Suas vitórias vieram em diferentes condições de percursos. Sua vitória mais importante foi em 1996 na cidade do Cabo quando ele ganhou por uma diferença de 12 segundos, após correr os 10 km em 27minutos57 segundos.
Por outro lado, Grete Waitz foi destaque no feminino. Apesar dela ter ganhado fama como maratonista, no começo da carreira, ela já se destacava no cross country. Ganhou por cinco vezes no Campeonato Mundial, com uma margem de 25.6 segundos, e terminou em terceiro em outras duas ocasiões. Ela também alcançou a maior margem de vitória na história de todos os campeonatos com 44 segundos a frente de sua principal rival no ano de 1980.

Corrida de Montanha

Corrida em montanha.
Corrida em montanha.
Toda filosofia da corrida de montanha é baseada no fator tempo, isto é, como atingir a linha de chegada, utilizando o caminho definido o mais rápido possível?
A corrida em montanha pode ser realizada dentro de uma ampla variedade de distâncias, subidas, descidas e tipos de terrenos.
As distâncias podem variar desde uma corrida curta de 15 minutos, até várias horas de trecking. Ainda há percursos para diferentes tipos de habilidade e grupos etários. Tudo é feito de forma a eliminar qualquer perigo. Em corridas oficiais, não é permitido o uso de nenhum tipo de equipamento.
A IAAF possui regras para definir as distâncias e a altimetria para diferentes categorias de corredores.
Entre os ícones da corrida de montanha encontra-se Marco De Gasperi que conquistou seis medalhas de ouro individual em Campeonatos Mundiais, cinco na categoria Senior (1997, 1999, 2001, 2003, 2007). Todas as corridas com subidas e descidas. Além dele, a atleta francesaIsabelle Guillot é outro destaque com quatro medalhas de ouro (1989, 1991, 1993 and 1997).

O Lançamento

As disciplinas oficiais de lançamento envolvem o arremesso de peso e nos lançamentos demartelo, de disco e o de dardo.
O peso consiste no arremesso de uma esfera metálica que pesa 7,26 kg para os homens adultos e 4 kg para as mulheres.
O peso
O peso
O martelo é similar a essa esfera, mas com um cabo, o que permite imprimir movimento linear à esfera e assim atingir uma distância maior.
Arremesso de martelo.
Arremesso de martelo.
O disco é um pouco mais leve, pesando um quilograma para as mulheres e dois quilogramas para os homens.
Arremesso de disco.
Arremesso de disco.
O dardo pesa 600 gramas para as mulheres e 800 gramas para os homens.
Arremesso de dardo.
Arremesso de dardo.
Os lançamentos são executados dentro de áreas limitadas, são círculos demarcados no solo para o arremesso ou lançamento e, antes de uma linha demarcada para o lançamento do dardo. A partir dessas marcas se conta a distância dos lançamentos. As competições envolvem várias tentativas por parte dos atletas, que aproveitam as melhores marcas obtidas. As provas são normalmente praticadas no espaço interior à pista das corridas.
As primeiras marcas registradas pertencem ao inglês Herbert Williams, que em Londres, em 28 de maio de 1860, lançou o peso a 10,91 m, e o da Era IAAF ao americano Ralph Rose, que em 21 de agosto de 1909 arremessou 15,54 m em São Francisco. William Parry O’ Brienrevolucionou esta prova, criando um novo estilo, no qual o atleta começa o movimento de costas para o local do arremesso. O’ Brien venceu os Jogos Olímpicos de Helsinque e Melbourne, ganhou a prata em Roma e ainda se classificou em 4º lugar em Tóquio 12 anos depois de iniciar a sua carreira olímpica. Foi também o primeiro atleta a vencer mais de 100 competições consecutivas. No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi do atleta E. Engelke, vencedor do primeiro Campeonato Brasileiro de 1925, com a marca de 11,81 metros.

Os Saltos

Nesta categoria, as provas são divididas em salto vertical, onde estão o salto em altura e o salto com vara, e horizontal, onde se encontra o salto em distância e o salto triplo.
Salto com vara.
Salto com vara.

