quinta-feira, 3 de novembro de 2016

CONDENADO NA LAVA JATO, PAULO ROBERTO COSTA RETIRA A TORNOZELEIRA


03/11/2016 11h48 - Atualizado em 03/11/2016 15h14

Condenado na Lava Jato, Paulo Roberto Costa retira a tornozeleira

Ex-diretor da Petrobras passou a cumprir regime aberto, no Rio de Janeiro.
Equipamento foi retirado nesta quinta (3); ele ainda tem 17 anos de pena.

Thais Kaniak
Do G1 PR
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa retirou a tornozeleira eletrônica nesta quinta-feira (3), em Curitiba. Além disso, ele passou a cumprir o regime aberto no dia 26 de outubro. O ex-diretor da estatal foi condenado em vários processos da Operação Lava Jato por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
A decisão do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, previa que a tornozeleira eletrônica fosse retirada e entregue na 12º Vara Federal em 15 dias – contados a partir de 26 de outubro. O juiz ainda dava a possibilidade de que o condenado aguardasse a próxima ida em audiência à capital paranaense para retirá-la.
O ex-diretor chegou ao prédio da Justiça Federal às 13h20 e saiu cerca de 20 minutos depois. O advogado Cássio Quirino confirmou que o cliente foi ao local para a retirada do equipamento.
O benefício se deve ao acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal (MPF). Paulo Roberto Costa é o primeiro delator da Lava Jato.
Com o acordo de delação premiada, a pena do condenado é de 20 anos, restando ainda o cumprimento de 17 anos. Desde outubro de 2015, o ex-diretor da Petrobras cumpria o regime semiaberto no Rio de Janeiro, onde mora.
"Detraindo-se dos vinte anos o período já cumprido, de aproximadamente dois anos e cinco meses, ainda haveria ao menos dezessete anos de pena a serem cumpridos na modalidade do regime aberto", diz um trecho do despacho de Sérgio Moro.
Segundo decisão do juiz, Paulo Roberto Costa deve cumprir o regime aberto obedecendo restrições por três anos, até o dia 1º de novembro de 2019. 
O ex-diretor está proibido de se mudar e de  viajar para o exterior sem a autorização da Justiça. Ele também deve prestar quatro horas semanais de serviços comunitários e apresentar trimestralmente um relatório das atividades profissionais à Justiça Federal do Paraná.
Início da Lava Jato
Paulo Roberto Costa foi preso junto em março de 2014, quando a Operação Lava Jato foi deflagrada. Dias depois, conseguiu um habeas corpus da Justiça, mas voltou a ser preso. Após dois meses na prisão, decidiu colaborar com as investigações e detalhou como funcionava o esquema.

Foi a partir dos depoimentos dele que os policiais desvendaram como funcionava a distribuição de recursos desviados da Petrobras. Empreiteiras que mantinham contratos com a estatal superfaturavam os valores dos serviços que prestavam, por meio de contratos aditivos às obras. Parte dos valores do superfaturamento era usado para pagar propina a diretores da Petrobras e também para abastecer o caixa de partidos políticos, no caso o PTPMDB e PP.
Costa virou diretor da Petrobras em 2004, por indicação do ex-deputado federal José Janene, que morreu em 2010. Ele permaneceu no cargo até 2012, quando pediu demissão e abriu a empresa de consultoria.
Janene foi eleito pelo PP do Paraná e também esteve envolvido no escândalo do mensalão. Como revelaria mais tarde o doleiro Alberto Youssef, teria partido de Janene a ideia de usar a estrutura da Petrobras para arrecadar dinheiro para pagar a base aliada do governo na Câmara dos Deputados e no Senado, em troca da aprovação de projetos estratégicos para o governo federal.
Paulo Roberto Costa presta depoimento na CPI da Petrobras, em Brasília (Foto: Lúcio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados)Paulo Roberto Costa deve retirar a tornozeleira eletrônica (Foto: Lúcio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados)
Quer saber mais notícias do estado? Acesse G1 Paraná.

Nenhum comentário:

Postar um comentário