Os atletas tomam impulso numa pequena pista de balanço, com o objetivo de alcançar maior distância. O salto em altura, que tem por objetivo ultrapassar uma barra horizontal, é realizado mediante tentativas. A barra é colocada em determinada altura à qual os atletas devem tentar saltar. Se conseguirem, eles progridem para um salto mais alto.
O Salto triplo.
O Salto triplo.
Qualquer atleta que derrubar a barra por três vezes é desclassificado, sendo contada a marca alcançada anteriormente. O salto com vara funciona do mesmo modo, mas neste caso, o atleta tem o apoio de uma vara. Em ambos os saltos, há um colchão para amortecer a queda do atleta.
No salto em distância e no salto triplo, o atleta faz sua aterrissagem numa caixa de areia. Há uma marca na pista que indica o limite máximo de corrida de balanço antes do salto. Se o atleta ultrapassar ou tocar nessa marca, o salto será nulo.
Aterrisagem de um atleta em caixa de areia após o salto triplo.
Aterrisagem de um atleta em caixa de areia após o salto triplo.

As Provas Combinadas

Algumas competições envolvem combinações de várias modalidades, no intuito de consagrar um atleta mais completo. As provas oficiais do decatlo (para os homens) e do heptatlo (para as mulheres) combinam corridas, saltos e lançamentos. Os atletas pontuam de acordo com as suas marcas nas provas individuais (tendo por base uma tabela de conversão de marcas por pontos), e esses pontos são somados para a definição do vencedor.

As Corridas em Pista

Pista de atletismo.
Pista de atletismo.
A pista de corrida possui oito raias por onde os atletas devem correr. Cada uma tem 1 metro e 22 centímetros. Assim, a largura da pista é de no mínimo 10 metros, com algum espaço além das raias interna e externa.
A pista oficial é constituída por duas retas e duas curvas, possuindo raias concêntricas. A raia interna, mais próxima ao centro, tem o comprimento de 400 metros. A externa é mais longa, possuindo 449 metros.
Dimensões de uma pista de atletismo.
Dimensões de uma pista de atletismo.
Nas corridas de curta distância, os atletas devem permanecer dentro das raias que largaram. Nas corridas de média e longa distância, os atletas não precisam correr nas raias. Geralmente eles se dirigem para a raia interior, evitando percorrer distâncias maiores.
A pista coberta deve se situar num recinto completamente fechado, coberto, mas provido de iluminação, aquecimento e ventilação e que possa oferecer condições satisfatórias para a competição.
O local deverá incluir uma pista oval com 200 metros, uma pista reta para as corridas de velocidade (60 metros) e de barreiras; pistas de balanço e áreas de queda para saltos. Além disso, deverá dispor também de um círculo e local para o lançamento e queda dos pesos arremessados, sejam eles permanentes ou temporários.
Conforme observa Silvia Vieira, depois de mais de 2800 anos da primeira edição dos jogos Olímpicos, todos ainda querem saber quem é o mais rápido, quem salta mais alto e quem é o mais forte.
Na galeria dos heróis olímpicos, a colaboração do atletismo é inestimável. De Spiridon Louis àUsain Bolt. De Adhemar Ferreira da Silva à Vanderlei Cordeiro de Lima. A seguir nas seções Destaques Nacionais e Internacionais, há uma pequena contribuição, agregando dentro de um único espaço os principais nomes do atletismo mundial e brasileiro. Com certeza, há muitos outros nomes que poderiam estar presentes nesta lista. Desculpem-nos se, por acaso omitimos algum nome importante.

Observações:
Agonístico. adj (gr agonistikós) Que se refere aos combates atléticos da antiga Grécia.
1.Em provas de saltos em distância e corridas curtas, os recordes só serão válidos se o ventoque estiver a favor não ultrapassar a marca de 2 metros por segundo. Nas corridas longas, o vento não influi decisivamente, pois os atletas estão expostos a rajadas provenientes de várias  direções.

Fontes de Apoio:
Vieira, Silvia. 1967 – O que é Atletismo – Rio de Janeiro: Casa da Palavra. COB 2007.

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